Manato, Magno Malta, Assumção: bolsonaristas se unem no ES
Eleições 2022
Manato, Magno Malta, Assumção: bolsonaristas se unem no ES
Ex-deputado federal filiou-se ao PL. Ex-apoiadores da esquerda agora seguem cartilha bolsonarista de olho nas eleições de 2022
Publicado em 23 de Fevereiro de 2022 às 02:10
Públicado em
23 fev 2022 às 02:10
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Soraya Manato, Carlos Manato, Magno Malta e Capitão Augusto em entrevista coletivaCrédito: Letícia Gonçalves
O ex-deputado federal Carlos Manato, que ficou sem partido após deixar o PSL, sempre disse que gostaria de ir para a sigla à qual Jair Bolsonaro se filiasse. O presidente da República optou pelo PL. E foi para lá que Manato tentou ir. Inicialmente, encontrou as portas fechadas. De acordo com o próprio ex-deputado, o ex-senador Magno Malta, que preside o PL no Espírito Santo, avaliou que a chapa ficaria muito pesada.
Magno é pré-candidato ao Senado. Com a chegada de Manato, que vai disputar o Palácio Anchieta, seriam duas candidaturas majoritárias no mesmo partido, algo incomum.
Além disso, não haveria espaço para a deputada federal Soraya Manato (PSL), esposa de Manato, que é pré-candidata à reeleição.
O impasse se estendeu por meses, demonstrando uma falta de sintonia do campo bolsonarista no estado. Nesta terça-feira (22), quando Manato finalmente assinou a ficha de filiação ao PL, o discurso foi outro.
Magno e o ex-deputado, cercados por outros nomes do bolsonarismo local, tentaram passar a imagem de união. O "pluripartidarismo conservador", como definiu o ex-senador. À mesa, estava Soraya, que vai para o PTB. O partido já fechou aliança com o PL.
Manato foi lançado pré-candidato ao governo do estado e chegou a mencionar o que pretende fazer, se eleito. Basicamente, desfilou a cartilha bolsonarista. Na educação, escolas cívico-militares, na segurança, aumento salarial para policiais. "Quem vai tocar a segurança pública são vocês (policiais)", bradou.
Já na saúde, Manato, que é médico, prometeu "descentralizar" os serviços, com oferta de exames e procedimentos de alta e média complexidade em hospitais do interior.
Também afirmou que não suspenderia cirurgias eletivas em meio à pandemia de Covid-19. Só não explicou como o sistema daria conta de atender a todos em meio à alta demanda.
Por falar em saúde, quem apareceu em vídeo de apoio a Manato foi o ministro da pasta, Marcelo Queiroga. O cardiologista há tempos deixou a imagem inicial de técnico e tem se comportado como um Pazuello de jaleco.
Para Queiroga, "Manato é um reforço para o Partido Liberal no Espírito Santo e no Brasil". O ministro ainda mandou um "Brasil acima de tudo", lema de campanha de Bolsonaro.
Manato disse que a maior secretaria do governo dele, se eleito, vai ser a de assistência social.
Depois, voltou ao discurso de "bandido bom é bandido morto", para delírio da plateia: "Vamos ser o maior exportador de bandido. Se vier do Rio pra cá, volta no caixão".
A imensa maioria dos presentes, que lotaram o auditório de um hotel de Vitória, não usava máscara, tampouco havia distanciamento. E muito menos foi cobrado o comprovante de vacinação, o chamado passaporte sanitário é demonizado por bolsonaristas.
Entre os presentes, havia não vacinados, como o deputado estadual Danilo Bahiense, que assinou a ficha de filiação ao PL. Outro deputado, Capitão Assumção, também migrou do Patriota para lá.
A coluna questionou Magno Malta sobre o motivo de a filiação de Manato ter ocorrido apenas agora. A resposta foi evasiva: "(Antes) não era o tempo. O tempo era esse (esta segunda)".
Vice-presidente nacional do PL, o deputado federal Capitão Augusto participou presencialmente do evento. Ele afirmou, à coluna, que não houve interferência da direção nacional para garantir o ingresso de Manato no PL: "Magno que decidiu, exclusivamente. O nosso presidente, Valdemar Costa Neto, dá autonomia aos estados".
Valdemar foi preso e condenado no mensalão, esquema de corrupção do governo Lula que comprava votos de parlamentares. O PL já foi um dos principais aliados do petista, abrigava o então vice-presidente, José Alencar.
Magno, com quase 22 anos de filiação ao PL, também apoiou Lula e Dilma Rousseff, do PT, esteve ao lado de políticos da esquerda e ganhou a pecha de "papagaio de pirata".
De uns tempos pra cá a coisa mudou. Magno apoiou a eleição de Bolsonaro em 2018, com fortes críticas à esquerda. Tentou a reeleição, perdeu e agora quer voltar ao Senado, com o mesmo discurso.
Não está sozinho. Manato teve longa passagem pelo PDT, partido de esquerda capitaneado no estado pelo prefeito da Serra, Sérgio Vidigal, mas diz que sempre foi "conservador".
No evento de filiação do ex-deputado ao PL, foram entoados por bolsonaristas de todas as estirpes os chavões "nossa bandeira jamais será vermelha" e "Deus, pátria e família". Este último é da Ação Integralista, o fascismo à brasileira.
O deputado federal Daniel Silveira, agora fora da cadeia, apareceu em vídeo em apoio a Manato. Um dos presentes gritou "Quebra a placa, Daniel, a placa da Marielle".
Silveira ganhou notoriedade ao quebrar uma placa em homenagem à vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco, que foi assassinada por milicianos. O mandante do crime até hoje é uma incógnita.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.