Nota enviada à coluna pela assessoria de imprensa do senador do Podemos diz que "isso é uma decisão dos capixabas, que o elegeram e que, no momento certo, dirão se querem que o senador siga representando o Espírito Santo".
O texto não explica como os capixabas manifestariam tal vontade.
"O senador Marcos do Val está sendo perseguido pelo ministro Alexandre de Moraes e censurado de forma notória, ilegal e inconstitucional, em clara violação ao artigo 53 da Constituição Federal", diz a nota.
"Diante disso, se os capixabas quiserem que o parlamentar continue, é preciso que ele tenha garantias e ferramentas democráticas iguais às dos outros candidatos para disputar a eleição em condições justas e democráticas."
De qualquer forma, a candidatura, nesse caso, não tinha nenhuma chance de prosperar, provavelmente o senador capixaba receberia apenas o voto dele mesmo. Do Val lançou-se como forma de "protesto" e renunciou à candidatura da mesma forma.
“A maior perseguição política da história partindo de um único ministro. Infelizmente com a conivência da Mesa do Senado, sou o único senador da história do Brasil que enquanto exerce seu mandato está censurado com redes sociais bloqueadas, salários bloqueados (…) Tive meu passaporte civil e diplomático suspenso”, discursou Do Val, no dia 1º.
Ele é investigado em inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF).
Marcos do Val foi eleito para um cargo eletivo pela primeira vez em 2018 e já emplacou no Senado. Na época, estava filiado ao Cidadania e recebeu apoio do governador Renato Casagrande (PSB).
Recebeu 863.359 votos, superando os então senadores Magno Malta (PL) e Ricardo Ferraço (MDB).
Do Val e Contarato, este com 1.117.036 votos, surfaram numa espécie de "onda da mudança" que empolgou os eleitores na reta final da campanha.
Após eleito, o ex-instrutor de técnicas de imobilização revelou-se simpático a Jair Bolsonaro.
A coluna perguntou ao presidente estadual do partido, deputado federal Gilson Daniel, se o Podemos pretende lançar Do Val à reeleição:
"Não estamos discutindo 2026 ainda"
Gilson Daniel - Deputado federal e presidente estadual do Podemos
Via de regra, quem disputa a reeleição está em vantagem em relação aos concorrentes, até pela visibilidade que o cargo proporciona. Isso, entretanto, nem sempre funciona, a exemplo das derrotas de Ricardo e Magno em 2018.
Para Do Val, o desafio é ainda maior. A visibilidade que ele recebeu no mandato nem sempre foi positiva, já que se envolveu em muitas polêmicas, e agora ele não tem mais como se apresentar como "o novo", uma vez que terá quase oito anos de mandato no final de 2026.
Além disso, como o próprio senador ressaltou em discurso e na nota enviada à coluna, fazer campanha sem redes sociais e com as limitações impostas pelo Judiciário também é um complicador.
A CORRIDA
A linha de chegada está bem distante, mas já tem gente se aquecendo para a disputa de 2026.
Já mencionei aqui Contarato, que vai disputar a reeleição.
O PL, de acordo com o senador Magno Malta, presidente estadual do partido de Bolsonaro, pretende lançar o deputado federal Gilvan da Federal ao Senado, embora o próprio ex-presidente tenha declarado sua preferência pelo deputado federal Evair de Melo (PP), que também se movimenta.
Casagrande é outro que pode concorrer. Para isso, tem que renunciar ao mandato de governador no início de abril do ano que vem.
Veja a nota de Marcos do Val
O Senador está no pleno exercício do mandato e trabalhando muito por um País livre, justo e por um Espírito Santo mais desenvolvido. Em relação a ser candidato ou não a reeleição, isso é uma decisão dos capixabas, que o elegeram e que, no momento certo, dirão se querem que o senador siga representando o Espírito Santo.
O senador Marcos do Val está sendo perseguido pelo ministro Alexandre de Moraes e censurado de forma notória, ilegal e inconstitucional, em clara violação ao artigo 53 da Constituição Federal. Diante disso, se os capixabas quiserem que o parlamentar continue, é preciso que ele tenha garantias e ferramentas democráticas iguais às dos outros candidatos para disputar a eleição em condições justas e democráticas.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.