"Não vou politizar nada", diz novo secretário estadual de Saúde
Entrevista
"Não vou politizar nada", diz novo secretário estadual de Saúde
O deputado estadual licenciado Tyago Hoffmann (PSB) é aliado de primeira hora do governador Casagrande e contou à coluna qual foi a missão recebida ao ser convidado para comandar a Sesa
Publicado em 04 de Janeiro de 2025 às 07:17
Públicado em
04 jan 2025 às 07:17
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Tyago Hoffmann (PSB) em sessão da Assembleia LegislativaCrédito: Lucas S. Costa
O deputado estadual licenciado Tyago Hoffmann (PSB) foi nomeado, na sexta-feira (3), secretário estadual de Saúde, substituindo Miguel Duarte Neto, que passou a ser diretor de operações da Fundação Estadual de Inovação em Saúde (Inova).
Hoffmann é aliado de primeira hora do chefe do Executivo, foi eleito, em 2022, para o primeiro mandato na Assembleia Legislativa e tem um histórico de cargos exercidos na gestão estadual. Foi secretário de Inovação e Desenvolvimento Econômico, da Casa Civil, de Governo, além de subsecretário para Assuntos Administrativos e Financeiros na Secretaria de Saúde.
É economista e tem mestrado na área, mas é a relação política com Casagrande que chama a atenção. O deputado é um dos articuladores do governador e deve continuar, nos bastidores, a exercer influência.
Na noite de sexta-feira (3), após o primeiro dia de trabalho oficial na Sesa, Hoffmann concedeu entrevista à coluna. O secretário destacou ter atuação técnica, "um técnico com mandato, como já disse o governador", mas o próprio Hoffmann revelou, em outras palavras, que sua faceta política foi determinante para a escolha dele para o cargo.
"O governador me convidou para a secretaria com o objetivo de dar mais visibilidade ao trabalho. O Miguel fez um trabalho muito bom, com muitos resultados, mas a secretaria pode ganhar mais destaque, politicamente", afirmou o secretário.
Em 2026, Hoffmann deve disputar as eleições, provavelmente, para o cargo de deputado federal. Nesse caso, ele vai ter que deixar a secretaria em abril do ano que vem, como exige a legislação eleitoral.
À frente da Sesa, ele pode angariar notoriedade para si mesmo, para o bem ou para o mal (quem geriu órgãos de saúde pública durante a pandemia de Covid-19 sabe que é uma faca de dois gumes).
Em 2026, outro cargo relevante vai estar em disputa, o de governador do estado, e Casagrande esforça-se desde já para garantir um cenário favorável a um aliado na corrida.
O vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) é uma das apostas como o candidato a ser apoiado pelo socialista.
Ter resultados a apresentar em uma área sensível como a saúde pode ser um fator de peso no pleito.
Confira a entrevista:
Por que o governador fez esta mudança na Sesa? Qual foi o argumento ou a missão que ele lhe deu ao fazer o convite para assumir a pasta?
O governador me convidou para a secretaria com o objetivo de dar mais visibilidade ao trabalho. O Miguel fez um trabalho muito bom, com muitos resultados, tanto que não vou mexer na equipe.
Mas a secretaria pode ganhar mais destaque, politicamente. Ela oferta muitos serviços, mas, muitas vezes, não tem a visibilidade que poderia ter.
O volume de entregas para 2025 é grande. O objetivo é dar mais velocidade e mais visibilidade.
A diretriz, por exemplo, é ampliar o acesso a consultas e exames especializados e diminuir a fila de cirurgias eletivas, o que já está sendo feito.
O senhor já havia manifestado o interesse de assumir uma secretaria no governo estadual, certo? A Sesa já estava no radar?
Eu fui mal interpretado (em declarações recentes). Não manifestei o desejo de ser secretário, disse apenas que estava à disposição, faço parte do grupo político do governador, sou um soldado.
Eu não esperava o convite para a Secretaria de Saúde, mas é um desafio grande que eu não tinha como recusar.
O governador fez o convite na sexta (27) ou no sábado (28) passado.
O senhor vai ser candidato nas eleições de 2026? Nesse caso, teria que deixar de ser secretário em abril do ano que vem, ou seja, seria mais uma mudança no comando da Sesa em pouco tempo. Isso foi considerado?
Em 2026, o projeto é ser candidato a deputado federal, sim, mas vou decidir isso no tempo certo. Meu foco, agora, é gestão.
Eu teria que sair no início de abril e isso foi considerado, sim. Mas, veja, saiu o Miguel, mas continuam todos os subsecretários e superintendentes. A secretaria não é do Miguel nem do Tyago, é da população e quem traça a diretriz é o governador.
A Secretaria Estadual de Segurança Pública, por exemplo, já trocou de secretário algumas vezes e o trabalho continua o mesmo. Vai ser a mesma coisa na Saúde.
A escolha do seu nome para o cargo causou alguma surpresa, já que, normalmente, nos governos Casagrande mesmo, os titulares da pasta foram pessoas mais técnicas, com mais ligação com a área da saúde e mais "low profile". Mas, pelo que o senhor disse aqui na entrevista, o objetivo era justamente mudar isso, colocar alguém que desse mais visibilidade...
Essa é uma distinção equivocada, de que eu não sou um técnico. Sou economista, trabalhei mais de dez anos como consultor de empresas, fui subsecretário de Saúde e secretário de outras pastas.
Jamais imaginei que exerceria um mandato, sou um técnico. Um técnico com mandato, como disse o governador.
Modéstia à parte, minha capacidade de gestão já foi comprovada. Eu criei a universidade estadual, por exemplo, sob o comando do governador, apresentei o projeto para ser implementado.
Mas não há o risco de politização da Secretaria de Saúde?
Não vou politizar nada. Não tenho preconceito contra a política, não vou politizar no mau sentido, vou apenas divulgar o trabalho da secretaria. O tempo vai mostrar os resultados.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.