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Marina Silva x Evair: "O senhor tem dificuldade de ouvir uma mulher"

Ministra do Meio Ambiente participou de audiência pública na Câmara dos Deputados e afirmou que respondeu aos questionamentos do parlamentar, mas ele não ouviu porque "estava no telefone". "Eu estava anotando", rebateu Evair de Melo (PP), à coluna

Publicado em 31 de Agosto de 2023 às 14:07

Públicado em 

31 ago 2023 às 14:07
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e o deputado federal Evair de Melo
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e o deputado federal Evair de Melo Crédito: Will Shutter e Zeca Ribeiro/ Câmara dos Deputados
O clima esquentou na audiência pública da Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, em Brasília, na quarta-feira (30). A reunião, com participação da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), durou cerca de quatro horas. No finalzinho, foi a vez de o parlamentar capixaba Evair de Melo (PP) fazer perguntas à redista. 
Após as respostas da ministra, Evair usou o microfone para lembrar à titular do Meio Ambiente que ela não havia falado sobre o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) do governo Lula (PT).
No que Marina Silva rebateu, de pronto: "Eu falei. O senhor estava no telefone e não escutou. Mas eu relevo porque sei que o senhor tem dificuldade de ouvir uma mulher".
Como de praxe, um curto trecho da audiência foi recortado e publicado nas redes sociais. Pegou mal para Evair.
A coluna assistiu ao trecho todo. Não, não às quatro horas da audiência, mas à integra das perguntas do deputado e à integra da resposta da ministra. Ainda assim, ficou ruim para o capixaba. Veja o vídeo alguns parágrafos abaixo.
Evair começou chamando de "infeliz" uma declaração da ministra a respeito do "ogronegócio", algo que ela havia dito não nesta quarta, mas meses atrás, em outra ocasião, na Câmara.
Ogro é um ser do folclore europeu, uma espécie de monstro ou bicho-papão, uma figura rude que, na maioria das histórias, não é o mocinho. O filme Shrek é uma exceção.
Marina usou "ogro" no lugar de "agro" para criticar parte do agronegócio brasileiro.
Ela já havia sido interpelada pela senadora e ex-ministra da Agricultura do governo Jair Bolsonaro (PT) Tereza Cristina (PP), há três meses, sobre o assunto. E por Evair também, em maio. Mas o deputado do Espírito Santo o fez mais uma vez e pediu que ela se retratasse.
"A senhora deixou muitas lágrimas no nosso coração, em relação à palavra 'ogronegócio'"
Evair de Melo (PP) - Deputado federal
"Quando eu falei a palavra 'ogronegócio' eu me referia a 2% ou 3%, os que praticam crimes ambientais graves e que tisnam cerca de 98% dos proprietários que fazem certo. Aqueles que se doem pelos que fazem errado e se identificam com eles têm todo o direito de fazê-lo", respondeu Marina, sem elevar a voz, mas numa evidente provocação a Evair de Melo.
"Eu usei apenas uma metáfora. Não tenho que me desculpar por ter feito uma metáfora (...) Eu não generalizei e não vou retirar que existem cerca de 3% que fazem muito mal ao agronegócio brasileiro", completou a ministra do Meio Ambiente.
Realmente, como se vê aqui, na primeira vez que citou o "ogronegócio", Marina falou que "uma boa parte já está fazendo o dever de casa" e que "a parte que não faz contamina todo o resto".
O deputado do Espírito Santo também afirmou, nesta quarta, que o Ministério do Meio Ambiente não tem atuado de forma agressiva, no sentido de impetuosidade, em relação à poluição provocada pela falta de saneamento básico.
E questionou Marina sobre o motivo de o governo Lula ser contra o uso de dinheiro privado no saneamento, uma vez que é favorável quando outros investimentos estão em questão. 
Para completar, Evair quis saber se a ministra foi consultada e se participou efetivamente da elaboração do PAC. "Porque anunciar a obra sem consultar o Meio Ambiente me parece uma irresponsabilidade para essa obra acontecer", salientou o parlamentar.
