Magno Malta proíbe PL de coligar com quase todo mundo no ES
Eleições 2024
Magno Malta proíbe PL de coligar com quase todo mundo no ES
Presidente estadual da sigla considera PP e Republicanos partidos de "esquerda". É a oficialização do discurso contra a "direitinha". Nos bastidores, até correligionários questionam as intenções do senador
Publicado em 09 de Agosto de 2024 às 15:53
Públicado em
09 ago 2024 às 15:53
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
O senador Magno Malta, presidente estadual do PLCrédito: Divulgação/PL
A dois meses das eleições de 2024, o senador Magno Malta, presidente estadual do PL, proibiu que o partido faça coligações com quase todas as demais siglas. Ofício assinado por Magno na quinta-feira (8) diz o seguinte:
"Fica vedada a participação do Partido Liberal (PL), em coligações para as eleições majoritárias com a Federação Brasil da Esperança (PT, PC do B e PV), Federação PSOL-REDE; PSB, PP, REPUBLICANOS, UNIAO BRASIL, PSD, PRD, PODEMOS, e demais agremiações partidárias de espectro político à esquerda em todo território estadual nas eleições de 2024".
Ou seja, além da vedação, o senador considera que até PP e Republicanos são partidos "de espectro político à esquerda". Em 2022, esses dois foram os únicos a coligar com o PL na tentativa de reeleger o então presidente da República, Jair Bolsonaro (PL).
Atualmente, Progressistas e Republicanos têm ministérios no governo Lula (PT), mas nem todos os mandatários e/ou filiados apoiam a gestão petista.
Outra curiosidade é que o Podemos também entrou no rol de "esquerdistas" listado por Magno", mas, em Vitória, por exemplo, o partido não vai apoiar nenhum candidato a prefeito. Os candidatos a vereador do Podemos dividem-se entre os nomes postos.
Mas o Podemos preferiu não coligar com ninguém a se associar ao Partido dos Trabalhadores e ser alvo de ataques de antipetistas. O objetivo é preservar a imagem de partido de centro-direita no estado. Bem, para Magno Malta, esse barco já zarpou.
Se em algum município o PL decidiu, em convenção, apoiar um candidato a prefeito que tem aliança com algum dos partidos citados no ofício, a Executiva estadual, comandada por Magno Malta, pode cancelar o acordo.
O mesmo vale para candidatos do próprio PL que aceitaram coligar com as siglas banidas.
O texto diz isso expressamente:
"A Comissão Executiva Estadual do Partido Liberal poderá, a qualquer tempo, no interesse partidário e nos termos do estatuto partidário, assim como na legislação vigente que rege a matéria, intervir e/ou promover a dissolução de comissões executivas municipais, podendo ainda, revogar resoluções, cancelar candidaturas e anular convenções municipais que tratem sobre a condução do processo eleitoral de 2024 que contrariem as diretrizes."
Só que ofício que, formalmente, estabelece as diretrizes foi assinado por Magno em 8 de agosto. O prazo para realização de convenções partidárias terminou no último dia 5.
Em alguns casos, os convencionais (filiados com direito a voto nessas reuniões) decidiram delegar à Executiva municipal a definição sobre o destino do partido. O martelo tem que ser batido, no máximo, em 15 de agosto, data limite para o registro de candidaturas na Justiça Eleitoral.
"Ressaltamos a importância do cumprimento da diretriz estabelecida pela Comissão Executiva Estadual diante da importância do cenário político do país", reforça o texto assinado por Magno.
"NÃO DEVERIA CAUSAR SURPRESA"
Em nota enviada à coluna na tarde desta sexta-feira (9), Magno afirmou que o documento assinado por ele foi encaminhado "recentemente" aos diretórios municipais do PL pelo vice-presidente estadual do partido, Carlos Salvador, e que isso "não deveria causar surpresa a ninguém".
