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Briga na direita

Erick Musso: "Magno Malta tem um projeto egocêntrico e vaidoso"

Após o senador do PL chamar outros partidos de direita de "direitinha", o presidente estadual do Republicanos reagiu: "Não fui eu que pedi voto para Lula e Dilma"

Publicado em 02 de Agosto de 2024 às 02:40

Públicado em 

02 ago 2024 às 02:40
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Erick Musso, presidente da Assembleia Legislativa e pré-candidato ao governo do ES
Erick Musso é ex-presidente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo Crédito: Ellen Campanharo/Ales
O senador Magno Malta, presidente estadual do PL, chamou, em alto e bom som, em discursos públicos, outros partidos de direita de "direitinha". Para o parlamentar, "quando o cara diz que é de direita, deveria sair do partido que tem três ministérios no governo Lula (PT)". Magno também abraçou o termo "extrema direita" e afirmou que "o PL não vai ser escada para ninguém".
Na prática, o senador descarta aproximação com legendas como o Republicanos, a outra força política que, fora do guarda-chuva do governador Renato Casagrande (PSB), protagoniza os movimentos "conservadores" no Espírito Santo. 
Os republicanos, aliás, têm um ministério no governo federal. Silvio Costa Filho comanda a pasta de Portos e Aeroportos.
Presidente estadual do partido, Erick Musso entrou em contato com a coluna nesta quinta-feira (1º) para rebater o senador: "Não fui eu que pedi voto para Lula e Dilma".
O PL, atualmente, faz oposição ao Partido dos Trabalhadores, mas, é verdade, Magno já foi aliadíssimo de Lula e da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).  
"O senador faz um trabalho de isolamento da direita capixaba. É um projeto de egocentrismo e vaidade pessoal", afirmou o presidente estadual do Republicanos.
Magno, por sua vez, credita o isolamento aos outros: "Eles (não citou nomes) dizem que a direita tem que se unir, mas se unir a quem? Se a direita não se unir a eles não é direita, é 'extrema direita'. Por que eles, que são direita, não se unem a nós?", provocou o senador, no último dia 19.
Erick disputou as eleições de 2022 contra Magno Malta. Os dois concorreram ao Senado e o líder estadual do PL venceu.
"Não sei se é por isso (os ataques de Magno). Mas na campanha não teve desrespeito nem ataque à honra. Ele venceu a eleição e que faça um bom mandato. Eu já superei", provocou o presidente estadual do Republicanos.
Sim. A política é, intrinsecamente, um ambiente em que ego e vaidade se destacam. Mas não estamos tratando aqui apenas de trocas de farpas pueris entre dois homens adultos.
O Partido Liberal e o Republicanos, no Espírito Santo, têm projetos distintos. Não é assim em todo o país.
No estado, o PL, há muitos anos é "o partido do Magno Malta". Lá, o senador dá a primeira e a última palavra. E ele tem planos para a sigla em 2026, mais do que para 2024. 
Para executar tais planos, como a eleição do deputado federal Gilvan da Federal (PL) ao Senado, o presidente estadual do PL quer protagonismo do Partido Liberal. A disputa em 2026 vai contar também com vagas para a Assembleia Legislativa e para a Câmara dos Deputados e a chefia do governo estadual.
"Eu fiquei um ano e meio buscando o diálogo, conversando, dei declarações públicas. A relação com o PP, com outros partidos de direita é tranquila, só o Magno que não é tranquilo", disparou Erick Musso.
Republicanos e PL estão no mesmo palanque em três municípios na disputa municipal de 2024: São Gabriel da Palha, Muqui e Vargem Alta.
Em municípios maiores, como os da Grande Vitória, entretanto, as duas siglas estão em lados opostos:
Em Vitória, Capitão Assumção (PL) concorre contra o prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos); em Vila Velha, o Republicanos está ao lado de Arnaldinho Borgo (Podemos), enquanto o PL lançou Coronel Ramalho; em Cariacica, o partido de Erick Musso apoia a reeleição de Euclério Sampaio (MDB) e o PL tem candidato próprio, Ivan Bastos; na Serra, o candidato do Republicanos é Pablo Muribeca e o do PL, Igor Elson.
O PL tem poucos aliados, partidariamente falando, em todas as cidades citadas no parágrafo anterior. Mas nem sempre o isolamento é por vontade própria.
Em Vila Velha, o Progressistas está entre Arnaldinho e Ramalho. Ainda não se decidiu. E o coronel da reserva da PM quer o apoio do PP. 

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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