Marina respondeu: "Em relação a se nós fomos ouvidos no processo do PAC, o PAC é elaborado pela Casa Civil, mas conta com participação de todos os 37 ministérios".
"Agora, o fato de ter conversado não quer dizer que já tem uma licença ambiental. Porque, nos governos republicanos, as licenças não são dadas em conversas fora do devido processo legal, que é apresentar o estudo de impacto ambiental, que é o Ibama apresentar, no tempo certo, o termo de referência para a licença prévia, a licença de operação, a de instalação. São processos administrativos. (Conversar entre os ministérios) ajuda? Com certeza. Mas isso não significa que há uma irresponsabilidade se a licença não foi dada na conversa entre ministros. Não é assim que funciona, para quem entende do riscado", complementou a ministra.
Quando Marina Silva terminou de responder aos deputados, Evair usou o microfone para pedir para ela falar sobre o PAC. Foi aí que ela ressaltou que já havia falado e o deputado não ouviu, pois estava no telefone.
O parlamentar do Espírito Santo retrucou, com um assunto meio aleatório: "Fugiu do Amapá, do Acre, desculpa, do seu estado, foi para São Paulo, não mora nas suas origens".
Marina é do Acre, mas foi eleita deputada federal em 2022 por São Paulo. O microfone de Evair foi cortado logo em seguida porque, pelas regras da audiência pública, não era hora de ele falar. A coluna conseguiu entender que ele disse "A senhora vem me atacar de novo?".
"EU ESTAVA ANOTANDO"
Em conversa com a coluna na manhã desta quinta-feira (31), Evair afirmou que a ministra pensou que ele estivesse distraído ao telefone, mas, nada verdade, apenas anotava no aparelho o que ela estava dizendo. "E ela não respondeu o que eu perguntei", criticou.
Lembrado pela coluna que a ministra havia respondido ao questionamento sobre o PAC,  deputado afirmou que ela "fugiu do tema da pergunta".
Como registrado neste texto, Evair perguntou se a ministra e se o Ministério do Meio Ambiente foram consultados, pois, do contrário, seria uma "irresponsabilidade". Ela respondeu que todos os ministérios foram ouvidos, mas que isso não significa uma licença ambiental prévia para as obras constantes no programa.
"E ela não respondeu sobre o saneamento básico". Isso é verdade. "Aí cortaram meu microfone e não pude formular a pergunta sobre o PAC e o saneamento".
"Eu serei relator da comissão de fiscalização do PAC", adiantou Evair, que integra a oposição ao governo.
LACRAÇÃO
Em maio, quando Marina Silva criticou o "ogronegócio" pela primeira vez em audiência na Câmara, Evair a acusou de querer "lacrar", ou seja, chamar a atenção nas redes sociais. "Desculpa, deputado. Mas eu sou uma mulher preta, pobre, que chegou aqui porque ralou muito, não porque lacrou", rebateu Marina, ainda naquele mês. Foi aplaudida. Evair, na ocasião, disse também ser de origem pobre.
Ao resgatar a história nesta quarta, Evair, provavelmente, também quis "lacrar". Em resumo, muito do que se vê em reuniões, sessões e audiências no parlamento brasileiro, seja nacional, seja local, é de caso pensado para pinçar um trecho e postar depois. Só que, às vezes, o tiro sai pela culatra.
PP NO GOVERNO LULA
O partido de Evair de Melo, o Progressistas, está com um pé no governo federal, vai ganhar cargos. Como contrapartida, a articulação política de Lula espera que a sigla entregue votos favoráveis no Congresso Nacional. O famoso toma lá, dá cá.
Evair sustentou, em conversa com a coluna, que o PP não vai integrar a base governista. Apenas alguns deputados vão se alinhar aos petistas. E ele não está entre esses parlamentares: "Oficialmente, o partido não vai para o governo. Isso é decisão de cada deputado. Temos um grupo (do PP) que está na oposição".

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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