O presidente da Assembleia Legislativa,
Erick Musso (Republicanos), está vivo no jogo como pré-candidato ao governo do Espírito Santo. Por enquanto, obteve o apoio declarado do nanico PSC, comandado pelo pastor Reginaldo Almeida no estado, e também do PROS, mas conta com a força do próprio partido para continuar a mover as peças.
Isso é mais do que, por exemplo, o prefeito de Linhares,
Guerino Zanon (MDB), pode dizer. Erick, no entanto, tem outras barreiras a vencer. Como a coluna já destacou,
ele é pouco conhecido do eleitorado. Embora seja presidente de um poder, com a prerrogativa de ditar o que e quando será votado no Legislativo, fora da Assembleia a projeção do presidente encolhe.
Enquanto isso, a coluna apurou que Erick arrancou em uma rodada de conversas com os demais pré-candidatos, "para não fechar a porta para o diálogo", de acordo com um aliado. Ele já esteve com Guerino, de novo, com
Audifax Barcelos (Rede), Eugênio Ricas (que deve ir para o PSD),
Carlos Manato (PL) e deve tratar também com
Felipe Rigoni (União Brasil).
Quem acompanha o presidente da Assembleia na empreitada é o deputado federal Amaro Neto (Republicanos), que deve ser candidato à reeleição.
A prioridade dos partidos, por enquanto, é formar as chapas de deputado federal e estadual. Alguns estão batendo cabeça, já que, com o fim das coligações, têm que arrumar candidatos próprios para a disputa.
O Republicanos se diz tranquilo quanto a isso. É mais um sinal de força.
O negócio são as intenções de voto para governador. Pesquisas internas não mostram Erick bem posicionado. "Mas Pazolini (prefeito de Vitória) também não ia bem nas pesquisas no início e depois virou o jogo", pondera um integrante do partido.
Pode ser, mas PazolinI é Pazolini e Erick é Erick. O prefeito tem carregado o presidente da Assembleia em agendas oficiais da administração municipal, embora Erick não tenha relação alguma com os feitos da prefeitura.
A pré-candidatura de Erick Musso pode não se manter após o período de convenções, em julho, mas por enquanto está de pé.
Como os candidatos têm que estar filiados até 2 de abril ao partido pelo qual pretendem disputar o pleito, isso emperra a possibilidade de Guerino ingressar na legenda para viabilizar o próprio nome na corrida eleitoral. "Guerino pode estar junto conosco, mas em outro partido", pontuou um aliado de Erick.
O presidente da Assembleia conversa com todos os demais pré-candidatos, inclusive Aridelmo Teixeira (Novo), menos com o governador
Renato Casagrande (PSB) e o senador
Fabiano Contarato (PT). O Republicanos corteja o eleitor "conservador".
Erick não tem emperrado as votações na Assembleia, o que poderia complicar a vida de Casagrande, mas usa a tribuna da Casa para se posicionar, como ao defender o fim da exigência de comprovante de vacinação contra Covid19 para ingresso do público em bares e restaurantes.
Essa é uma pauta bolsonarista. O presidente da República sempre se manteve contra medidas para impedir o contágio da doença e Erick tenta emular, em parte, esse comportamento para agregar os eleitores do capitão reformado. Pazolini, ao sancionar lei que impedia o passaporte vacinal, fez o mesmo. A lei acabou derrubada pelo Tribunal de Justiça.
O campo conservador está embolado de tantos candidatos. "Se todos não se unirem, vai dar Renato (Casagrande) de novo. Cada um atirando para um lado não dá certo", avalia um aliado de Erick Musso. A questão é: quem vai ser capaz de uni-los? É cedo para dizer que o presidente da Assembleia tem chance.