Ex-vice-prefeito de Pancas é alvo de operação da PF contra golpistas
Lesa Pátria
Ex-vice-prefeito de Pancas é alvo de operação da PF contra golpistas
Policiais estiveram na cidade nesta sexta-feira (27) e cumpriram mandados de busca e apreensão. Marcos Mataveli participou da invasão ao Palácio do Planalto no dia 8 de janeiro
Publicado em 27 de Janeiro de 2023 às 13:05
Públicado em
27 jan 2023 às 13:05
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Marcos Alexandre Mataveli de Morais, ex-vice-prefeito de Pancas, dentro do Palácio do Planalto no dia 8 de janeiro. No boné, a letra inicial do sobrenome Bolsonaro e o número 38, referência ao 38º presidente da RepúblicaCrédito: Redes Sociais
A PF confirmou que dois mandados de busca e apreensão foram cumpridos lá. A coluna apurou que a polícia bateu à porta de dois imóveis da família do ex-prefeito. Em um, funciona uma loja, em outro, uma clínica veterinária.
A clínica, entretanto, apenas aluga o espaço, não tem ligação com os Mataveli. Já a loja pertence a uma tia do ex-prefeito. O mandado, expedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), determinava a apreensão de objetos, como celulares e tablets.
De acordo com pessoas da cidade que acompanharam a movimentação, nada foi encontrado nesses locais. Na clínica veterinária, os agentes nem chegaram a realizar buscas, de fato.
O ex-vice-prefeito participou da invasão ao Palácio do Planalto, no dia 8 de janeiro. O próprio Mataveli publicou, nas redes sociais, vídeo que o mostra em meio à destruição no prédio. Nas imagens, é possível ver outros invasores no local e cadeiras quebradas.
No vídeo, ele narra que havia muito gás lacrimogênio no espaço. O gás foi usado pela polícia para dispersar os golpistas.
Naquele dia, apoiadores do ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL) atacaram as sedes dos Três Poderes e incitaram as Forças Armadas a aplicarem um golpe de estado.
Eles não se conformam com a derrota de Bolsonaro na eleição de outubro de 2022, em que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi eleito presidente da República.
A Operação Lesa Pátria, realizada em caráter permanente pela PF, objetiva justamente identificar pessoas que participaram, financiaram ou fomentaram os atos de 8 de janeiro.
Nesta sexta, a PF cumpriu mandados no Espírito Santo, no Rio de Janeiro, em Santa Catarina, no Paraná e no Distrito Federal. Em Vila Velha, um empresário foi preso.
ENQUANTO ISSO, EM PANCAS...
Viatura da Polícia Federal em Pancas durante a operação Lesa PátriaCrédito: Foto Leitor
Marcos Mataveli anda sumido. O presidente da Câmara de Pancas, Otniel Carlos de Oliveira (PDT), disse que viu, quando estava a caminho do trabalho nesta sexta, os agentes da PF nas ruas.
Quem ele não vê há um bom tempo é o ex-vice-prefeito. "Ele ficava mais no acampamento (em frente ao 38º Batalhão de Infantaria do Exército, na Prainha, em Vila Velha). E, desde o dia 8 de janeiro, sumiu", contou.
De acordo com o parlamentar, Mataveli mora no interior da cidade, mas, quando está na sede do município, fica na casa da tia.
Só que, nos últimos tempos, o ex-vice-prefeito não foi visto nem em um lugar nem em outro.
Marcos Mataveli foi eleito vice-prefeito de Pancas em 2012, pelo PPS (hoje Cidadania). Ele formou chapa com Guima (este disputou pelo PRP, que depois se incorporou ao Patriota).
Mataveli tem 51 anos. À Justiça Eleitoral, em 2012, ele se identificou como empresário. Também já foi vereador em Pancas, eleito em 2008.
Em 2020, disputou eleições novamente, desta vez pelo PSDB. Ele foi vice na chapa do candidato a prefeito Walace Alcure (PSD). Mas os dois não foram eleitos.
Ao solicitar o registro de candidatura, Mataveli informou à Justiça Eleitoral, em 2020, ser agricultor. E declarou ter R$ 1 milhão em bens, referente a alqueires de terra no Córrego Paranazinho, em Pancas.
A coluna tentou contato com Marcos Mataveli nesta sexta, mas os telefonemas não foram atendidos.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.