Helder Salomão: "Se eu for o candidato do Lula, disputo o governo do ES em 2026"
Palácio Anchieta
Helder Salomão: "Se eu for o candidato do Lula, disputo o governo do ES em 2026"
Petista foi o deputado federal mais votado do Espírito Santo em 2022 e diz que "a princípio" é candidato à reeleição, mas isso pode mudar
Publicado em 24 de Fevereiro de 2025 às 08:47
Públicado em
24 fev 2025 às 08:47
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
O deputado federal Helder SalomãoCrédito: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
O deputado federal Helder Salomão (PT) foi o deputado federal mais votado do Espírito Santo em 2022, escolhido por 120.337 eleitores. O resultado do petista, num estado mais simpático ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) que ao presidente Lula (PT), chamou a atenção.
Ex-prefeito de Cariacica, com mandatos bem avaliados no Executivo municipal, Helder passou a ser um ativo do partido.
Dirigentes do PT, entretanto, sempre avaliaram que o desempenho da sigla nas urnas estaria diretamente ligado à avaliação do governo federal. Se Lula estivesse bem, isso beneficiaria diretamente candidatos do partido em 2024 e 2026.
O presidente da República não está bem avaliado e o PT não elegeu nenhum prefeito no estado no ano passado. Mas Helder Salomão está otimista.
Tanto que diz ser, a princípio, candidato à reeleição, mas está disposto a encarar a corrida pelo Palácio Anchieta em 2026, "se Lula precisar de um palanque competitivo no estado".
"Se eu for o candidato do Lula no Espírito Santo, aí disputo a eleição para o governo do estado", afirmou o deputado à coluna.
Em 2024, Helder fez campanha para Célia Tavares (PT) em Cariacica, numa tentativa infrutífera de vencer o favorito Euclério Sampaio (MDB). Euclério foi reeleito com expressivos 88,41% dos votos.
Aliás, o prefeito de Cariacica é um dos possíveis candidatos ao Palácio Anchieta a ser apoiado pelo grupo do governador Renato Casagrande (PSB).
O PT também faz parte da base aliada ao socialista, mas um nome da sigla nem é cogitado como possível candidato ao governo.
Ricardo, apesar de integrar um partido aliado ao governo Lula, não tem o perfil de quem faria campanha, de verdade, para Lula ou outro candidato do PT à Presidência da República. O vice-governador é um político de centro-direita.
Nem Casagrande, que é do PSB do vice-presidente Geraldo Alckmin, fez, de fato, palanque para Lula em 2022.
Se dependesse dos eleitores do Espírito Santo, Bolsonaro teria sido reeleito ainda no primeiro turno naquele ano, com 52,23% dos votos.
Assim, pragmaticamente falando, pouca gente quer se associar ao PT no estado.
Não quer dizer que o partido não tenha resultados, por exemplo, no parlamento, como a eleição de Helder e de Jack Rocha para a Câmara dos Deputados provou.
O deputado federal fez declarações otimistas à coluna. Ele avalia que Lula vai terminar o terceiro mandato bem avaliado, que as realizações de 2025 vão equilibrar a balança favoravelmente ao governo. Helder aposta, por exemplo, na isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. "Quero ver quem vai ter coragem de votar contra", provocou.
Mas na disputa majoritária, para cargos como o de governador e senador, o cenário é mais desafiador.
E mesmo assim Helder coloca-se à disposição. Para o governo, não para o Senado.
"O candidato ao Senado é Contarato", cravou o deputado.
Contarato chegou a lançar pré-candidatura ao Palácio Anchieta em 2022, mas o PT recuou da intenção para apoiar Casagrande.
Isso deixa o campo aberto para Helder, dentro do PT.
A coluna não conseguiu contato com Jack Rocha, presidente estadual do partido, mas, pelo contexto atual, já é possível prever que uma eventual candidatura do Partido dos Trabalhadores ao governo do Espírito Santo seria como "ir para o sacrifício", como se diz de alguém que topa uma empreitada mais pela causa que pelas chances de vitória.
A causa, no caso, seria garantir um palanque para Lula e dar visibilidade à legenda, o que poderia ajudar na eleição de deputados federais e estaduais.
Se isso se confirmar, haveria um racha, ao menos formal, na aliança casagradista.
O grupo do governador Renato Casagrande teria um candidato, Ricardo Ferraço, talvez, e o PT, que integra a base governista, teria outro.
Por mais que a divisão possa transmitir uma ideia de fragilidade, pragmaticamente falando isso poderia até ser bom para os palacianos.
Com o PT em outro palanque, o candidato a ser apoiado por Casagrande poderia negar proximidade com o Partido dos Trabalhadores, sempre demonizado pela direita, e atrair eleitores de centro-direita, espectro que saiu vencedor do pleito municipal de 2024.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.