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Novo secretário de Segurança do ES: os nomes e as tensões sobre a mesa de Casagrande

Coronel Alexandre Ramalho deixou a função para definir destino partidário e eleitoral. Entre os possíveis sucessores dele, há um delegado da Polícia Federal

Publicado em 02 de Fevereiro de 2024 às 10:23

Públicado em 

02 fev 2024 às 10:23
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social do ES, SESP
Sede da Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social do Espírito Santo (Sesp), em Vitória Crédito: Fernando Madeira
Após a saída do coronel Alexandre Ramalho, o governador Renato Casagrande (PSB) deve anunciar em breve — ainda nesta sexta-feira (2) ou nos próximos dias — o nome do novo secretário estadual de Segurança Pública. O cargo é emblemático, uma vez que trata de uma área sensível para a população, lida com demandas e vaidades das polícias Militar e Civil e ainda pode servir de trampolim político para o titular da pasta.
De acordo com o que a coluna apurou, o próximo secretário não deve ser um coronel da PM. Na Polícia Civil, há um desconforto com o fato de a corporação responder a um militar desde 2020 — Ramalho, coronel Márcio Celante Weolffel e Ramalho novamente. Além disso, há reivindicação de delegados por reajuste, ou recomposição, salarial, o que deixa o clima mais tenso.
Casagrande, porém, tampouco quer estabelecer um "rodízio" entre integrantes da PC e da PM no comando da Secretaria de Segurança, pois assim teria menos margem de manobra para escolher alguém com o perfil adequado para a Sesp.
Dentro da Polícia Civil nem há consenso sobre qual nome seria esse. O delegado Fabrício Araújo Dutra, titular da Superintendência de Polícia Regional Norte (SPRN), é uma aposta, mas não uma certeza.
Nesse contexto, surgiu o nome de outro delegado, que não é da Polícia Civil. Trata-se do superintendente da Polícia Federal no Espírito Santo, Eugênio Ricas.
Ele já foi secretário estadual de Justiça, (2013- 2014) no primeiro governo Casagrande, e de Controle e Transparência (2015-2018), sob a gestão de Paulo Hartung.
Além da passagem pela administração hartunguista — o ex-governador, a partir de 2014, tornou-se adversário do atual chefe do Executivo —, Ricas, em 2022, ensaiou lançar candidatura ao Palácio Anchieta pelo PSD.
O delegado nem chegou a se filiar ao partido, tomou uma "rasteira" do próprio PSD que, nos bastidores, enquanto tentava atrair o integrante da PF, negociava lançar, no lugar dele, o então prefeito de Linhares, Guerino Zanon, ao governo. 
Desde então, o delegado diz a pessoas próximas que se desiludiu, que o episódio foi "um livramento" e nem cogita aventurar-se novamente na política partidária.
É a possibilidade contrária que ergue sobrancelhas no governo Casagrande. Como titular da Sesp, Ricas poderia se cacifar para disputar as eleições de 2026.
O governador não vai, pois nem pode, tentar a reeleição, mas quer fazer o sucessor. O nome a ser apoiado por ele não está escolhido e casagrandistas temem que o delegado da PF se sobressaia. Ricas poderia ser o escolhido do próprio Casagrande, a depender do humor dos eleitores daqui a quase três anos, aí tudo bem. Mas se o socialista preferisse outro aliado, as coisas poderiam se complicar. 
"Chance zero", diz uma pessoa próxima ao superintendente da PF quando a coluna questionou sobre eventuais planos eleitorais do delegado. 
Ricas está à frente da Polícia Federal no Espírito Santo há dois anos e meio. Exerceu a função, portanto, sob os governos Jair Bolsonaro (PL) e Lula (PT).
A relação entre o superintendente e o governo Casagrande é institucional e cortês. Num passado recente, houve rusgas, como quando a Sesp se recusou a designar policiais para atuar na força-tarefa de combate ao crime criada pela PF. O temor do governo, na época, era que Ricas usasse o grupo como trampolim político.
Isso ficou para trás e, hoje, as corporações estaduais integram a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO/ES).
Em tempo: dois integrantes da Polícia Federal já estão no primeiro escalão do governo Casagrande, o secretário de Planejamento, Álvaro Duboc, delegado aposentado da corporação, e o novo secretário de Justiça, Rafael Pacheco, que é agente da PF.
O ESTILO "RAMALHÃO"
Uma questão que pesa na escolha do novo secretário de Segurança e na decisão de quem for sondado de aceitar ou não assumir o cargo é o estilo de gestão esperado por Casagrande.
Entre janeiro de 2019 e abril de 2020, o titular da pasta foi Roberto Sá, delegado da PF e ex-secretário da área no Rio de Janeiro. Em março de 2020, houve aumento no número de homicídios no Espírito Santo e sá foi retirado do cargo pelo governador.
Mas não foram apenas os números o motivo da saída. O carioca tinha um estilo mais técnico e comedido, menos midiático. Para o lugar dele, Casagrande escolheu o coronel Alexandre Ramalho. 
Sob Ramalho, a taxa de homicídios manteve-se em queda, assim como portas de locais em que a polícia cumpriu mandados judiciais. Ele mesmo chutava as portas e deixava-se filmar, para posterior postagem nas redes sociais. O estilo "Ramalhão" fez sucesso com parte do público e turbinou o militar da reserva da Polícia Militar para uma eventual candidatura.
Coronel Alexandre Ramalho observa o fuzil israelense IWI Arad
Coronel Alexandre Ramalho observa o fuzil israelense IWI Arad Crédito: Divulgação/Sesp
Filiado ao Podemos, ele é considerado um possível candidato à Prefeitura de Vitória ou, mais provavelmente, de Vila Velha. Saiu da Sesp, justamente, para poder se articular politicamente e decidir o destino partidário e eleitoral.
E há mais coisas em jogo. O futuro secretário estadual de Segurança Pública vai ter autonomia para definir os ocupantes dos cargos de delegado-geral da Polícia Civil e comandante-geral da Polícia Militar?
O coronel Douglas Caus, por exemplo, é o mais longevo comandante-geral da PMES desde a redemocratização e tem prestígio com Casagrande.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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