Lula no celular e prefeitos ausentes: os bastidores da posse de Casagrande
Curtas políticas
Lula no celular e prefeitos ausentes: os bastidores da posse de Casagrande
Secretários do socialista viram, pela internet, cerimônia do petista em Brasília. Veja mais notas
Publicado em 02 de Janeiro de 2023 às 09:43
Públicado em
02 jan 2023 às 09:43
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Renato Casagrande é reconduzido ao cargo de governador do Espírito Santo no Palácio AnchietaCrédito: Carlos Alberto Silva
O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), reeleito, tomou posse na tarde deste domingo (1º) na Assembleia Legislativa e, em seguida, foi reconduzido ao cargo no Palácio Anchieta.
O salão São Tiago ficou lotado. Faltou lugar até para os secretários que compõem o primeiro escalão. Eles pegaram cadeiras destinadas à imprensa para não ficar em pé. Alguns não resistiram e deram uma olhada em outra cerimônia.
Casagrande não foi à posse de Lula, uma vez que, no mesmo horário, também tomava posse. Aliás, entre os governadores do Sudeste, apenas o socialista foi reconduzido ao cargo à tarde. Mas só o bolsonarista Cláudio Castro (PL), do Rio de Janeiro, prestigiou o novo presidente da República.
Petistas locais, como o deputado estadual eleito João Coser e a deputada estadual reeleita Iriny Lopes, ficaram no estado e cumprimentaram o governador capixaba.
A deputada eleita Camila Valadão (PSOL), por sua vez, foi em caravana, de ônibus, a Brasília para festejar a volta de Lula ao poder.
AUSÊNCIAS
O prefeito de Cachoeiro de Itapemirim, Victor Coelho (PSB), que preside a Associação dos Municípios do Espírito Santo (Amunes), marcou presença na Assembleia e no Palácio.
O prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), não compareceu. Ele é adversário político do governador. A vice-prefeita da cidade, Capitã Estéfane (Patriota), que apoiou Casagrande no segundo turno, foi lá.
Prefeitos aliados, como Euclério Sampaio (União Brasil), de Cariacica; Arnaldinho Borgo (Podemos), de Vila Velha, e Sérgio Vidigal (PDT), da Serra, foram ausências sentidas.
A FAIXA
Renato Casagrande recebe a faixa das mãos da chefe do cerimonial do Palácio Anchieta, Stella MirandaCrédito: Carlos Alberto Silva
Como o governador foi reconduzido, não houve passagem da faixa do antecessor para o atual chefe do Executivo. Mas a faixa apareceu, foi colocada em Casagrande pela chefe do cerimonial do Palácio Anchieta, Stella Miranda.
Antes, na Assembleia Legislativa, o vice-governador Ricardo Ferraço (PSDB) também ganhou uma faixa, das mãos do presidente da Casa, Erick Musso (Republicanos). "O governador não está com ciúmes porque ele já recebeu (a faixa), quatro anos atrás", brincou Erick.
"Tô de olho, hein", respondeu Casagrande. Ricardo é especulado, desde já, como possível candidato à sucessão do chefe do Poder Executivo em 2026.
CORDIALIDADE
Renato Casagrande mostra o termo de posse assinado. Ao lado dele, Erick Musso sorriCrédito: Fernando Madeira
Aliás, Erick Musso chegou a ensaiar disputar o governo. Concorreu ao Senado contra Rose de Freitas (MDB), que foi apoiada pelo socialista. Nenhum dos dois foi eleito e sim Magno Malta (PL).
De qualquer forma, Erick e Casagrande são politicamente distantes. Na cerimônia de posse, entretanto, o clima entre os dois foi bastante amistoso. Lado a lado, eles trocaram comentários e sorrisos.
Erick Musso coloca a faixa no vice-governador Ricardo Ferraço, que também foi empossado no cargo na AssembleiaCrédito: Fernando Madeira
PRA QUEM VOCÊ TIRA O CHAPÉU?
O deputado estadual eleito Pablo Muribeca (Patriota) mostrou que, realmente, tem uma indumentária curiosa.
Assim como na diplomação no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-ES), ele usou um chapéu na cerimônia de posse. E o tirou apenas durante a execução do Hino Nacional.
POVO TRADICIONAL
No Palácio Anchieta, líderes religiosos discursaram. O pastor Diego Bravim, da Convenção Batista do estado, foi o primeiro, seguido do arcebispo da Arquidiocese de Vitória, da Igreja Católica, dom Dario Campos. É o que estava no protocolo.
Logo depois, seria a vez de o governador se dirigir à plateia. Ele foi chamado pelo mestre de cerimônias e até levantou da cadeira. Mas a Mãe Yara, sacerdotisa de Umbanda e presidente do Tucanafro-ES, um secretariado do PSDB, pediu a palavra, que foi concedida.
"Não somos macumbeiros. Macumba é um instrumento musical", explicou. "Somos um povo tradicional e o governador nos respeita. A luta contra o ódio tem que ser constante", discursou Mãe Yara.
O pastor e o arcebispo já haviam feito preces, acompanhados pela plateia em um Pai Nosso. A representante da Umbanda pediu bênçãos a Oxalá que, no sincretismo religioso, é Jesus.
Em um exemplo de tolerância religiosa, Mãe Yara destacou que, durante o governo, sempre foi recebida de forma amistosa pela então vice-governadora Jacqueline Moraes (PSB), que é evangélica.
Casagrande é reconduzido ao cargo de governador do ES
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.