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Discussão na Câmara

Mais vereadores em Vitória para quê?

Até o dia 10 de abril, parlamentares da Capital do ES vão definir se apresentam ou não um projeto para aumentar o número de vereadores da cidade, o que valeria a partir de 2025

Publicado em 25 de Março de 2023 às 02:10

Públicado em 

25 mar 2023 às 02:10
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Câmara Municipal de Vitória
Câmara Municipal de Vitória é, hoje, formada por 15 parlamentares Crédito: Fernando Madeira
Em dezembro, a coluna questionou: mais vereadores na Serra pra quê? O município da Grande Vitória aumentou o número de parlamentares da própria Casa de 23 para 25, o que vai valer a partir da próxima legislatura, que começa em 2025. Agora, é a Câmara de Vitória que avalia se faz o mesmo movimento.
Pela Constituição Federal, a capital do Espírito Santo tem população suficiente (369.534 pessoas, estimadas pelo IBGE em 2021) para ter até 23 vereadores. Hoje, tem 15. Até 2004, eram 21.
A discussão travada nos bastidores impulsiona a volta para esse número, 21. Isso valeria apenas a partir de 2025. 
Como a reportagem de A Gazeta mostrou, o presidente da Câmara, Leandro Piquet (Republicanos), estabeleceu prazo até 10 de abril para que os vereadores decidam se propõem ou não um projeto de emenda à lei orgânica para aumentar o número de membros da Casa.
Ao menos cinco vereadores têm que assinar a proposta para que ela passe a tramitar. Para ser aprovado, o texto precisa receber, no mínimo, 10 votos favoráveis.
O prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos) não teria que sancionar o projeto. Emendas à Lei Orgânica são promulgadas pela Mesa Diretora do próprio Legislativo. Ou seja, ao menos dessa "bomba" o chefe do Executivo municipal se livra automaticamente.
Aumentar número de vereadores não é uma ideia popular. Ainda mais em ano pré-eleitoral. Leandro Piquet, em entrevista à coluna, fez questão de frisar, por duas vezes: "Sou contra o aumento do número de vereadores".
Ele diz que, como líder da Casa, não pode impedir que o plenário debata os temas que considerar relevantes. O prazo de 10 de abril é, segundo ele, para garantir que sobre tempo para tratar de outros assuntos também.
Vem a calhar, claro, que seja um período mais distante das eleições do ano que vem, embora Piquet não tenha mencionado isso.
O presidente não vota, nas decisões que cabem ao plenário, a não ser em casos muito específicos.
E esse seria um deles. O regimento interno prevê o voto do chefe da Casa, entre outras ocasiões, "quando a matéria exigir, para sua aprovação, o voto favorável de dois terços dos membros da Câmara".
Poucos parlamentares aceitam falar sobre a possível proposta de emenda à lei orgânica abertamente – ainda que, reservadamente, desfiem argumentos favoráveis à medida – por medo da reação dos eleitores.
Karla Coser (PT) é uma exceção. À reportagem de A Gazeta ela defendeu "repensar o número de vereadores". E apontou, como pontos positivos, a ampliação da democracia interna do Legislativo municipal, o aumento da representatividade da população e um debate mais qualificado sobre os projetos enviados pela prefeitura, que, hoje, "chegam de uma maneira atropelada à Casa".
São observações parecidas com as que outros vereadores fizeram à coluna, mas com a condição de que seus nomes não fossem expostos.
Eles avaliam que o Legislativo ficaria mais forte frente ao Executivo. "Uma coisa é o prefeito negociar com 15 vereadores. Outra é negociar com 21", exemplificou um edil.
"Tem muitos bairros e regiões que não estão representados. Com mais vereadores, haveria parlamentares de mais lugares e essa população teria mais voz aqui dentro", destacou um vereador que, em tese, é ideologicamente distante do parlamentar citado anteriormente.
"O Orçamento do município aumentou muito nos últimos dez anos. Temos que fiscalizar quase três bilhões (o Orçamento de 2023 é de R$ 2,7 bilhões). Com mais vereadores, vai ter mais fiscalização", previu outro.
Por falar em dinheiro, acrescentar seis membros à Câmara teria um custo. O salário de um vereador de Vitória é de R$ 8,9 mil brutos. E cada um pode ter até 15 assessores, que são cargos comissionados, de livre nomeação e exoneração.
Além de discutir o aumento do número de parlamentares, a Câmara também aventa, nos bastidores, turbinar os salários deles, que não recebem reajuste de uma legislatura para outra desde 2016.
"Pela Constituição Federal, a Câmara deveria receber 6% da receita do município. Nosso orçamento é de R$ 40 milhões e deveria ser de R$ 162 milhões, recebemos bem menos do que nos deveria ser repassado obrigatoriamente. Somos um Poder muito enxuto", defendeu um dos vereadores da Capital.
