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"Follow the Money"

Juiz do ES preso em operação teve nomeação anulada, mas voltou ao cargo

TJES anulou, no final do ano passado, a nomeação de Bruno Fritoli como magistrado. Mas o CNJ, recentemente, o reconduziu às funções. Veja o que pode acontecer agora

Publicado em 01 de Agosto de 2024 às 10:42

Públicado em 

01 ago 2024 às 10:42
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

CNJ
Conselho Nacional de Justiça, em Brasília, anulou decisão do TJES e reconduziu Bruno Fritoli à magistratura Crédito: Reprodução
O juiz Bruno Fritoli está entre os presos da Operação Follow the Money, do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), deflagrada nesta quinta-feira (1º), como revelou a colunista Vilmara Fernandes. Fritoli é juiz substituto desde 2015, tomou posse e permaneceu na função por força de decisões liminares (temporárias), mas teve a vitaliciedade no cargo reconhecida em 2017.
A nomeação dele chegou a ser anulada pelo Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), em novembro de 2023, mas, no último dia 5 de julho, o juiz obteve uma decisão favorável do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), expedida pelo corregedor nacional, Luis Felipe Salomão.
Fritoli alega que houve violação ao edital do concurso que prestou para a magistratura, em relação à correção da prova oral, e ingressou com uma ação na Justiça Federal contra a empresa organizadora do certame.
O CNJ anulou a decisão do TJES e determinou que a Corte estadual aguarde o julgamento definitivo do processo. Assim, ele foi reconduzido ao cargo.
Bruno Fritoli atuou em Ecoporanga e Barra de São Francisco. Após a decisão do Conselho Nacional de Justiça, ele foi lotado em uma comarca no Sul do Espírito Santo.
A operação que levou à prisão preventiva do juiz, nesta quinta, nada tem a ver com as regras do concurso público ao qual ele se submeteu.
Mas, na prática, é mais um revés na carreira do magistrado. O afastamento dele das funções também foi determinado no âmbito da Follow the Money.
A operação, realizada pela Procuradoria-Geral de Justiça e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), tem como alvos "agentes públicos e particulares envolvidos em possíveis delitos de organização criminosa, lavagem de capitais, corrupção ativa, corrupção passiva, fraude processual e falsidade documental", como registra nota enviada à imprensa pelo MPES.
"As investigações colheram evidências contundentes do envolvimento de agentes públicos, advogados e particulares em ações judiciais simuladas a partir de documentação falsa, direcionamento da distribuição dos processos e emissão indevida de alvarás, com indícios de recebimento de vantagem indevida e lavagem de ativos."
Os mandados foram expedidos pelo desembargador Sérgio Ricardo de Souza, do TJES. 
Em nota enviada à imprensa, a defesa de Bruno Fritoli afirmou que ele sempre atuou "com lisura e responsabilidade":
"Os advogados Rafael Lima, Larah Brahim e Mariah Sartório, responsáveis pela defesa do juiz Bruno Fritoli, aguardam decisão do pleno do egrégio Tribunal de Justiça, que pode ou não ratificar a decisão do juiz desembargador relator. Bruno Fritoli atua como magistrado há quase uma década, sempre atuando com lisura e responsabilidade. Confiantes da índole de Bruno durante sua carreira no judiciário, seguirão acompanhando o desenrolar do caso e atuando, com os instrumentos da lei, pela sua inocência".
O fato de o juiz ter sido preso preventivamente não significa que ele foi condenado pelos crimes elencados pelo MPES. Até porque nem houve julgamento ainda.
A prisão preventiva é decretada, por exemplo, para impedir que o investigado atrapalhe as investigações, que ameace testemunhas etc.
AFASTAMENTO
Mas agora, devido à decisão do CNJ, temos um juiz preso que estava em plena atividade. 
Obviamente, não é possível que ele atue de dentro da cela localizada no Quartel do Comando-Geral da Polícia Militar, em Vitória, para onde foi levado.
Por isso, o desembargador relator determinou o afastamento do magistrado do cargo. O mesmo ocorreu em relação a Maurício Camatta. 
Na tarde desta quinta, o Pleno do TJES referendou, à unanimidade, o afastamento dos dois, assim como a prisão de Fritoli.
Quanto ao procedimento que tramita no CNJ, o prazo para o Tribunal de Justiça do Espírito Santo recorrer contra o posicionamento do ministro Luís Felipe Salomão começou a contar, justamente, nesta quinta-feira.
A coluna apurou que a Corte pretende recorrer para que o corregedor nacional reconsidere a decisão ou que o plenário do Conselho o faça.
Essa questão, entretanto, refere-se apenas ao imbróglio quanto ao concurso público no qual o juiz foi (ou não) aprovado.
Paralelamente, a Corregedoria do TJES pode abrir um procedimento devido à Follow the Money e pedir a instauração de Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra Bruno Fritoli.
Se os desembargadores do TJES concordarem, o magistrado deve responder ao PAD e sofrer mais uma decisão de afastamento do cargo enquanto isso.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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