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Eleições 2026

Marcos do Val diz que capixabas vão decidir se ele vai disputar a reeleição

Senador do Espírito Santo afirma ser perseguido pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, e já desistiu de uma disputa em 2025

Publicado em 26 de Fevereiro de 2025 às 03:45

Públicado em 

26 fev 2025 às 03:45
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Senador Marcos do Val (Podemos)
O senador Marcos do Val (Podemos) durante discurso no dia 1º de fevereiro Crédito: Geraldo Magela/Agência Senado
Em 2026, duas vagas no Senado vão estar em disputa no Espírito Santo, as hoje ocupadas por Fabiano Contarato (PT) e Marcos do Val (Podemos). O petista já afirmou que vai em busca de mais oito anos no cargo. Mas e Do Val? Vai tentar a reeleição? 
Nota enviada à coluna pela assessoria de imprensa do senador do Podemos diz que "isso é uma decisão dos capixabas, que o elegeram e que, no momento certo, dirão se querem que o senador siga representando o Espírito Santo".
O texto não explica como os capixabas manifestariam tal vontade.
"O senador Marcos do Val está sendo perseguido pelo ministro Alexandre de Moraes e censurado de forma notória, ilegal e inconstitucional, em clara violação ao artigo 53 da Constituição Federal", diz a nota.
 "Diante disso, se os capixabas quiserem que o parlamentar continue, é preciso que ele tenha garantias e ferramentas democráticas iguais às dos outros candidatos para disputar a eleição em condições justas e democráticas."
Do Val desistiu em cima da hora, por exemplo, de concorrer à presidência do Senado, no dia 1º de fevereiro. Alegou, justamente, que é "perseguido". 
De qualquer forma, a candidatura, nesse caso, não tinha nenhuma chance de prosperar, provavelmente o senador capixaba receberia apenas o voto dele mesmo. Do Val lançou-se como forma de "protesto" e renunciou à candidatura da mesma forma.
“A maior perseguição política da história partindo de um único ministro. Infelizmente com a conivência da Mesa do Senado, sou o único senador da história do Brasil que enquanto exerce seu mandato está censurado com redes sociais bloqueadas, salários bloqueados (…) Tive meu passaporte civil e diplomático suspenso”, discursou Do Val, no dia 1º.
Ele é investigado em inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF). 
Os episódios que levaram à abertura das investigações referem-se à suposta proposta que Do Val teria recebido do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para participar de uma tentativa de golpe de Estado — história que o próprio senador trouxe à tona e depois voltou atrás — e a ataques feitos a policiais federais nas redes sociais.
ELEIÇÃO DE 2018
Marcos do Val foi eleito para um cargo eletivo pela primeira vez em 2018 e já emplacou no Senado. Na época, estava filiado ao Cidadania e recebeu apoio do governador Renato Casagrande (PSB).
Recebeu 863.359 votos, superando os então senadores Magno Malta (PL) e Ricardo Ferraço (MDB). 
Do Val e Contarato, este com 1.117.036 votos, surfaram numa espécie de "onda da mudança" que empolgou os eleitores na reta final da campanha.
Após eleito, o ex-instrutor de técnicas de imobilização revelou-se simpático a Jair Bolsonaro. 
Embora tenha recusado o título de bolsonarista, endossou valores e projetos do então presidente da República e até trabalhou pela disseminação da cloroquina como "tratamento precoce" contra a Covid-19, uma bandeira de Bolsonaro sem lastro científico.
Ele migrou para o Podemos quando já estava no mandato e tentou ir para o PSDB, em setembro de 2023, após receber convite do senador tucano Izalci Lucas, mas a filiação foi barrada pela direção nacional do PSDB.
Então Do Val permaneceu no Podemos.
A coluna perguntou ao presidente estadual do partido, deputado federal Gilson Daniel, se o Podemos pretende lançar Do Val à reeleição:
"Não estamos discutindo 2026 ainda"
Gilson Daniel - Deputado federal e presidente estadual do Podemos
Via de regra, quem disputa a reeleição está em vantagem em relação aos concorrentes, até pela visibilidade que o cargo proporciona. Isso, entretanto, nem sempre funciona, a exemplo das derrotas de Ricardo e Magno em 2018.
Para Do Val, o desafio é ainda maior. A visibilidade que ele recebeu no mandato nem sempre foi positiva, já que se envolveu em muitas polêmicas, e agora ele não tem mais como se apresentar como "o novo", uma vez que terá quase oito anos de mandato no final de 2026.
Além disso, como o próprio senador ressaltou em discurso e na nota enviada à coluna, fazer campanha sem redes sociais e com as limitações impostas pelo Judiciário também é um complicador.
A CORRIDA
A linha de chegada está bem distante, mas já tem gente se aquecendo para a disputa de 2026. 
Já mencionei aqui Contarato, que vai disputar a reeleição. 
O PL, de acordo com o senador Magno Malta, presidente estadual do partido de Bolsonaro, pretende lançar o deputado federal Gilvan da Federal ao Senado, embora o próprio ex-presidente tenha declarado sua preferência pelo deputado federal Evair de Melo (PP), que também se movimenta.
Casagrande é outro que pode concorrer. Para isso, tem que renunciar ao mandato de governador no início de abril do ano que vem.

Veja a nota de Marcos do Val

O Senador está no pleno exercício do mandato e trabalhando muito por um País livre, justo e por um Espírito Santo mais desenvolvido. Em relação a ser candidato ou não a reeleição, isso é uma decisão dos capixabas, que o elegeram e que, no momento certo, dirão se querem que o senador siga representando o Espírito Santo. 

O senador Marcos do Val está sendo perseguido pelo ministro Alexandre de Moraes e censurado de forma notória, ilegal e inconstitucional, em clara violação ao artigo 53 da Constituição Federal. Diante disso, se os capixabas quiserem que o parlamentar continue, é preciso que ele tenha garantias e ferramentas democráticas iguais às dos outros candidatos para disputar a eleição em condições justas e democráticas.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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