Hoje, já há maioria entre os parlamentares a favor do aumento do número de vereadores. Já há, portanto, número suficiente para que o projeto de emenda à lei orgânica seja protocolado (cinco).
Já para a aprovação, o placar ainda é incerto. 
É, MAS NÃO É
A coluna faz aqui algumas reflexões, que indicam que aumentar o número de vereadores não seria vantajoso para a cidade. 
Para começo de conversa, a Constituição Federal diz que "o total da despesa do Poder Legislativo Municipal, incluídos os subsídios dos Vereadores e excluídos os gastos com inativos, não poderá ultrapassar os seguintes percentuais (...)".
O repasse de 6% da receita municipal, portanto, é um limite, não uma obrigação.
Quanto à fiscalização sobre o Executivo, nada garante que ela aumentaria na proporção do crescimento do número de vereadores. Ao contrário.
A maior parte dos edis, na maioria das Casas legislativas municipais, abdica dessa função com prazer, em troca de indicar pessoas para ocupar cargos comissionados na prefeitura e aparecer ao lado do prefeito em solenidades para colher os louros de investimentos em seus redutos eleitorais.
Mais representatividade? Ora, a votação não ocorre por bairro ou por distrito. Nada impede que os eventuais novos seis vereadores sejam de regiões já representadas na Câmara.
Mais democracia interna? Karla Coser avaliou, à reportagem de A Gazeta, que, hoje, "não dá nem para ter disputa pela presidência da Câmara". Ter 21 vereadores não necessariamente vai fazer com que a disputa ocorra.
A Assembleia Legislativa, por exemplo, é formada por 30 deputados estaduais e, mesmo assim, via de regra, a eleição da Mesa Diretora é realizada em chapa única. O que define isso não é a matemática, é a política.
O que procede é que, realmente, o prefeito da vez teria mais dificuldade para formar uma base aliada e garantir posicionamentos favoráveis aos projetos que enviar à Casa. Nem sempre as negociações por bancada ou partido funcionam. O convencimento, por vezes, tem que ser feito com um de cada vez. 
Falar com 15 é menos trabalhoso para o chefe do Executivo ou seus emissários que falar com 21 ou 23.
PRA QUÊ?
Não é à toa que aumentar número de vereadores é uma ideia impopular. Tome-se como exemplo a própria Câmara de Vitória.
O Legislativo municipal tem ganhado destaque no noticiário por coisas como vereador preso em operação contra atos antidemocráticos; vereador cassado por infidelidade partidária; episódios de violência política de gênero em plenário e discussões ideológicas inócuas, como a tentativa patentemente inconstitucional de emplacar o projeto Escola sem Partido
Boa parte do tempo dos discursos é tomada pela defesa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), também transmutado nos "valores família".
Agora apareceu até a realização de missas na Câmara, além de cultos evangélicos. Eventos mais afeitos, obviamente, a templos religiosos.
Não é difícil concluir que, se for para protagonizar isso, 15 vereadores está de muito bom tamanho.
O dever dos vereadores é legislar, dentro do pequeno escopo relegado a eles pela Constituição, e fiscalizar o Executivo municipal.
Quem envereda sistematicamente pelos debates inócuos e discursos inflamados sobre assuntos alheios a isso, contudo, tem se beneficiado eleitoralmente. Um exemplo é Gilvan da Federal (PL), ex-vereador de Vitória que foi o segundo deputado federal mais votado no Espírito Santo.
Os defensores do aumento das cadeiras no Legislativo municipal culpam – adivinhem só, que surpresa! – a imprensa, que dá destaque a essas pautas nada a ver e às declarações propositalmente "polêmicas" dos vereadores. 
Os jornalistas ficamos na berlinda. Podemos fingir não ver certos políticos incitarem crimes e falarem barbaridades e deixá-los agir nas redes sociais, onde não são questionados com base em fatos e ganham relevância.
Ou revelar o que falam e fazem, com contexto e contraditório, mas, com isso, proporcionar o que querem: aparecer ainda mais.
Não é que na Câmara ocorram apenas debates bizarros e/ou inócuos do ponto de vista do interesse da população.
A Casa tratou do emprego ou a falta de emprego de emendas parlamentares; discutiu o novo Código de Vigilância em Saúde e aprovou o projeto; e fez um estudo sobre merenda escolar, o que resultou no fornecimento de mais uma refeição diária nas escolas municipais, por exemplo.
O melhor para o Legislativo, para a Câmara de Vitória, inclusive, é que haja menos parlamentares histriônicos (os que "penduram melancia no pescoço" para aparecer e jogar para a plateia), seja o total de vagas disponíveis 15, 21 ou 23. Mas aí cabe ao eleitor decidir.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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