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Mesa Diretora

Marcelo X Vandinho: os prós e contras na disputa pelo comando da Assembleia

Apenas deputados estaduais podem votar para escolher o futuro presidente da Casa, mas o principal eleitor é o governador Renato Casagrande (PSB)

Publicado em 15 de Janeiro de 2025 às 10:43

Públicado em 

15 jan 2025 às 10:43
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Os deputados estaduais Vandinho Leite e Marcelo Santos
Os deputados estaduais Vandinho Leite e Marcelo Santos Crédito: Lucas S. Costa e Ana Salles/Ales
A eleição da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa vai ser realizada no dia 3 de fevereiro e, embora apenas deputados estaduais possam votar para escolher quem vai comandar a Casa pelos próximos dois anos, o principal eleitor é o governador Renato Casagrande (PSB).
O Palácio Anchieta, via de regra, tem muita influência sobre o parlamento e a maioria dos deputados integra a base aliada a Casagrande. Em 2023, foi graças à intervenção direta do governador que Marcelo Santos (então filiado ao Podemos) foi alçado à presidência. 
Agora, ele está em busca da reeleição e, nos bastidores, mais uma vez tem Vandinho Leite (PSDB) como possível concorrente, embora o tucano não se apresente como candidato. Nesta coluna, vamos enumerar o que pesa a favor e contra cada um deles.
GOVERNABILIDADE
O interesse do Poder Executivo na eleição para a presidência do Legislativo é sempre governabilidade, ou seja, fazer com que a Casa vote e aprove os projetos de interesse do governo em tempo hábil e sem contestações relevantes.
Nos últimos dois anos, Marcelo garantiu isso a Casagrande e já prometeu publicamente continuar a fazê-lo.
Vandinho também faz parte da base governista e, certamente, seguiria a mesma cartilha.
ELEIÇÕES 2026 E O FATOR RICARDO
Ocorre que, em ano pré-eleitoral, promover governabilidade não é suficiente. Casagrande quer ter condições de, se quiser, abrir mão do mandato em abril de 2026 para se candidatar ao Senado. 
Nesse caso, o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) assumiria o comando até 31 de dezembro e seria o candidato natural à sucessão, disputaria o Palácio Anchieta com as bênçãos do governador e de seu grupo político.
Para a empreitada ter mais chances de dar certo, é importante que o presidente da Assembleia não trabalhe contra. 
E aí que vem a "pulga atrás da orelha" de casagrandistas com Marcelo.
Se dentro da Assembleia ele deu mostras de fidelidade ao governo, em matéria eleitoral, destoou várias vezes no pleito municipal de 2024.
Outra preocupação é quanto à relação entre Marcelo e Ricardo, que não é próxima.
O presidente da Assembleia chegou a confidenciar a aliados que não bota muita fé na viabilidade eleitoral do vice-governador, que ele não teria intenções de voto suficientes para ser um candidato forte ao governo.
Para fazer justiça a Marcelo, é preciso lembrar que dúvidas e especulações sobre o potencial de votos de Ricardo são comuns nos bastidores da política capixaba.
Mas quando elas partem de alguém que desempenha um papel estratégico, acendem alertas.
Além disso, a relação interpessoal entre Marcelo e o vice-governador não é das melhores, embora eles se tratem com cortesia.
Em dezembro, Marcelo passou a adotar uma postura diferente. Desde então, ele frequentemente elogia Ricardo Ferraço em público, faz questão de dizer que as conquistas do governo ocorreram também graças à participação do vice.    
O presidente da Assembleia ainda afirmou, em entrevista coletiva no final do ano passado, que não tem compromisso com o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), para 2026.
Em 2024, Marcelo apoiou a reeleição de Pazolini na Capital, contrariando o Palácio Anchieta. O prefeito é um possível candidato ao governo em 2026.
Marcelo ressaltou que seu compromisso é com o grupo de Casagrande.
Vandinho, por outro lado, já foi correligionário de Ricardo, quando o vice estava no PSDB. Os dois já trabalharam juntos e têm uma boa relação. Ponto para o deputado tucano neste jogo de tabuleiro.
OS DEPUTADOS
Marcelo Santos tem a simpatia de boa parte dos deputados. Não fosse a desconfiança de políticos mais palacianos, o que pode levar à interferência do governo estadual, já estaria virtualmente reeleito.
"Marcelo é o melhor presidente que a Assembleia já teve", cravou Denninho Silva (União Brasil) em entrevista à coluna nesta quarta-feira (15). 
Denninho é casagrandista, mas mesmo antes de ouvir a orientação do Palácio, já está ao lado do atual presidente da Assembleia.
"É um cara que cumpre, entrega todos os projetos do governo e respeita muito os deputados. Os gabinetes estavam caindo aos pedaços e ele foi o único que teve peito para fazer uma reforma", argumentou Denninho.
"Marcelo é o melhor presidente que a Assembleia já teve. Em time que está ganhando, não se mexe"
Denninho Silva (União Brasil) - Deputado estadual
Marcelo tem ainda o endosso de diversos parlamentares de oposição ao governo.
Vandinho, em 2023, conseguiu angariar bastante apoio entre os colegas também. Só que tudo foi por água abaixo quando Casagrande decidiu abençoar Marcelo Santos.
O deputado do PSDB era visto com desconfiança por casagradistas, justamente, por contar com o apoio de deputados oposicionistas.
FIDELIDADE
Em resumo, é tudo uma questão de fidelidade política ao governo e de medir o risco de essa fidelidade diminuir conforme as eleições de 2026 se aproximam.
O antecessor de Marcelo Santos, Erick Musso (Republicanos), por exemplo, garantiu governabilidade a Casagrande na Assembleia, mas ao mesmo tempo lançou-se pré-candidato ao Palácio Anchieta em 2022, contra o próprio governador. 
Depois, concorreu ao Senado, trabalhou para fortalecer palanques de oposição e é hoje o principal articulador de Pazolini.
Defensores de Vandinho lembram que o tucano se provou fiel e confiável, pois não debandou para a oposição mesmo após ter sido rifado por Casagrande na eleição da Mesa Diretora de 2023.
O deputado do PSDB, porém, nem sempre foi governista. No segundo governo Casagrande (2019-2022), foi um crítico da gestão estadual.
Ele até integrou um grupo de deputados de oposição que fez uma "visita surpresa" ao Hospital Dório Silva, na Serra, em 2020, em meio à pandemia de Covid-19, o que a Secretaria Estadual de Saúde repudiou como "invasão".
A DECISÃO
Uma diferença em relação à eleição da Mesa de 2023 é que o governo Casagrande está mais cauteloso.
Dois anos atrás, o Palácio deixou os deputados mais "soltos" para se articularem e o resultado foi que o próprio governador teve que entrar de sola e publicamente para garantir que Marcelo fosse eleito presidente. 
Um erro de cálculo que provocou sufoco governista e um certo climão entre parlamentares. Muitos declararam apoio a Vandinho e tiveram que voltar atrás após orientação do Palácio.
A Casa Civil, desta vez, pediu aos parlamentares para não haver formação de listas com assinaturas de apoio e para que as conversas sobre o assunto não fossem antecipadas.
Uma série de reuniões entre deputados governistas, Casagrande e a Casa Civil, comandada por Júnior Abreu (PDT), vai ocorrer na semana que vem. Logo depois, o martelo deve ser batido.
Para evitar a fadiga de dois anos atrás, um deputado admitiu à coluna, nesta quarta, que agora vai se posicionar apenas "no último dia": "Vou ficar ao lado de quem vai ganhar e pronto".

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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