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Eleições 2024

Magno Malta: "A polarização ocorrerá em todo o país, não só em Vila Velha"

Presidente estadual do PL, senador aposta na nacionalização de um pleito que, via de regra, trata de temas locais: "Ramalho vai ter Bolsonaro como cabo eleitoral"

Publicado em 27 de Março de 2024 às 09:00

Públicado em 

27 mar 2024 às 09:00
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Magno Malta durante discurso no plenário do Senado Federal
Magno Malta durante discurso no plenário do Senado Federal Crédito: Pedro França/Agência Senado
Presidente do PL no Espírito Santo, o senador Magno Malta aposta que a eleição municipal de 2024 vai ecoar a divisão política e ideológica de 2022. Via de regra, na hora de escolher prefeito e vereadores, eleitores pensam em questões relativas ao cotidiano, como o calçamento de ruas e o atendimento que recebem ao utilizar serviços públicos.
Para quem transita nos extremos, entretanto, instigar a luta do "bem contra o mal" — difícil identificar quem é "o bem" nesta história —, é um bom negócio. O eleitor que se deixa fisgar por esse discurso tende a ignorar dados da realidade e embarcar na onda do candidato que utiliza a tática.
Não é à toa que Magno, questionado pela coluna, cravou: "A polarização ocorrerá em todo o país, não apenas no Espírito Santo, em Vila Velha".
"O Partido Liberal emerge como uma força significativa, com cidadãos expressando suas opiniões nas ruas sobre uma variedade de assuntos, inclusive questões de costumes", pontuou o senador.
Mas o que prefeitos podem fazer em relação a "questões de costumes"? "Questões como aborto, ideologia de gênero", exemplicou Magno.
São temas a serem debatidos no Congresso Nacional, ou no Supremo Tribunal Federal, quando a política "liberal" começa a oprimir outras pessoas.
Mas, como já mencionado, se ignorar os dados da realidade, o eleitor pode avaliar que o melhor candidato para comandar o Executivo municipal é o que trata desses tópicos.
"Esta divisão ideológica que permeia o país se refletirá como um diferencial entre a direita, representada pelo PL, e a esquerda, juntamente com seus aliados", analisou o senador do Espírito Santo.
Ou seja, o "nós contra eles", sem espaço para meios-termos ou para a análise do mérito de problemas concretos que não se enquadrem nessa divisão.
Outro assunto sensível é a "segurança", também citada pelo senador.
Entre as cidades da Grande Vitória, a que tem mais chances de ter o pleito municipal afetado pela polarização, ou extremização, é Vila Velha.
Pode ser que esse fenômeno não se concretize. Mas Magno e o pré-candidato do PL a prefeito, o ex-secretário estadual de Segurança Pública Coronel Ramalho, atuam para que ele ocorra.
"Além do meu apoio, ele (Ramalho) contará com o ex-presidente Bolsonaro como cabo eleitoral"
Magno Malta - Senador e presidente do PL-ES
Até o mês passado, o militar da reserva da Polícia Militar integrava o Podemos, partido aliado a Casagrande. No último dia 19, o ex-secretário se filiou à sigla do ex-presidente da República e passou a atrelar recorrentemente a própria imagem à do ex-mandatário.
Não foi uma guinada ideológica, já que Ramalho ao menos tinha perfil de centro-direita. Mas, certamente, a coisa se intensificou, uma vez que de "centro" Jair Bolsonaro não tem nada (a não ser o longo tempo que passou como deputado federal filiado a partidos do Centrão).
O principal adversário de Ramalho é o atual chefe do Executivo canela-verde, Arnaldinho Borgo (Podemos). O prefeito é um político de centro-direita, mas não abraça o bolsonarismo radical.
Em 2020, foi eleito também pelo Podemos. Na campanha, destacou ter sido tenente do Exército e, durante o mandato, comprou fuzis para a Guarda Municipal — até publicou vídeo no Instagram atirando com uma das armas — , e implantou escolas cívico-militares na cidade.
Mas, até por ser aliado de Casagrande, não é próximo do PL. Muitos dos filiados à sigla que exercem mandatos fazem oposição ao governador.
Arnaldinho não perde a oportunidade de aparecer ao lado do chefe do Executivo estadual e conta com o apoio declarado dele na corrida pela reeleição.
Ramalho, que até pouco tempo integrava o primeiro escalão do governo do socialista, disse à coluna que a ida para o PL não significa que passou a se opor ao ex-chefe:
"Tenho gratidão e (se eleito prefeito) teria uma relação institucional (com Casagrande). Todos os municípios precisam ter relações institucionais com os governos estadual e federal. Eu jamais provocaria brigas, atritos ou ranhuras".
Mas algo não se encaixa aí.
A ideia do PL é carimbar a palavra "inimigo" em qualquer um que não seja bolsonarista. Magno prega isso frequentemente em discursos, apelando à raiva e ao medo da plateia em relação ao "outro", que, segundo o senador ensina, não é adversário, mas inimigo mesmo.
Como explicar então que, até o final de janeiro, "o candidato de Bolsonaro" em Vila Velha integrava o governo do "esquerdista PSB"?
A verdade é que o governo Casagrande é composto por partidos e pessoas da esquerda à centro-direita.
Apelar aos extremos, aos bolsonaristas radicais ou aos anti-bolsonaristas radicais, signfica interditar o debate ou torná-lo raso.
Dois podem jogar esse jogo. O presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT), embora de forma mais moderada, também não acha ruim a dinâmica do "lado A x lado B".
Se "o outro lado" está reforçado, é mais um motivo para que até quem não tem simpatia pelo PT se alie ao homem que tem forças para impedir o avanço da extrema-direita. É esse o argumento defendido, nem sempre de forma sutil.
SERÁ?
A questão central é se isso vai ou não impactar as eleições municipais. Magno Malta aposta que sim porque é a estratégia que, se vingar, mais o fortalece e ao seu grupo político.
Entre aliados de Arnaldinho, alguns avaliam que os eleitores de Vila Velha não vão embarcar na onda. Creem que os feitos da gestão municipal, turbinados por obras realizas pelo governo Casagrande na cidade, vão falar mais alto.
Outros consideram que, embora o atual prefeito esteja em vantagem, o desenrolar de eventos da política nacional podem ser determinantes.
"Se Bolsonaro for preso, por exemplo, isso acirraria os ânimos. Seria algo que fortaleceria ou enfraqueceria um candidato identificado com o bolsonarismo? É algo que temos que esperar para ver", avaliou um político canela-verde.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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