Manato é o candidato a governador do PL com menos recurso para campanha
Eleições 2022
Manato é o candidato a governador do PL com menos recurso para campanha
Nem o próprio partido parece dar moral ou apostar muito no concorrente ao Palácio Anchieta
Publicado em 20 de Setembro de 2022 às 02:10
Públicado em
20 set 2022 às 02:10
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Carlos Manato (PL), durante convenção partidária que confirmou seu nome para a disputa ao governo do ESCrédito: Thiago Coutinho
O Partido Liberal, do presidente da República, Jair Bolsonaro, tem 14 candidatos a governador no país. O que mais recebeu valores da direção nacional da sigla foi Anderson Ferreira, que disputa em Pernambuco. Ele conta, até agora, com R$ 11 milhões vindos do fundo eleitoral.
Na outra ponta está Manato, candidato ao Palácio Anchieta. O PL nacional enviou a ele R$ 100 mil. Os outros receberam ao menos R$ 600 mil, caso do Coronel Diego Melo, que concorre ao governo do Piauí (veja a lista completa no final do texto).
Assim, eleger Manato não parece estar entre as prioridades do partido.
Enquanto isso, o candidato ao Senado Magno Malta recebeu R$ 2 milhões do PL, também do fundo eleitoral, para fazer campanha.
Magno é o presidente do PL estadual. De acordo com a assessoria do ex-senador, quando Manato ingressou no partido, em fevereiro, foi avisado de que o dinheiro do fundo seria destinado a Magno e aos candidatos a deputado estadual e federal do partido.
Caberia a Manato buscar verbas para viabilizar a própria campanha. Nesta segunda, faltando 13 dias para as eleições, o candidato ao governo havia arrecadado, além dos R$ 100 mil do PL, R$ 42,4 mil de pessoas físicas.
Manato, que declarou patrimônio de R$ 10,2 milhões, tirou R$ 5 mil do próprio bolso para investir na corrida eleitoral.
"O candidato a governador Manato tem feito uma campanha enxuta do ponto de vista financeiro. E é muito grato ao candidato Magno Malta, com quem acertou tudo previamente, por tê-lo recebido no PL", diz nota enviada pela assessoria de Manato à coluna.
Manato, assim, confirma o que a equipe do ex-senador já havia informado.
O fato de o candidato ao governo do Espírito Santo ser o mais desprestigiado pela direção nacional do partido, entretanto, continua a chamar a atenção.
A campanha de Manato é baseada na relação dele com Bolsonaro.
Essa relação, entretanto, não se estende ao PL. O próprio presidente da República não é um quadro histórico do partido. Ele se filiou à legenda em novembro de 2021.
A sigla integra o Centrão, a quem Bolsonaro praticamente entregou as chaves do governo, e é presidido pelo ex-deputado federal Valdemar Costa Neto, condenado no mensalão.
Magno, por sua vez, está no partido há tempos. O PL já mudou para PR, Partido da República, e depois voltou à antiga nomenclatura.
O partido fez parte da base de apoio aos governos do PT, mantendo o Ministério dos Transportes como feudo.
Manato passou por PDT, Solidariedade e PSL (que depois se fundiu com o DEM, dando origem ao União Brasil) antes de chegar ao PL.
Não tem vínculos com os caciques do partido.
Magno é a personificação da sigla no estado e protagonizou, em julho, a convenção estadual do PL. Aliás, as fotos dele e de Bolsonaro são as únicas que aparecem durante o horário eleitoral destinado aos candidatos do partido na televisão. Nada de Manato.
Horário eleitoral de candidatos a deputado estadual do PL mostram Bolsonaro e Magno e ignoram ManatoCrédito: Letícia Gonçalves
Até o PTB, que integra as coligações de Manato e Magno, dá mais moral para o candidato ao governo do PL.
Horário eleitoral de candidatos a deputado estadual do PTB no Espírito Santo destacam as imagens de Bolsonaro e ManatoCrédito: Letícia Gonçalves
A coluna entrou em contato com o vice-presidente nacional do PL, Capitão Augusto, que esteve no Espírito Santo para o anúncio da filiação de Manato, em fevereiro, para saber o motivo dos parcos recursos destinados ao candidato ao Palácio Anchieta. Ele ainda não respondeu.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.