Presidente nacional do partido, Marconi Perillo, esteve no ES. Ele deu poderes ao grupo de Max Filho na cidade canela-verde, contrariando o PSDB estadual
Publicado em 02 de Abril de 2024 às 02:20
Públicado em
02 abr 2024 às 02:20
Colunista
Letícia Gonçalves
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Maurício Gorza e Max Filho durante encontro do PSDB-ES nesta segunda-feira (1º)Crédito: Letícia Gonçalves
Quando afirmou à coluna, no último dia 21 de março, que não iria concorrer à Prefeitura de Vila Velha, o ex-prefeito Max Filho (PSDB) avisou que "defenderia com a nacional", com a Executiva nacional dos tucanos, que o partido lançasse um candidato na cidade. E já tinha até o nome definido, o do ex-vereador Maurício Gorza. O problema é que, para isso, "a nacional" teria que passar por cima da vontade da direção estadual do PSDB, comandada pelo deputado estadual Vandinho Leite.
O diretório municipal da sigla até então era próximo do atual prefeito, Arnaldinho Borgo (Podemos), e, naturalmente, apoiaria a reeleição dele. Não se Max pudesse evitar.
Perillo citou, no texto, "indícios de violações estatutárias e normativas" em relação à formação do diretório municipal e tratou a escolha dos integrantes do grupo como "suposta eleição", uma vez que, ainda segundo a resolução, "o órgão estadual do PSDB do Espírito Santo" registrou a instância municipal no sistema da Justiça Eleitoral somente 30 dias após a eleição interna, a "suposta".
Assim, o presidente nacional do PSDB suspendeu as atribuições do diretório do PSDB de Vila Velha por 180 dias e designou uma Comissão Interventora para comandar a legenda na cidade. O presidente do colegiado é ninguém mais ninguém menos que Maurício Gorza.
O também deputado estadual Mazinho dos Anjos, membro do diretório estadual, chegou a divulgar nota em que repudiou "a interferência indevida da Executiva nacional", considerada por ele "profundamente lamentável".
E lá estavam, sorridentes e respondendo a perguntas da imprensa, Perillo, Vandinho e Mazinho, além de Luiz Paulo, claro, que não tem nada a ver com a treta de Vila Velha.
Na primeira fileira do evento, na plateia e de frente para a mesa composta pelo presidente nacional, Vandinho e companhia, estavam Max Filho e Maurício Gorza, ainda mais sorridentes.
Pela manhã, antes do encontro, o ex-prefeito provocou, em conversa com a coluna:
"Intervenção nos olhos dos outros é refresco"
Max Filho (PSDB) - Ex-prefeito de Vila Velha
"No passado, destituíram um companheiro nosso (do PSDB de Vila Velha). Agora, o jogo está empatado", complementou Max.
Mas como vai ser isso, na prática? O PSDB municipal vai lançar um candidato a prefeito de Vila Velha à revelia do PSDB estadual? E a Executiva nacional vai chancelar?
Emilio Mamieri, Vandinho Leite, Marconi Perillo, Mazinho dos Anjos e Luiz Paulo Vellozo LucasCrédito: Letícia Gonçalves
Marconi Perillo respondeu a essas questões durante entrevista coletiva na Assembleia Legislativa do Espírito Santo na noite desta segunda e tentou sair pela tangente.
"Max Filho foi deputado federal pelo PSDB, é uma pessoa querida na bancada. Certamente, ele teve seus motivos para reivindicar a liderança do PSDB de Vila Velha e, se o partido é dele, se ele vai dirigir o partido, é claro que ele vai ter a primazia de discutir essa questão (a candidatura própria do PSDB à prefeitura), no momento certo, sem, é claro, deixar de considerar a presidência estadual, o deputado Vandinho e o deputado Mazinho", afirmou o presidente nacional dos tucanos.
Vandinho, por sua vez, disse que vai "entender e respeitar" a decisão da nacional sobre Vila Velha, mas se disse preocupado "com o resultado eleitoral na cidade".
"É uma discussão eleitoral preocupante. Posso estar errado, acho que não estou"
Vandinho Leite - Deputado estadual e presidente do PSDB-ES
O presidente do PSDB-ES garantiu que não vai acionar o Judiciário contra a intervenção no PSDB de Vila Velha. Mas outras pessoas, os integrantes do diretório destituído, podem fazê-lo.
Nada garante que a novela tenha chegado ao fim.
De uma forma ou de outra, o PSDB vai dividido para uma eleição duríssima, que tem no páreo Arnaldinho Borgo, Coronel Ramalho (PL) e um nome a ser lançado pelo PT.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.