Em resumo, o segundo suplente alega que há indícios de que um servidor do gabinete de Chico Hosken, chamado Washington, pegou a assinatura de Sandro Luís da Rocha para viabilizar uma representação contra Armandinho.
Sandro, um morador de Bairro República que foi candidato a vereador em 2020 pelo PSB, figura como autor do pedido de cassação do mandato do vereador afastado. Foi isso que deu ensejo a um processo que tramita na Corregedoria da Câmara.
Até hoje Sandro não revelou, contudo, quem o teria enganado.
Na representação contra Chico Hosken, Neno Bahia narra o episódio e destaca a seguinte frase dita, fora dos microfones e extraoficialmente, por Sandro Luís em meio à reunião da Corregedoria – a mesma à qual ele adentrou de surpresa no último dia 5:
"Peguei a documentação... quando fui perceber (do que se tratava o texto que havia assinado), falei 'pô, Washington, isso aqui é uma brincadeira'".
"Comecei a assinar e parei... só que eu não representei contra ninguém", complementou o suposto autor da representação contra Armandinho Fontoura, diante de diversos vereadores. A reunião foi transmitida, ao vivo, pela TV Câmara no YouTube.
O Portal da Transparência da Câmara mostra que há um servidor comissionado cujo primeiro nome é Washington lotado no gabinete de Chico Hosken, o que é retratado na representação.
Isso, claro, não prova nada. E poderia nem ser um indício. Ocorre que, nos bastidores da Câmara, no mesmo dia da "visita surpresa" de Sandro Luís da Rocha, fontes da coluna ouviram que o próprio Sandro havia revelado que um assessor de Chico Hosken é que havia pegado a assinatura dele.
E o produtor de vídeo Alessandro Potiguara, que se apresentou como "amigo pessoal" de Sandro Luís, publicou, no Instagram, um texto em que aponta ter sido um assessor de Hosken o coletor da assinatura, ou da "meia assinatura".
O QUE DIZ SANDRO DA ROCHA
Instado a oficializar a narrativa na Corregedoria, Sandro Luís da Rocha demorou a fazê-lo. Na manhã desta quinta-feira (13), contudo, ele entrou em contato com a coluna e disse que protocolou na Câmara de Vitória "uma declaração":
"Referente à tentativa de me incriminar e me colocar como sendo o responsável pelo pedido de impeachnent de Armandinho. Nunca fiz esse pedido".
Se isso ocorreu, Sandro Luís da Rocha poderia registrar um boletim de ocorrência e requerer à Polícia Civil a investigação sobre a trama. Afinal, é algo que poderia configurar falsidade ideológica ou estelionato. Ele não confirmou, à coluna, se procurou a polícia.
Chico Hosken, vereador de VitóriaCrédito: Acervo pessoal
Neno Bahia, cujo nome é Ederson Silva Pereira (Neno Bahia é o apelido nome de urna) aposta em Chico Hosken como mentor do plano, pois seria o principal beneficiado com a cassação de Armandinho.
O vereador já afirmou à coluna que não tem nada a ver com a representação feita contra Armandinho. Hosken admitiu apenas que conhece Sandro Luís da Rocha, uma vez que mora no bairro vizinho ao dele.
Sobre o documento protocolado por Neno Bahia, o vereador disse ter sido informado pela coluna na noite desta quarta e, por isso, ainda não poderia se manifestar.
“HOUVE FRAUDE”
A coluna falou com Neno Bahia. Ele disse que foi pessoalmente à Câmara nesta quarta e quer que a história sobre a “meia assinatura”seja apurada.
“Houve fraude”, cravou. O segundo suplente diz que não agiu a pedido de ninguém. “Fiz isso como cidadão de Vitória e membro do partido (Podemos), que é sério”, justificou.
Ele está disposto a assumir o mandato caso Chico Hosken seja afastado das funções.
O segundo suplente de Armandinho, de acordo com o DivulgaCand, site oficial da Justiça Eleitoral, tem 47 anos, é músico e tem o ensino fundamental incompleto. Em 2016, ele também foi candidato a vereador de Vitória, pelo PRB (atual Republicanos).
A assessoria de imprensa da Câmara de Vitória confirmou que uma representação foi protocolada nesta quarta.
O trâmite previsto no Código de Ética é que o presidente da Casa, Leandro Piquet (Republicanos), encaminhe a peça ao corregedor-geral, Leonardo Monjardim (Patriota).
Caberá a Monjardim decidir se a denúncia contra Hosken atende aos critérios técnicos para se transformar em um processo contra Chico Hosken.
Neno Bahia indicou Sandro Luiz da Rocha e o produtor de vídeo Alessandro Potiguara como testemunhas.
VOTOS
Em 2020, Armandinho Fontoura, então filiado ao Podemos, foi eleito vereador de Vitória com 1.264 votos. Chico Hosken, do mesmo partido, figurou como primeiro suplente ao ser a escolha de 1.104 eleitores da Capital do Espírito Santo. Neno Bahia, por sua vez, alcançou 1.094 votos.
Em 15 de dezembro de 2022, Armandinho foi preso preventivamente, por ordem do Supremo Tribunal Federal. Ele está no Presídio de Segurança Média 2, em Viana.
A Justiça Estadual afastou o parlamentar do cargo no dia 1º de janeiro de 2023. Chico Hosken, depois, acionou o Judiciário e a Câmara de Vitória teve que dar posse a ele em substituição ao vereador afastado.
Armandinho não está recebendo o salário de R$ 8,9 mil brutos.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.