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Nova onda

Governo do ES caminha para exigir passaporte de vacina e restringir eventos, mas já há resistência

Pandemia de Covid-19 não acabou e casos têm aumentado devido à variante ômicron. Presidente da Assembleia Legislativa disse ser contra "novo fechamento"

Publicado em 25 de Janeiro de 2022 às 02:10

Públicado em 

25 jan 2022 às 02:10
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Coronavírus segue infectando muitas pessoas no Brasil
Representação do coronavírus que provoca a Covid-19 Crédito: Freepik
Se desde 2020 a pressão sobre o governo Renato Casagrande (PSB) vinha de todos os lados a respeito das medidas de controle da pandemia de Covid-19, em ano eleitoral essa pressão aumenta.
Setores econômicos não querem ser afetados por restrições e estão em contato com agentes políticos. Ao mesmo tempo, a variante ômicron avança, desfalcando a força de trabalho e preocupando os sistemas de saúde público e privado. 
O governo tem consultado empresários e outros atores para definir, até o final desta semana, novas restrições a serem adotadas.
O presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso (Republicanos), veio a público, em um vídeo, afirmar que é contra "novos fechamentos, novos lockdowns" e que o Legislativo "vai contra essas decisões se elas forem tomadas".
Erick disse ter recebido telefonemas e mensagens de representantes da indústria, do comércio e serviços "com medo da possível ameaça de fechamento por conta do avanço da cuestão (ele falou cuestão, como Jair Bolsonaro) da omicron".
A partir desta segunda (24), o governo passou a travar conversas com os setores empresariais para tratar do tema.
Erick Musso chegou a apoiar, no início da pandemia, algumas medidas adotadas pelo governo para frear a Covid-19, mas tem se distanciado cada vez mais do Palácio Anchieta. É pré-candidato ao governo do estado.
Em transmissão ao vivo na última sexta-feira (21), Casagrande afirmou que "Na semana que vem (ou seja, a partir desta segunda) a gente se reúne para tomar outras medidas qualificadas, ir mudando as medidas de acordo com a realidade dessa nova onda da pandemia".
O socialista deixou de anunciar medidas mais drásticas, apenas recomendou que empreendedores exijam comprovante de vacinação contra Covid-19 em bares e restaurantes. 
A coluna apurou que o governador não quer adotar novas medidas sem ouvir os segmentos empresariais, até para não pegá-los de surpresa e para ver se haveria adesão às medidas.
Essa postura mais branda já foi criticada por infectologistas, no início da pandemia, devido a um "lockdown" que, a rigor, não foi lockdown. 
O temor do governo é adotar medidas que não vão "pegar". O uso de máscaras, principalmente em ambientes externos, já foi deixado de lado por grande parte da população capixaba. Elas ficam, muitas vezes, relegadas ao queixo em lugares fechados. Mas a exigência do uso de máscaras, cobrindo boca e nariz, continua.
A coluna também apurou que estão em andamento algumas propostas, cujo martelo vai ser batido após a rodada de conversas desta semana:
  • Manutenção do modelo atual de classificação de risco dos municípios (critérios para definir quem está em risco baixo, moderado, alto e extremo), com exigência, não apenas recomendação, de comprovante de vacinação para acesso a bares e restaurantes e exigência de teste negativo para entrada em shows e eventos;
  • Mudança na matriz de risco, com a adoção de critérios que elevariam o número de municípios em risco moderado, mas sem alterar as medidas que devem ser adotadas nesta classificação. Shows e grandes eventos já são proibidos em cidades em risco moderado, por exemplo;
  • Alterar os critérios, elevando o número de municípios em risco moderado e ainda adotar medidas mais rígidas quando esse risco for atingido.
Erick Musso defendeu que a aposta deve ser na ampliação da vacinação, não na adoção de restrições. Exigir comprovante para acessar bares e restaurantes seria um bom incentivo. Afinal, as vacinas estão disponíveis, algumas pessoas é que ainda não completaram o esquema vacinal – com duas ou três doses.
Mas apenas a vacinação pode não dar conta de segurar os casos provocados pela variante ômicron, que é mais contagiosa. 
A maioria dos vacinados tem apenas sintomas leves, mas como o número de casos é muito alto, o número absoluto de internados, ainda que represente um percentual pequeno do total, pressiona o sistema de saúde. 
E isso também vale para o aumento da demanda por testes, que têm sobrecarregado, inclusive, o setor privado.

VACINAÇÃO

No vídeo em que se coloca ao lado do setor empresarial e contra medidas de restrição para conter a nova onda de Covid-19, o presidente da Assembleia Legislativa critica o que considera a queda no ritmo de vacinação no Espírito Santo: "O Espírito Santo já foi terceiro lugar em vacinação no país e hoje está perdendo essa corrida por falta de planejamento, de eficiência, de eficácia". 
Alguns estados reduziram o intervalo entre a primeira e a segunda doses, acelerando, no final do ano passado, o número de pessoas com esquema vacinal completo. O Espírito Santo manteve as oito semanas de intervalo entre as doses da Pfizer e da Astrazeneca, o que pode ter impactado o ranking.
Voltando às possíveis novas medidas de restrição, o fato é que a pressão para que elas não ocorram não parte apenas de Erick Musso. Ele apenas deu voz, tentando capitalizar politicamente, a uma demanda de empresários.
Os do setor de eventos e shows devem ser os mais afetados, se as conversas evoluírem esta semana. 
Eleitores, empresários ou não, no entanto, também têm suas próprias "opiniões", aqui grafadas entre aspas porque agora tudo é "opinião" – "dois mais dois são cinco! Minha opinião". 
O governador Casagrande, embora não verbalize isso, é pré-candidato à reeleição. Resta saber a quais pressões vai se dobrar, considerando o momento sensível, do ponto de vista da saúde pública e também eleitoral.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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