Justiça manda Thor, o pagodeiro do amor, indenizar Armandinho Fontoura
Sentença
Justiça manda Thor, o pagodeiro do amor, indenizar Armandinho Fontoura
Wanderley da Silva Ferreira é também conhecido como Thor do Império. Já o vereador de Vitória responde a um processo de cassação na Câmara e está preso preventivamente
Publicado em 19 de Maio de 2023 às 19:23
Públicado em
19 mai 2023 às 19:23
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Vereador de Vitória Armandinho Fontoura (Podemos)Crédito: Câmara de Vitória
A juíza Giselle Onigkeit, da 9ª Vara Cível de Vitória, determinou, em sentença assinada na última quarta-feira (17), que o músico e ativista social Wanderley da Silva Ferreira, conhecido como Thor, o pagodeiro do amor, ou Thor do Império, indenize o vereador afastado de Vitória Armandinho Fontoura (sem partido).
Thor, pela decisão, tem que pagar R$ 5 mil, por danos morais, e excluir publicações de redes sociais. Ele pode recorrer. E pretende fazê-lo.
"O réu atribui ao autor os adjetivos de 'moleque, psicopata, verme rastejante, fanfarrão, playboy, meliante, delinquente, criminoso em potencial, pilantra' (...) o chama de 'porqueira' e afirma que 'ele não é homem'", registrou a magistrada, ao descrever, na sentença, os vídeos publicados por Thor que levaram Armandinho a acionar o Judiciário.
"Em síntese, o autor narrou que é vereador no município de Vitória e que o réu, por intermédio de suas redes sociais, passou a acusá-lo de nepotismo, bem como proferiu diversas ofensas a ele", diz o texto.
A juíza entendeu que o réu incorreu no artigo 186 do Código Civil: "Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito".
Thor, ainda de acordo com a sentença, foi citado, mas não compareceu à audiência de conciliação e não apresentou defesa.
À coluna, nesta sexta-feira (19), ele afirmou desconhecer a decisão: "Estou surpreso, não sabia dessa decisão. Mas vou recorrer. Quem tinha que me indenizar é ele".
Arquivos & Anexos
A íntegra da sentença da 9ª Vara Cível de Vitória que condena Thor, o pagodeiro do amor, a indenizar Armandinho
Este processo é público. Aqui, você pode ler a decisão completa
Da galeria da Casa, espaço destinado à população, Thor gritou com os vereadores e foi acusado de ameaçar Armandinho, dizer que "pegaria" o parlamentar "lá fora". Ele nega, diz que apenas fez críticas e foi alvo de abuso de autoridade.
Aliás, esse episódio de 2021 é narrado na representação por quebra de decoro parlamentar contra Armandinho na Câmara de Vitória. A peça, que pede a cassação do mandato, diz que Armandinho injuriou, difamou Thor, "com palavras que ofendem sua honra e dignidade pessoal, o fazendo passar por atos vexatórios, colocando-o dentro de uma viatura da Guarda Municipal".
Esse trecho é de uma ação indenizatória proposta por Thor contra Armandinho, que tramita no 1º Juizado Especial Cível de Vitória.
"É um ex-presidiário, que já foi condenado por homicídio, e foi na sessão querendo me intimidar. Eu já estava representando contra ele por um vídeo de ameaça contra a minha pessoa, que foi publicado nas redes sociais dele. Ele se aproveitou de uma discussão mais acalorada entre os vereadores para fazer ofensas contra mim. Pedi a retirada dele, pelos seguranças da Câmara, mas ele continuou me ofendendo, dizendo que eu não sabia com quem estava lidando e que me pegaria lá fora", contou Armandinho, ainda em junho de 2021, à reportagem de A Gazeta.
"E ele? Que me chamou de vagabundo?", rebateu Thor, nesta sexta.
"Eu até defendi ele, sou contra a cassação do mandato, fui usado nessa representação (pelo fato de o entrevero entre os dois ter sido citado na peça). Só quem pode cassar um mandato é o povo, mas ele (Armandinho) me ofendeu e quero ser indenizado", complementou.
Ele é acusado, pelo Ministério Público Estadual, de integrar uma "milícia digital privada" com o objetivo de atacar autoridades da República e desestabilizar o sistema democrático.
Desde 1º de janeiro de 2023, está afastado do mandato.
Thor, por sua vez, foi condenado a 25 anos de prisão pelo assassinato do diretor social do Clube Náutico Brasil, José Carlos Preciosa, em junho de 1993. Recebeu alvará de soltura em março de 2017.
"Foi um erro isso. Meu processo transitou em julgado em 2010 e a Lei da Ficha Limpa determina a inelegibilidade por oito anos. Já cumpri o prazo", argumentou.
ACORDO
Neste sábado (20), Thor entrou em contato com a coluna e afirmou que vai fazer um acordo com a defesa de Armandinho. A ideia é que a ação que o vereador moveu contra ele seja extinta – assim, Wanderley da Silva Ferreira não teria que pagar a indenização nem precisaria recorrer contra a sentença da 9ª Vara Cível de Vitória.
Em contrapartida, Thor desistiria da ação indenizatória que moveu contra o vereador no 1º Juizado Especial Cível de Vitória.
Ele voltou a ressaltar que não é favorável à cassação do mandato do parlamentar: "Não autorizei nenhum munícipe a usar minhas documentações e me colocar como parâmetro para requerer uma cassação contra Armando Fontoura, não fui contatado para nada".
O QUE DIZ A DEFESA DE ARMANDINHO
"O que mais chama atenção neste caso é que a prisão do ativista (em 2021) foi exatamente um dos argumentos que foram alegados na representação protocolada perante a Corregedoria da Câmara de Vitória pedindo a cassação contra o vereador Armandinho Fontoura, acusando-o de quebra de decoro parlamentar", destacou o advogado de Armandinho, Carlos Zaganelli, que atua na ação que tramita na 9ª Vara Cível.
"Com esta vitória, o vereador prova que tinha razão nas medidas adotadas naquele dia da ocorrência e que, por isso, não pode ser representado com base nesta situação", avaliou Zaganelli.
A defesa do parlamentar no processo de cassação, capitaneada pelo advogado Fernando Dilen, pode usar esse argumento. Mas vai precisar convencer os corregedores. A relatora do caso é a vereadora Karla Coser (PT).
Quanto ao acordo mencionado por Thor, o pagodeiro do amor, para "zerar" as ações por danos morais de parte a parte, Zaganelli afirmou que está fora do país, em viagem a trabalho e, depois que retornar a Vitória, no dia 25, vai tratar do assunto com Armandinho para ver se o vereador afastado aceita a proposta.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.