O governador criticou o uso político-eleitoral do episódio e elogiou a atuação das polícias. Manato afirmou que "a criminalidade está fora de controle".
Casagrande foi o primeiro a aparecer na TV no horário eleitoral e, certamente antecipando-se a críticas das quais certamente seria alvo, trouxe o assunto à baila.
Ciente de que precisa de votos dos eleitores conservadores, calibrou o discurso:
"O primeiro aviso é para a bandidagem. Qualquer tentativa de intimidação à nossa população e às forças de segurança será combatida imediatamente, de forma dura e eficaz".
"O outro recado é para lideranças políticas que, em vez de ajudarem a população, estão usando o fato para aproveitamento eleitoral. É vergonhoso, é desrespeitoso. São verdadeiros abutres, capazes de tudo para conseguir votos", disparou.
"Só existe retaliação a governo que combate o crime. Governo de verdade não convive amigavelmente com o crime organizado. No que depender de mim como governador, não deixaremos que as milícias tenham vez no Espírito Santo", complementou, dirigindo-se à população.
Não foi à toa que o candidato do PSB usou a palavra "milícias".
Na tela, apareceram imagens do criminoso morto pela polícia, que desencadeou o ataque aos ônibus, e do traficante para o qual ele fazia segurança. Também apareceram veículos incendiados.
O narrador destacou que, em menos de 24 horas, 15 pessoas envolvidas já haviam sido presas, graças à agilidade e eficiência das polícias.
"Muito diferente do que acontecia em nosso estado algumas décadas atrás."
Foi exibido também um depoimento de Luiz Eduardo Soares, coautor de Elite da Tropa e ex-secretário nacional de Segurança. "Fiquei horrorizado", afirmou, sobre a associação de Manato à Lecoq, "que foi o berço da milícias" no Rio de Janeiro.
O ex-deputado federal já afirmou e repetiu que, formalmente, foi filiado à Le Cocq, à qual chegou a partir da participação em uma entidade filantrópica ligada a militares, mas nunca teve envolvimento em ações criminosas. "Eu não tenho processo nenhum", ressaltou.
Ainda na propaganda de Casagrande, o ex-secretário de Segurança Pública coronel Alexandre Ramalho apareceu na tela.
Ramalho integrou o primeiro escalão de Casagrande, deixou o posto para ser candidato a deputado federal pelo Podemos. Não foi eleito.
Coronel Ramalho na propaganda eleitoral de Renato CasagrandeCrédito: Reprodução
"O Renato puxa a pauta da segurança pública para o seu gabinete", afirmou Ramalho, que destacou a queda na taxa de homicídios no estado nos últimos anos.
Uma novidade foi a exibição de um vídeo de apoio do ex-prefeito de Vitória João Coser e da vereadora de Vitória Karla Coser, ambos do PT.
Coser, o pai, até foi apresentado como deputado estadual. Ele foi eleito para a Assembleia Legislativa, mas toma posse apenas no ano que vem.
"FORA DE CONTROLE"
"A criminalidade aqui no estado está fora de controle e tudo que o Casagrande fala em relação à segurança se comprova como mentira", afirmou o narrador da propaganda de Manato, enquanto eram exibidas imagens dos ônibus incendiados na última terça.
Depois, apareceu o candidato do PL na TV, que repetiu as mesmas palavras.
A peça de propaganda comparou as taxas de homicídio dos estados do Sudeste e mostrou que o Espírito Santo lidera nesse ranking. "O Espírito Santo é mais violento que o Rio de Janeiro", pontuou o narrador.
Para Manato, isso ocorre porque "Casagrande não fez a reposição de efetivo (das polícias). Sobrecarrega a tropa com baixos salários e sem motivação". Sem motivação, não é possível ter entrega de trabalho", afirmou o ex-deputado federal.
Também frisou que o estado é o pior em resolução de crimes no país.
"Temos solução para a segurança", anunciou o candidato do PL.
"Vamos aumentar o efetivo, vamos valorizar o policial e garantir a segurança para as famílias capixabas", prometeu.
Entre as medidas, a propaganda disse que Manato vai reajustar a folha salarial dos policiais e dos servidores do sistema prisional. Não cravou o percentual de aumento.
Se eleito, Manato também diz que vai integrar as polícias, ampliar as delegacias de combate à violência doméstica e criar uma tropa para atuar nas divisas do estado.
"Com Bolsonaro lá e Manato aqui a criminalidade não tem vez", afirmou o candidato do PL local.
O slogan de campanha dele já mudou, como a coluna antecipou. Agora é "O governador do Bolsonaro".
Um vídeo em que o presidente da República pede votos para Manato, a quem chama de Manatinho, foi exibido.
No dia dos ataques, Manato republicou, nas redes sociais, um vídeo do senador eleito Magno Malta (PL) e endossou um pedido para que o governador solicitasse ao Ministério da Justiça, ou seja, ao governo Bolsonaro, o envio da Força Nacional para o estado.
Aliados de Casagrande apontaram que a proposta era um desrespeito às polícias locais, como se elas fossem incapazes de controlar a situação sozinhas.
No horário eleitoral, Manato não mencionou essa questão de Força Nacional.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.