Manato aposta todas as fichas no bolsonarismo: "A pandemia foi uma farsa"
Debate na TV Gazeta
Manato aposta todas as fichas no bolsonarismo: "A pandemia foi uma farsa"
Não existe farsa. Não existe "tratamento precoce". Mas existe estratégia no debate. Casagrande também lançou mão de uma. Veja a análise
Publicado em 28 de Outubro de 2022 às 11:53
Públicado em
28 out 2022 às 11:53
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
O ex-deputado federal Carlos Manato durante debate realizado pela TV Gazeta no segundo turno das eleições pelo governo do Espírito SantoCrédito: Carlos Alberto Silva
Foi o último embate entre os candidatos ao governo do Espírito Santo antes do segundo turno. Nesta etapa, o ex-deputado passou a se associar mais ao presidente da República, Jair Bolsonaro (PL).
Até mudou o slogan, de "o governador de todos os capixabas" para "o governador do Bolsonaro".
No debate, entretanto, foi além. Médico ginecologista, o candidato local do PL apelou ao negacionismo: "A pandemia (de Covid-19) foi uma farsa", afirmou.
A "teoria" de Manato é que as mortes pela doença foram forjadas e, nos atestados de óbito, quem morreu por "facada ou tiro" entrou na estatística da pandemia.
Tudo sem provas, claro, apesar de ter mencionado "um relatório". Algo descolado da realidade.
"A pandemia foi uma farsa que vocês fizeram, se tiverem acesso ao relatório da pandemia não vão acreditar no que aconteceu (... ) não deixava fazer tratamento precoce."
O "tratamento precoce", que consistia em cloroquina e outras drogas ineficazes contra o coronavírus, está mais do que refutado em 2022 pela ciência. Mas foi uma bandeira de Bolsonaro.
Quanto às mortes "forjadas", para isso teríamos que crer que os próprios médicos, que se arriscaram nas Unidades de Tratamento Intensivo e afins, colaboraram com "a farsa".
Manato, até a noite desta quinta, a dois dias da eleição, não lançava mão de desinformações dessa magnitude. Durante a campanha, criticou a gestão da pandemia feita por Casagrande, principalmente, devido ao fechamento de estabelecimentos comerciais, para incentivar o distanciamento social.
"Matou CNPJs", repetiu o candidato do PL, no debate.
Nos confrontos realizados no primeiro turno na Rede Gazeta, o ex-deputado federal foi orientado pelo marqueteiro Fernando Carreiro, que já deixou a equipe.
Nesta quinta, quem falou ao pé do ouvido de Manato nos intervalos da transmissão da TV foi o deputado federal não reeleito Neucimar Fraga (PP), também bolsonarista.
Renato Casagrande e Carlos Manato durante debate realizado pela TV GazetaCrédito: Carlos Alberto Silva
O senador eleito Magno Malta (PL), também dileto apoiador do presidente da República, ganhou proeminência na campanha do ex-deputado federal.
Como as pesquisas de intenção de voto indicavam que o governador seria reconduzido ao Palácio Anchieta ainda no primeiro turno, a ida de Manato à segunda etapa foi uma vitória política.
O candidato do PL chegou à "nova eleição" com força, animando os apoiadores. Mudou a estratégia, como já mencionado, para se apresentar mais aliado de Bolsonaro.
No debate, Manato também falou, na primeira pergunta, de tema livre, sobre aborto, outro item da cartilha bolsonarista.
O ex-deputado federal acusou Casagrande de ser "abortista". Foi a primeira vez que ele usou o termo, que a coluna tenha conhecimento, contra o socialista.
O candidato do PL lembrou o caso de uma menina de 10 anos que engravidou após ser estuprada, em São Mateus, em 2020.
O aborto, nesses casos, é legal, de acordo com o Código Penal brasileiro. E ainda houve uma decisão judicial para garantir a realização do procedimento. Diante da recusa de médicos locais, a criança violentada foi enviada a Pernambuco.
Casagrande ficou na defensiva. Negou ser "abortista", lembrou que obedeceu a uma decisão judicial e repetiu, diversas vezes, que tem compromissos com "valores da fé cristã, da família, da administração pública e da transparência".
Usou a menção à "farsa da pandemia" alegada por Manato para chamar o adversário de negacionista da ciência e chamou a atenção para o desrespeito com os milhares de mortos por Covid-19 para sensibilizar o eleitorado.
O debate também passou por temas como corrupção, educação e saúde e, em meio a acusações de parte a parte, até houve menção a algumas propostas por parte dos candidatos.
Curiosamente, ninguém quis falar sobre segurança pública desta vez.
Manato também foi atacado por Casagrande, embora sem temas "novos", como os que o ex-deputado federal trouxe à baila.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.