O presidente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo, Marcelo Santos, já foi filiado ao PDT, um partido de esquerda, com o qual ainda mantém uma boa relação. Desde 2021, está filiado ao Podemos, legenda que,
de acordo com a própria presidente nacional, Renata Abreu, não é nem de esquerda nem de direita, mas "para frente", seja lá o que isso signifique.
Marcelo já teve passagens pelo PTB e, por vários anos, esteve no PMDB. Na prática, presidente da Assembleia é pragmático e evita se alinhar a quaisquer extremos.
O parlamentar foi alvo de mandado de prisão preventiva expedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes por descumprir ordem do Supremo. A Constituição Estadual, seguindo parâmetros da Federal, determina que um deputado somente pode ser preso em flagrante de crime inafiançável e, ainda assim, a Assembleia tem que ser notificada em até 24h para deliberar se a prisão deve ou não ser mantida.
Marcelo absteve-se na votação. Como presidente, ele somente se posicionaria se houvesse empate. Em entrevista logo após o resultado, entretanto, questionado pela coluna, afirmou que, se tivesse que votar, optaria pela revogação da prisão: "Porque entendo que não houve flagrante e não houve crime inafiançável e temos que seguir o que diz a Constituição".
A Secretaria de Comunicação da Assembleia chegou a divulgar fotos para a imprensa do momento da saída de Assumção do Quartel do Comando-Geral da Polícia Militar, em Maruípe, Vitória, onde era mantido durante a prisão.
No primeiro discurso após voltar ao plenário, o deputado estadual do PL cobriu o presidente da Casa de elogios. Aliás, Assumção exortou Marcelo Santos a alçar voos políticos mais altos. Marcelo quer ser eleito deputado federal em 2026. Mais que isso, só se disputasse o Senado ou o governo estadual.
Enquanto isso, na Câmara dos Deputados, Gilvan da Federal (PL) propôs, no último dia 11, "moção de aplausos e louvor ao deputado estadual Marcelo Santos, presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Espírito Santo, pela decisão de submeter ao plenário daquela casa legislativa a revogação da prisão do dep. Capitão Assunção e aos demais deputados estaduais que votaram a favor pela revogação da prisão".
A moção foi aprovada pela Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, contra os votos da deputada Delegada Adriana Accorsi (PT-GO) e do deputado Tadeu Veneri (PT-PR). Os deputados Rodolfo Nogueira (PL-MS), General Pazuello (PL-RJ) e Capitão Alden (PL-BA) apoiaram a iniciativa de Gilvan.
Provavelmente, nenhum deles sabe quem é Assumção e tampouco quem é Marcelo Santos, mas a retórica ideológica vazia é o que dá o tom ultimamente na política brasileira.
É preciso registrar, porém, que, mesmo os deputados que não são de direita elogiaram a atuação de Marcelo no caso Assumção, uma vez que ele não tentou influenciar diretamente os votos dos colegas.
E nem seria necessário. O governo estadual liberou os deputados da base, que são maioria no plenário, para se posicionar como bem entendessem. O corporativismo e o bom relacionamento que Assumção mantém com os demais fizeram o restante do trabalho.
O fato de a prisão preventiva ter sido decretada mais de um ano depois de Assumção ter descumprido a ordem de Moraes de não fazer publicações em redes sociais também pesou a favor do placar.
Melhor para Assumção e, pelo visto, para Marcelo Santos.