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Eleições 2022

Na corrida pelo governo do ES, Casagrande joga parado, mas nem tanto

Adversários disparam críticas, como "governo de papel" e "letra Z" da fome

Publicado em 13 de Junho de 2022 às 11:09

Públicado em 

13 jun 2022 às 11:09
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Governador Renato Casagrande visitando a TecnoAgro
Governador Renato Casagrande visitando a TecnoAgro Crédito: Fernando Madeira
Em vantagem na corrida pelo Palácio Anchieta, ao menos pelo que demonstrou a pesquisa Ipec divulgada em maio, o governador Renato Casagrande (PSB) joga parado, publicamente, na corrida pela reeleição.
Ele somente vai se dizer pré-candidato no início de julho, conforme afirmou à coluna, e evita entrar em embate com adversários. Rebate apenas pontualmente a algumas críticas, como fez ao ironizar um recente comentário do ex-prefeito de Linhares Guerino Zanon (PSD).
Joga parado apenas, frise-se, no discurso. O governador tem cumprido uma agenda acelerada, principalmente no interior do estado, realizando inaugurações, assinando ordens de serviço e afins.
Aliás, a partir de julho quem pretende disputar a eleição não pode participar de inaugurações de obras públicas, por imposição da legislação eleitoral.
Por enquanto, Casagrande evita um debate aberto sobre os feitos ou os não feitos da gestão estadual, o que pode ser vantajoso, uma vez que a estratégia da oposição é justamente essa. 
E ele ainda surfa na vantagem percentual das intenções de voto. Apareceu com 42% na pesquisa Ipec, no recorte estimulado, contra 11% dos segundos colocados, o senador Fabiano Contarato (PT) e o ex-deputado Carlos Manato (PL).
Isso, no entanto, pode mudar quando a campanha começar pra valer. Como é de praxe, os eleitores somente se atentam para o pleito na reta final.
Como já mencionado, Casagrande, nas entrelinhas, está se movimentando. Ele trabalha, nos bastidores, para ampliar a heterogênea aliança partidária que o sustenta, indo do PP bolsonarista ao flerte com o PT do ex-presidente Lula.
Além disso, é disputado por pré-candidatos ao Senado que querem seu apoio. Estão nessa a senadora Rose de Freitas (MDB), o deputado federal Da Vitória (PP) e o ex-secretário de Segurança Pública coronel Alexandre Ramalho (Podemos). 
Por fora, corre o PT, se realmente se aliar ao socialista. O ex-reitor da Ufes Reinaldo Centoducatte e a ex-secretária de Educação de Cariacica Célia Tavares estão no páreo pelo Senado no lado petista.
Já os adversários disparam petardos contra o governo, alguns começaram a fazer isso até mesmo antes de o ano eleitoral começar, como Manato.
E penam para encontrar apoios de peso. A maioria dos partidos está com Casagrande, assim como a maior parte dos prefeitos.
Há quem duvide que esse clima de parceria se estenda aos eleitores, num futuro próximo.
O deputado Felipe Rigoni (União Brasil), por exemplo, avalia que, após iniciada a campanha, as alianças oficiais não vão bastar para o governador. Claro que essa é a avaliação de um adversário. Rigoni também é pré-candidato ao Palácio, apareceu com 2% no Ipec.
O parlamentar tem feito críticas à administração estadual, como cabe à oposição, e também propostas, como a privatização da Cesan e do Banestes, ainda que este último não esteja na lista de prioridades.
Ele bate na tecla de que Casagrande tem um "governo de papel", que só assina partes de inaugurações de obras e serviços, sem critérios técnicos.
O presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso (Republicanos), outro pré-candidato, divulgou vídeo de um discurso em que compara a nota A do governo no Tesouro Nacional, o que confere um selo de boa gestão fiscal, ao que chamou de "letra Z": "Quinhentos mil capixabas não sabem o que vão comer no dia de amanhã".
A fome tem assolado todo o país, assim como o aumento dos preços dos alimentos e do gás de cozinha, outro ponto mencionado por Erick. Esses problemas ocorrem, claro, no Brasil de Jair Bolsonaro (PL), apoiado pelo Republicanos, mas o presidente da Assembleia questionou o que o governo estadual, que tem dinheiro, vai fazer a respeito.
Com 3% de intenções de voto no Ipec, Erick ficou sem resposta de Casagrande, assim como, via de regra, os demais adversários.
Convenhamos, por que o governador responderia a pré-candidatos que patinam nas pesquisas? É provável que, em algum momento, alguns desses nomes decidam apoiar uns aos outros, reduzindo o número de postulantes ao Palácio.
A fome, a (in) segurança pública e problemas pontuais na saúde, como o caso Kevinn Belo, viram munição disparada contra o governo.
Resta saber quanto estrago vão fazer quando passarem a reverberar para o grande público.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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