Manato vai tirar licença do PL: "Não me chamam para nada"
Eleições 2024
Manato vai tirar licença do PL: "Não me chamam para nada"
Ex-deputado federal quer ficar livre para se movimentar em 2024 e afirma que Magno Malta descumpriu promessa de repassar R$ 1,5 milhão para a campanha ao governo do ES em 2022
Publicado em 08 de Julho de 2024 às 18:21
Públicado em
08 jul 2024 às 18:21
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Carlos Manato em 2022, quando disputou o governo do Espírito Santo. Ao fundo, de boné, o senador Magno Malta, presidente estadual do PLCrédito: Fernando Madeira
O ex-deputado federal Carlos Manato (PL) disputou o governo do Espírito Santo em 2022 e chegou ao segundo turno contra Renato Casagrande (PSB). O socialista venceu, mas a corrida foi acirrada. Manato adquiriu certo capital político com o resultado. Depois, entretanto, "mergulhou".
O ex-deputado justificava a ausência em eventos político-partidários devido à dedicação à atividade no setor privado. Ele tem uma pousada e um cerimonial em Pedra Azul.
Nesta segunda-feira (8), porém, Manato revelou à coluna que há mais camadas nesta história, que envolve liberdade para atuar nas eleições de 2024 e até dívidas das eleições de 2022.
O ex-deputado decidiu não se desfiliar, mas se licenciar do PL, partido presidido no Espírito Santo pelo senador Magno Malta. "O PL está tocando a vida e não me chama para nada, para nenhum evento", contou o ex-deputado.
No período de licença, Manato pretende se dedicar a apoiar aliados que disputam as eleições municipais, não necessariamente filiados ao Partido Liberal, "sem cometer infidelidade".
"Em Itaguaçu, eu apoio o Wesley, do PP; em Castelo, João Paulo, do Republicanos; apoio alguns candidatos do PL também, como o Tiago, em São Gabriel da Palha", resumiu o ex-deputado federal.
Mas a relação de Manato com o PL estadual, leia-se Magno Malta, está desgastada desde bem antes das eleições de 2024.
A coluna obteve a informação de que há uma discordância entre os dois quanto ao financiamento da campanha de 2022.
Manato confirmou, nesta segunda, que passou por "problemas e contas bloqueadas" devido a um repasse de dinheiro que esperava do PL e nunca chegou.
Na mesma ocasião, ainda segundo Manato, Magno garantiu que o PL injetaria R$ 1,5 milhão do fundo eleitoral na campanha para o governo do Espírito Santo.
"Na reunião que eu tive com o PL, com o Magno, entre o primeiro e o segundo turno, ele disse que era para trocar o marqueteiro e que o partido ia me dar R$ 1,5 milhão, que era para eu assumir a despesa e eles iam pagar", narrou o ex-deputado federal.
"Eu assumi e até hoje não pagaram", continuou. "No primeiro e no segundo turno o partido me repassou apenas R$ 100 mil", destacou Manato.
Na época, a assessoria do senador informou que Manato, ao ingressar no partido, ainda em fevereiro de 2022, foi avisado de que o dinheiro do fundo eleitoral seria destinado à campanha de Magno e às dos candidatos a deputado federal e estadual do PL no Espírito Santo.
Caberia a Manato viabilizar recursos para disputar o governo estadual, por meio de recursos próprios — o ex-deputado declarou um patrimônio de R$ 10, 2 milhões à Justiça Eleitoral — ou de doações de outras pessoas físicas.
Manato, no primeiro turno das eleições de 2022, confirmou ter recebido o aviso, mas sustenta que, depois, Magno prometeu repassar R$ 1,5 milhão para a campanha do segundo turno.
"GRITARIA INÚTIL"
Após a publicação deste texto, a assessoria do senador Magno Malta enviou à coluna um vídeo em que o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, rebate as afirmações de Manato quanto à dívida de campanha, o que chamou de "gritaria inútil".
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.