Entre Hartung e Ricardo: como Renzo Vasconcelos se equilibra no PSD capixaba
Eleições 2026
Entre Hartung e Ricardo: como Renzo Vasconcelos se equilibra no PSD capixaba
Presidente estadual do partido é também prefeito de Colatina e afirmou à coluna que não pretende "antecipar o calendário eleitoral"
Publicado em 06 de Novembro de 2025 às 03:40
Públicado em
06 nov 2025 às 03:40
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Renzo Vasconcelos em 2024, durante debate realizado pela TV Gazeta com os candidatos à Prefeitura de ColatinaCrédito: Carlos Alberto Silva
O PSD tem 43 deputados federais, 15 senadores e foi o partido que mais elegeu prefeitos em todo o país em 2024. No Espírito Santo, o desempenho nas urnas foi mais tímido. A sigla tem três prefeitos em cidades capixabas e dois deputados na Assembleia Legislativa.
Ainda assim, é uma força político-eleitoral relevante, pelo tempo de exibição no horário eleitoral gratuito e pela verba do fundo para fazer campanha.
Isso faz com que a sigla seja cobiçada tanto pelos aliados do vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) quanto pelos articuladores do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos). Os dois são pré-candidatos ao Palácio Anchieta.
O presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, afirmou com todas as letras à reportagem de A Gazeta, na quarta-feira (5), que o objetivo é lançar o ex-governador ao Palácio Anchieta. O presidente estadual do PSD, Renzo Vasconcelos, falou com a coluna no mesmo dia, mas adotou um tom bem mais sóbrio.
"O PSD tem buscado dialogar com as lideranças, em sintonia com o cenário nacional. Ainda não tivemos nenhum convite de construção de nenhuma frente política do Estado, mas compreendemos que podemos contribuir como protagonistas, podendo lançar até mesmo candidatos a majoritária", tergiversou.
Renzo não se comprometeu quando a coluna perguntou se Hartung vai ou não se candidatar: "Não acho prudente responder por ele".
O dirigente, na verdade, está numa sinuca de bico, pois além de comandar a sigla, é prefeito de Colatina. Via de regra, chefes de Executivos municipais querem "ficar bem" com o governo estadual, em busca de recursos para investimentos nas respectivas cidades.
Não à toa, o prefeito mantém um bom relacionamento com Ricardo e com o governador Renato Casagrande (PSB), principal aliado do emedebista.
Ao mesmo tempo, Renzo enalteceu Hartung na mais recente inserção do PSD na TV:
"Agora, sob a nossa gestão, junto com Paulo Hartung, o PSD se consolida como um dos maiores partidos do Espírito Santo"
Renzo Vasconcelos - Presidente do PSD-ES e prefeito de Colatina
A imagem de Hartung também apareceu na peça. Foi a primeira inserção do partido da qual o ex-governador participou.
O ex-governador Paulo Hartung em inserção do PSD na TVCrédito: Divulgação/PSD
Ele é, ao menos desde 2014, adversário político de Casagrande. Nos bastidores, especula-se que o ex-governador anseia pela derrota de Ricardo nas urnas em 2026, ainda que o próprio Hartung não seja candidato. Logo, seria, no mínimo, contraditório se o PSD apoiasse o vice-governador.
O presidente estadual do Republicanos, Erick Musso, principal interlocutor de Pazolini, conversa frequentemente com Hartung e quer levar o partido de Renzo para o palanque do prefeito de Vitória.
Cabe lembrar, aliás, que o ex-governador fez repetidos elogios públicos a Pazolini, num sinal de apoio à empreitada eleitoral do republicano.
Já há até um possível vice para a chapa do pré-candidato ao governo, o ex-prefeito de Linhares, Guerino Zanon, que é do PSD. Tudo no campo das conjecturas, por ora. Vices, normalmente, são escolhidos aos 45 minutos do segundo tempo.
Ao ser questionado sobre qual vai ser o posicionamento do PSD nas eleições de 2026 no Espírito Santo, além de não cravar apoio a nenhum dos pré-candidatos ao governo estadual, ou a eventual participação do ex-governador, o presidente estadual do PSD fez questão de frisar que tem sido "bem recebido" por Ricardo, mas como prefeito.
"Como prefeito de Colatina, tenho sido bem recebido pelo vice-governador Ricardo Ferraço. Temos discutido uma agenda de resolução de problemas e avançado em diálogos de investimentos locais"
Renzo Vasconcelos - Presidente do PSD-ES e prefeito de Colatina
"Acredito que essa discussão poderá ser feita futuramente, sem antecipar o calendário eleitoral. Ricardo tem sido um bom parceiro, mas esta avaliação, oportunamente, levará em conta o cenário nacional e o que for melhor para o Espírito Santo", completou.
Reservadamente, integrantes do PSD e até de fora do partido avaliaram à coluna que, se Renzo, hipoteticamente, optasse por Ricardo, perderia a presidência estadual da sigla, uma vez que Kassab é próximo de Hartung.
Outro fator a ser observado é que o PSD, no Espírito Santo, funciona por meio de uma comissão provisória, não de um diretório estadual eleito, o que facilitaria uma eventual intervenção do PSD nacional.
Apesar das especulações, não há indícios de que Renzo esteja, hoje, em risco de ser destituído.
O próprio Renzo Vasconcelos, quando indagado sobre tais especulações, preferiu silenciar.
Kassab, na entrevista à reportagem de A Gazeta, enalteceu "o bom trabalho do presidente estadual".
Ricardo Ferraço, Renato Casagrande, Renzo Vasconcelos e Tyago Hoffmann, em setembroCrédito: Instagram/@renzo.vasconcelos
Se Hartung se dissesse (pré) candidato, o mistério do PSD estaria resolvido, assim como a situação de Renzo, para o bem ou para o mal.
Mas o ex-governador prefere causar suspense, o que só aumenta com as declarações de Kassab.
No último dia 18, durante o Pedra Azul Summit, encontro de lideranças empresariais realizado pela Rede Gazeta, o ex-governador foi questionado pelo editor-chefe de A Gazeta e da Rádio CBN Vitória, Geraldo Nascimento, durante uma palestra, se apareceria nas urnas em 2026 como candidato ao governo ou ao Senado. Hartung saiu pela tangente, como de costume: "Espero que (meu nome) apareça no seu coração".
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.