O deslocamento, ainda por cima, causou dores de cabeça ao próprio Toffoli. Ele viajou no jatinho de um empresário.
Na aeronave, também de carona, estava o advogado Augusto Arruda Botelho, que defende um dos alvos da investigação sobre o banco Master, caso que está sob relatoria do ministro no Supremo. Um possível conflito de interesses está configurado aí.
A história fica ainda mais rocambolesca quando observamos quem é o dono do jatinho.
Trata-se de Luiz Osvaldo Pastore, empresário de São Paulo radicado no Espírito Santo.
Pastore foi suplente do então senador Gerson Camata (MDB) e exerceu o mandato temporariamente, entre 2002 e 2003.
Tornou-se ainda suplente de Rose de Freitas (MDB).
Durante licenças da parlamentar, o empresário voltou a exercer o mandato de senador pelo Espírito Santo, em 2019 e 2022. A última vez foi entre julho e novembro de 2022.
Pastore transferiu o domicílio eleitoral para o Distrito Federal e, naquele ano, disputou a eleição como suplente de Flávia Arruda (PL). Ela, entretanto, foi derrotada por Damares Alves (Republicanos).
Com um capital de tal monta, Pastore costuma fazer doações eleitorais a diversos políticos, dos mais diferentes partidos e orientações ideológicas.
Em 2024, por exemplo, doou R$ 150 mil para Ricardo Nunes (MDB), candidato a prefeito de São Paulo que contou com o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Em 2022, Pastore doou R$ 100 mil para a campanha de Renato Casagrande (PSB) ao governo do Espírito Santo.
Em 2018, o empresário tentou uma vaga no Senado italiano pela Liga Norte, do ex-vice-primeiro ministro Matteo Salvini, uma legenda de ultradireita.
Mas voltemos à seara do futebol. Luiz Osvaldo Pastore integrou, em 2024, uma chapa de oposição na disputa pela presidência do Palmeiras. Ele foi um dos vice-presidentes de Savério Orlandi, que concorreu contra Leila Pereira.
Leila foi reeleita pela assembleia de sócios por 2.295 votos contra 858 recebidos por Savério.