Euclério diz não e Marcelo Santos vai presidir partido no ES
Mudança
Euclério diz não e Marcelo Santos vai presidir partido no ES
Prefeito de Cariacica estava decidido a sair do MDB, mas planos mudaram após a consolidação de uma federação
Publicado em 19 de Maio de 2025 às 18:25
Públicado em
19 mai 2025 às 18:25
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
O presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo SantosCrédito: Lucas S. Costa/Ales
O presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos, vai ser o novo presidente do União Brasil no Espírito Santo, substituindo Felipe Rigoni. Marcelo está filiado ao partido desde julho de 2024 e já era uma espécie de eminência parda, chegou até a tentar, nos bastidores, tirar Rigoni do posto.
Isso foi fruto de um acordo em que a direção nacional do União declarou apoio ao vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) na corrida pelo Palácio Anchieta. Ricardo, Euclério, Marcelo e o governador Renato Casagrande (PSB), principal apoiador do vice, estavam todos alinhados nessa.
Muita coisa mudou, entretanto, com o anúncio da federação entre União Brasil e Progressistas. No estado, o comando da federação vai ficar com o deputado federal Da Vitória, presidente estadual do PP.
Como ele vai ser o verdadeiro detentor do poder na parceria entre as duas siglas, a ideia de migrar para o União tornou-se bem menos atrativa para Euclério.
Após algum suspense, o prefeito avisou a aliados que desistiu de mudar de partido. Assim, o próprio Marcelo vai assumir as rédeas, agora oficialmente. A informação foi confirmada à coluna pela assessoria de imprensa do presidente da Assembleia.
Marcelo está perfilado com Ricardo Ferraço e com o grupo de Casagrande em relação às eleições de 2026, mas, como já registrado aqui, o PP de Da Vitória é que vai ter mais peso ao definir os caminhos da federação.
Os progressistas, por sua vez, estão, ao mesmo tempo, no governo estadual e na Prefeitura de Vitória, comandada por Lorenzo Pazolini (Republicanos), adversário dos casagrandistas.
A ascensão de Marcelo à presidência estadual do União, de acordo com o presidente do PP, não muda o cenário, ao menos por enquanto.
"Marcelo já disse que vai observar o calendário eleitoral, apesar das preferências pessoais dele. Em abril de 2026 vamos ter uma clareza maior sobre quem são os nomes (quem vai ser, realmente, candidato ao governo estadual)", afirmou Da Vitória à coluna.
"Eu vou ter o poder de assinar (as decisões da federação), mas vou ouvir os membros do PP e do União", ressaltou Da Vitória.
De qualquer forma, juntos, União e PP se fortalecem, em termos de recursos para a campanha eleitoral, tempo de exibição no rádio e na TV e poder de barganha. Não à toa, Da Vitória não esconde que o objetivo é emplacar um candidato ao Senado ou quiçá ao Executivo estadual:
"Se tiver alguma possibilidade de majoritária — governo ou Senado — vamos trabalhar por isso"
Da Vitória - Deputado federal e presidente estadual do PP
A coluna tentou contato com Rigoni, secretário estadual de Meio Ambiente e (ainda) presidente estadual do União, mas ele não deu retorno até a publicação deste texto.
Rigoni deve continuar filiado ao União Brasil e disputar uma vaga na Câmara dos Deputados no ano que vem.
Euclério permanece filiado ao MDB, sigla que pode passar por fortes emoções no estado se uma federação com o Republicanos for confirmada.
Nesse caso, Ricardo e Pazolini estariam no mesmo barco, ainda que por força de um "casamento na delegacia".
A federação geraria potenciais desfiliações e reacomodação de forças, uma vez que tanto o vice-governador quanto o prefeito de Vitória são pretensos candidatos ao Palácio Anchieta.
Euclério, em meio ao hipotético cenário da federação entre MDB e Republicanos, teria que, mais uma vez, refazer cálculos políticos.
À reportagem de A Gazeta, o prefeito de Cariacica afirmou, nesta segunda-feira (19), que não vai se manifestar, por enquanto, e que aguarda o "anúncio oficial" sobre o comando do União Brasil estadual.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.