A janela partidária, que permite que deputados troquem de partido sem risco de perder o mandato, ainda não acabou, segue até dia 1º de abril, mas o PL, partido do presidente
Jair Bolsonaro, já é o que tem a maior bancada na Câmara Federal. Conseguiu atrair novos quadros desde o início desse período, em 3 de março, e conta com 63 deputados federais, à frente do PT (54) e do União Brasil (53).
Bolsonaristas, principalmente, migraram para o PL por causa do presidente da República. No Espírito Santo, no entanto, o partido não agregou deputados federais.
Soraya Manato, aliada de Bolsonaro e então filiada ao PSL, que formou o União Brasil junto com o DEM, foi para o PTB.
Ela e o ex-deputado federal
Carlos Manato bem que tentaram vagas no PL, mas após certo adiamento, apenas o ex-parlamentar chegou a se filiar. Ele é pré-candidato ao governo do Espírito Santo.
Para Soraya, não havia espaço no PL. Foi essa a resposta do presidente da sigla no estado, o ex-senador Magno Malta. Mas por que a legenda não acompanha o boom nacional de filiações de deputados com mandato?
"Magno é uma pessoa de palavra. E ele tinha dado a palavra aos pré-candidatos (do PL) que não levaria ninguém com mandato para lá. Foi um compromisso que ele tinha antes de Bolsonaro ir para o PL. Ele falou que não tinha vaga para a Soraya e respeitamos isso", contou Carlos Manato.
"O Magno, desde que o presidente anunciou que iria para o PL, nunca abriu a hipótese de alguém ir para o PL. Magno se posicionou radicalmente contra receber gente com mandato", reforça outro deputado da base de Bolsonaro,
Evair de Melo (PP).
"Não tenho dificuldade porque, possivelmente, o (ministro) Braga Netto vai se filiar ao PP e deve ser vice de Bolsonaro, o partido nacionalmente caminha com Bolsonaro", emendou Evair.
Aliás, o PP, em vez do PL, pode virar o novo nicho de bolsonaristas no Espírito Santo. Convites para filiações foram feitos a
Norma Ayub (União Brasil) e
Neucimar Fraga (PSD), dois deputados federais.
Norma deve sair do União Brasil em meio à debandada de parlamentares depois que o deputado
Felipe Rigoni assumiu o comando estadual da legenda. Já Neucimar também pode sair do PSD, partido que ele mesmo preside.
Os arranjos para a montagem de chapas para deputado federal estão difíceis após o fim das coligações. "É preciso alcançar 180 mil votos, tendo 11 candidatos, sendo quatro mulheres. Não há muitas mulheres no mercado político que alcancem mais de 20 mil votos. Homem também está difícil, então é uma engenharia complicada", comenta Evair de Melo.
Como, então, Magno tem montado a chapa do PL? Eis o mistério. "Ele deve ter uma carta na manga", aposta Evair.
Se tiver, o PL do Espírito Santo pode ajudar a ampliar a bancada do partido nacionalmente a partir de 2023.
Felipe Rigoni também vai ter que tirar várias cartas da manga para montar chapas de deputado federal e estadual, mas ele diz que já está tudo resolvido.
Quem quiser disputar a eleição tem que estar filiado ao partido pelo qual pretende concorrer até o dia 2 de abril. É uma corrida contra o tempo.