Euclério Sampaio ganha tração na corrida pelo Senado no ES
Bastidores
Euclério Sampaio ganha tração na corrida pelo Senado no ES
Aliados do prefeito de Cariacica e do governador Casagrande garantem que a pré-candidatura do emedebista é "para valer"
Publicado em 11 de Setembro de 2025 às 03:25
Públicado em
11 set 2025 às 03:25
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Euclério Sampaio, prefeito de CariacicaCrédito: Vitor Jubini
A pré-candidatura do prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio (MDB), ao Senado poderia ser interpretada como balão de ensaio ou algo pouco provável de se concretizar devido ao risco envolvido. Para disputar, ele teria que renunciar ao mandato em abril do ano que vem e lançar-se na aventura das urnas. Seria trocar um pássaro na mão por um voando.
Pessoas próximas ao prefeito e ao governador Renato Casagrande (PSB), um dos principais aliados do emedebista, entretanto, garantiram à coluna que o projeto eleitoral do prefeito é "para valer" e não apenas uma forma de marcar posição.
A ideia parece ter ganhado tração, ao menos entre lideranças políticas casagrandistas. Inicialmente, o apoio a Euclério estava restrito a representantes de igrejas evangélicas — como Assembleia de Deus, Quadrangular e, mais recentemente, Metodista do Brasil e Metodista Wesleyana.
Mas um dos mais novos apoiadores de Euclério é o secretário estadual de Saúde, Tyago Hoffmann. "Euclério faz uma gestão muito exitosa (em Cariacica). Vou caminhar com os candidatos que fazem parte do projeto do governador e torço muito para que Euclério seja o nosso segundo candidato ao Senado", afirmou o secretário à coluna.
O primeiro candidato, neste caso, é o próprio Casagrande. Publicamente, o governador não revela se vai mesmo concorrer a uma vaga em Brasília, mas nos bastidores isso já é dado como certo.
Duas cadeiras no Senado vão estar em disputa em cada estado no ano que vem.
Hoffmann diz que Euclério é seu nome preferido para integrar a chapa com Casagrande e o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB), pré-candidato ao Palácio Anchieta.
O posicionamento do secretário é relevante não apenas pelo fato de integrar o primeiro escalão, mas o núcleo duro que cerca o governador.
Chama a atenção também o fato de que o PSB, ao qual Hoffmann é filiado, tem outro potencial candidato ao Senado, o prefeito de Barra de São Francisco, Enivaldo dos Anjos.
Enivaldo já se disse disposto a renunciar ao mandato para concorrer em 2026.
Ainda assim, o secretário estadual de Saúde decidiu advogar por Euclério.
O presidente estadual do PSB, Alberto Gavini, não confirmou a intenção de lançar Enivaldo ao Senado.
"Ainda não discutimos a segunda vaga de senador. Enivaldo é uma liderança com destaque no PSB", afirmou, nesta quarta-feira (10).
Convenhamos que promover duas campanhas ao Senado ao mesmo tempo seria, no mínimo, desafiador.
A mesma linha de raciocínio pode ser utilizada para analisar a situação de Euclério e o MDB.
A sigla já tem Ricardo Ferraço como pré-candidato ao governo. Concorrer também ao Senado não seria inviável, mas um tanto "pesado".
De acordo com fontes consultadas pela coluna, uma eventual mudança de partido de Euclério não está descartada.
O Podemos, por meio do prefeito de Viana, Wanderson Bueno, que é secretário-geral da legenda, já declarou endosso ao prefeito de Cariacica na disputa pelo Senado e o convidou a se filiar à sigla.
Esse, aliás, foi mais um apoio que Euclério recebeu para além dos evangélicos.
Projeto Político Militar declara apoio a Euclério Sampaio para o SenadoCrédito: Divulgação
Na terça-feira (9), foi a vez do Projeto Político Militar (PPM), formado por representantes de associações de policiais e bombeiros militares. "Em 2026, estaremos juntos, certos de que esse projeto será vitorioso", registrou o grupo, a respeito de Euclério, em nota oficial.
No texto, o PPM lembrou que o prefeito é "oriundo da segurança pública". Ele é policial civil aposentado.
Obviamente, partidos ou entidades não são, isoladamente, decisivos numa campanha eleitoral. Mas ter um palanque forte ajuda.
No núcleo casagrandista, a avaliação é que o cenário é propício para o candidato que fizer dobradinha com o governador na corrida pelo Senado no ano que vem.
"O governador vai pedir votos para si mesmo, para Ricardo Ferraço e para o segundo candidato ao Senado. Mas não vai fazer isso sozinho. Ao menos 70 prefeitos também vão pedir votos para os três. Tem também os candidatos a deputado federal e a deputado estadual do nosso grupo que vão participar desse esforço", elencou um aliado de Casagrande.
A aliança político-partidária que sustenta o governador é ideologicamente ampla e, como pontuei na coluna do último dia 26, lançar um candidato de centro-direita ao Senado pode ser uma estratégia para captar, em tese, eleitores de direita, enquanto Casagrande mais forte na centro-esquerda.
Por enquanto, há apenas teses e teses. A eleição vai ser realizada daqui a 13 meses e, tradicionalmente, os eleitores capixabas escolhem o candidato a senador quase na última hora.
Reeleito com 88,41% dos votos em 2024, a força eleitoral de Euclério em Cariacica é inegável. Ele também é conhecido na Grande Vitória, mas no interior do estado o quadro pode ser mais desafiador.
DA VITÓRIA
Outro casagrandista de centro-direita e "oriundo da área da segurança" é um potencial candidato ao Senado. Trata-se do deputado federal Da Vitória (PP), cabo da reserva da Polícia Militar.
De acordo com fontes consultadas pela coluna, o próprio governador incentivou, meses atrás, o deputado a entrar no páreo pela vaga.
Da Vitória movimenta-se mais discretamente que Euclério, mas disse estar disposto a disputar um cargo majoritário (governador ou senador) no ano que vem.
O ex-prefeito de Vitória Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) soma-se a Euclério, Enivaldo e Da Vitória e completa o time de "candidatos a segundo candidato ao Senado" no grupo casagrandista.
O QUE DIZ CASAGRANDE
O governador afirmou à coluna, no último dia 3, que não incentiva preferencialmente nenhum deles e considera normais as movimentações dos quatro. Ele avaliou que ainda é cedo para decidir quem vai ser o competidor oficial.
Apesar das declarações de apoio e articulações nos bastidores, nada impede que os eleitores escolham um nome de fora da bolha casagrandista para o Senado.
Estão no páreo, por exemplo, Maguinha Malta (PL), Sérgio Meneguelli (Republicanos), Evair de Melo (PP), Carlos Manato e Wellington Callegari.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.