Em vantagem na corrida pelo Palácio Anchieta, ao menos pelo que demonstrou a pesquisa Ipec divulgada em maio, o governador
Renato Casagrande (PSB) joga parado, publicamente, na corrida pela reeleição.
Joga parado apenas, frise-se, no discurso. O governador tem cumprido uma agenda acelerada, principalmente no interior do estado, realizando inaugurações, assinando ordens de serviço e afins.
Aliás, a partir de julho quem pretende disputar a eleição não pode participar de inaugurações de obras públicas, por imposição da legislação eleitoral.
Por enquanto, Casagrande evita um debate aberto sobre os feitos ou os não feitos da gestão estadual, o que pode ser vantajoso, uma vez que a estratégia da oposição é justamente essa.
Isso, no entanto, pode mudar quando a campanha começar pra valer. Como é de praxe, os eleitores somente se atentam para o pleito na reta final.
Como já mencionado, Casagrande, nas entrelinhas, está se movimentando. Ele trabalha, nos bastidores, para ampliar a heterogênea aliança partidária que o sustenta, indo do PP bolsonarista ao
flerte com o PT do ex-presidente Lula.
Além disso, é
disputado por pré-candidatos ao Senado que querem seu apoio. Estão nessa a senadora Rose de Freitas (MDB), o deputado federal Da Vitória (PP) e o ex-secretário de Segurança Pública coronel Alexandre Ramalho (Podemos).
Por fora, corre o PT, se realmente se aliar ao socialista. O ex-reitor da Ufes Reinaldo Centoducatte e a ex-secretária de Educação de Cariacica Célia Tavares estão no páreo pelo Senado no lado petista.
Já os adversários disparam petardos contra o governo, alguns começaram a fazer isso até mesmo antes de o ano eleitoral começar, como Manato.
E penam para encontrar apoios de peso. A maioria dos partidos está com Casagrande, assim como a maior parte dos prefeitos.
Há quem duvide que esse clima de parceria se estenda aos eleitores, num futuro próximo.
O deputado
Felipe Rigoni (União Brasil), por exemplo, avalia que, após iniciada a campanha, as alianças oficiais não vão bastar para o governador. Claro que essa é a avaliação de um adversário. Rigoni também é pré-candidato ao Palácio, apareceu com 2% no Ipec.
Ele bate na tecla de que Casagrande tem um "governo de papel", que só assina partes de inaugurações de obras e serviços, sem critérios técnicos.
O presidente da Assembleia Legislativa,
Erick Musso (Republicanos), outro pré-candidato, divulgou vídeo de um discurso em que compara a nota A do governo no Tesouro Nacional, o que confere um selo de boa gestão fiscal, ao que chamou de "letra Z": "Quinhentos mil capixabas não sabem o que vão comer no dia de amanhã".
A fome tem assolado todo o país, assim como o aumento dos preços dos alimentos e do gás de cozinha, outro ponto mencionado por Erick. Esses problemas ocorrem, claro, no Brasil de
Jair Bolsonaro (PL), apoiado pelo Republicanos, mas o presidente da Assembleia questionou o que o governo estadual, que tem dinheiro, vai fazer a respeito.
Com 3% de intenções de voto no Ipec, Erick ficou sem resposta de Casagrande, assim como, via de regra, os demais adversários.
Convenhamos, por que o governador responderia a pré-candidatos que patinam nas pesquisas? É provável que, em algum momento, alguns desses nomes decidam apoiar uns aos outros, reduzindo o número de postulantes ao Palácio.
A fome, a (in) segurança pública e problemas pontuais na saúde, como
o caso Kevinn Belo, viram munição disparada contra o governo.
Resta saber quanto estrago vão fazer quando passarem a reverberar para o grande público.