"Desde o ano passado, tenho sido enfático ao afirmar que não faremos alianças com partidos de esquerda, nem com aqueles que, embora se identifiquem como de direita, possuam vínculos que possam comprometer nossa identidade e nossos princípios (...) não houve alteração na conduta do partido", reforçou o senador, na nota.
O ÚNICO PREFEITO
Mas isso deve afetar costuras, por exemplo, em São Gabriel da Palha, a única cidade do Espírito Santo em que o PL tem, hoje, um prefeito. Tiago Rocha tenta a reeleição.
A candidatura dele até já está registrada no DivulgaCand, site oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A coligação de Tiago é formada, além do PL, por Republicanos, Podemos, PRD, PRTB, PSDB, Cidadania e Novo.
Ou seja, só aí já temos três partidos proibidos por Magno.
Coordenador da campanha de Tiago Rocha, José Luiz Vial afirmou que o candidato e seu grupo souberam apenas "extraoficialmente" do posicionamento do PL estadual: "Aqui na presidência municipal do PL não chegou nada. Sabemos só por meio de WhatsApp. Se vier a decisão, vamos analisar".
Dados da candidatura de Tiago Rocha, prefeito de São Gabriel da Palha, em 2024Crédito: Reprodução/Divulgacand
O ofício do presidente estadual do PL barra expressamente parcerias do PL com 12 siglas e outras "de espectro político à esquerda". O conceito do senador do que seria esse espectro parece ser bastante amplo.
Ele não citou, diretamente, a federação formada por PSDB e Cidadania. Casos duvidosos ou omissos devem ser submetidos à Executiva estadual, ou seja, cabe ao próprio Magno tirar a dúvida.
Considerando que são, possivelmente, 14 os partidos barrados, quem sobra?
O PL lançou 53 candidatos a prefeito no Espírito Santo, muitos deles sem apoio de outras siglas que não o próprio Partido Liberal.
Nos bastidores, a especulação dentro e fora do PL é que o posicionamento de Magno não é tão ideológico quanto se poderia supor.
"Ele está isolando o PL para guardar espaço para a família. Em 2026, o plano de Magno é lançar Karla Malta (presidente estadual do PL Mulher) candidata a deputada federal", contou um correligionário do próprio senador.
"Ele lançou desde já Gilvan (deputado federal) a senador. Aí a Karla pode disputar a Câmara com o número de urna que era do Gilvan, 2222", acrescentou o filiado do PL, que não gostou do ofício emitido por Magno.
"É tanto sectarismo que o PL do Espírito Santo está parecendo o PSOL. Ou pior, já que o PSOL formou uma federação com a Rede", ironizou outro correligionário.
Já fora do PL, filiados a partidos como PP e Republicanos avaliaram à coluna apenas que Magno "surtou". Isso não chega a ser uma análise propriamente dita, mas foi a expressão mais comum ouvida pela coluna nesta sexta-feira (9).
Ninguém, principalmente entre os filiados ao PL, porém, ousa se colocar, publicamente, de forma contrária ao presidente estadual do partido.
No Espírito Santo, Magno Malta tem a primeira e a última palavra na sigla e conta com o apoio do presidente nacional, Valdemar Costa Neto.
A nota de Magno Malta enviada à coluna:
Como presidente do Partido Liberal (PL) no Espírito Santo, gostaria de esclarecer alguns pontos importantes sobre a condução das diretrizes do nosso partido. Desde o ano passado, tenho sido enfático ao afirmar que não faremos alianças com partidos de esquerda, nem com aqueles que, embora se identifiquem como de direita, possuam vínculos que possam comprometer nossa identidade e nossos princípios.
Essa posição tem sido consistentemente comunicada ao mercado político, à imprensa e à opinião pública capixaba, e, por isso, não deveria causar surpresa a ninguém.
Recentemente, houve um ofício enviado aos diretórios municipais pelo vice-presidente estadual, Carlos Salvador, que apenas reforça uma posição sempre defendida pelo PL-ES. Portanto, reafirmo que não houve alteração na conduta do partido.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.