O debate sobre a segurança pública no ES: de "filhos da mãe" a "bateu o desespero"
Casagrande x oposição
O debate sobre a segurança pública no ES: de "filhos da mãe" a "bateu o desespero"
Ano pré-eleitoral e casos escabrosos de violência colocam o problema em evidência, talvez não da maneira que deveria ocorrer
Publicado em 24 de Outubro de 2021 às 02:00
Públicado em
24 out 2021 às 02:00
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Viaturas e policiais militares no Quartel do Comando Geral da Polícia Militar, em VitóriaCrédito: Helio Filho/Secom ES
Enquanto virtuais opositores e opositores virtuais tecem críticas à estratégia de segurança pública no Espírito Santo – na maioria das vezes apenas genericamente – , o governador Renato Casagrande (PSB) lança diretas e indiretas, aproveitando anúncios de investimentos nas polícias Civil e Militar ou mesmo lives (transmissões ao vivo) nas redes sociais para responder aos petardos.
No outro flanco, o presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso (Republicanos), usa o microfone da Casa e, mais frequentemente, o Twitter para dizer que "enquanto a segurança pública não for prioridade, viveremos dias sangrentos" ou que "a segurança pública respira por aparelhos".
No início do ano, Erick declarou que iria ajudar Casagrande a "carregar o piano", simbolizando uma aliança em troca do apoio à reeleição para o comando do Legislativo. Os projetos do governo têm sido, ao menos por enquanto, pautados e aprovados na Casa. Aparentemente, contudo, Erick Musso já não carrega nem uma tecla do piano.
Ainda não se sabe como ele avalia, em termos práticos a política de segurança pública estadual ou o que propõe como alternativa. Também do Republicanos há o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, que subiu o tom.
Delegado da Polícia Civil, desde os primeiros dias do mandato ele acompanha operações da Guarda Municipal e, no último domingo, como a coluna mostrou, cobrou "humildade" do governo Casagrande e disse que não é hora de "soberba". Pazolini cobrou que o Executivo estadual passe a integrar uma força-tarefa criada pela Superintendência da Polícia Federal no Espírito Santo para combater o crime.
O superintendente Eugênio Ricas disse – e reforçou – que não vai disputar as eleições de 2022 e que tal especulação serve apenas para tentar desacreditar o trabalho da PF. Talvez não intencionalmente, portanto, Ricas acabou no meio de um tiroteio – tiroteio político, gente, sem disparos de arma de fogo, ou assim esperamos.
O governo do estado enviou ofício à PF sugerindo que a força-tarefa funcione sob a guarida do Estado Pressente, programa que tem a marca da gestão Casagrande. E um imbróglio burocrático se formou.
Ricas já foi titular da Secretaria de Estado da Justiça entre 2013 e 2016, ou seja, no governo anterior de Casagrande e na gestão Paulo Hartung, e também secretário da pasta de Controle e Transparência, de 2016 a 2017.
O secretário de estado da Segurança Pública, Alexandre Ramalho, afirmou que as instituições já atuam de forma integrada no Espírito Santo: "Força-tarefa já existe no Espírito Santo há muito tempo, sob a égide do governador Casagrande".
Coube a Ramalho também criticar o que considera um dos principais problemas na área, a legislação e a impunidade, ao falar sobre o caso da chacina de Vila Velha.
"Veja como foi importante o coronel Ramalho refletir se a legislação atual está em sintonia com o desejo da sociedade. Veja como foi importante. Quando você tem uma pessoa que tira a vida de cinco outras pessoas (...) Temos que punir", discursou Casagrande, na última quinta-feira (21), durante entrega de viaturas no Quartel do Comando Geral da Polícia Militar, em Vitória.
Aliás, o secretário anterior, Roberto Sá, tinha um perfil mais discreto. Um dos fatores que levaram à troca foi justamente a postura mais, digamos, falante de Ramalho.
Casagrande, como já mencionado, também tem falado mais de segurança pública.
"Por interesse meramente eleitoral, por demagogia, achar que segurança pública é assunto fácil de resolver ...", cutucou, em live na quarta-feira (21), sem mencionar nomes.
Ainda lembrou da gestão anterior, de Paulo Hartung (então filiado ao MDB), para dizer que encontrou a segurança pública em mal estado e teve que "reconstruir".
"Segurança pública não é um assunto fácil que os governadores gostam de lidar, não. Alguns governantes gostam de se esconder desse assunto", discursou, nesta quinta, no Quartel.
Governador Renato Casagrande discursa em evento de entrega de viaturas à Polícia Militar no Quartel do Comando Geral da PMESCrédito: Helio Filho/ Secom ES
Foi um discurso bastante semelhante ao feito na quarta-feira (20), em solenidade de nomeação de 401 policiais civis.
"Bateu o desespero! Depois de tantas promessas eleitoreiras na segurança pública, o governador do Estado, ao invés de buscar soluções, tenta achar culpado em cima do melhor governo que o ES já teve", retrucou o ex-secretário de Segurança Pública Nylton Rodrigues, coronel que ascendeu ao comando da Polícia Militar no governo Hartung em meio à greve da PM.
O fato é que crimes escabrosos estão acontecendo e não podem ser ignorados. Aparecem no noticiário não por sensacionalismo, mas como dados da realidade.
A realidade, no entanto, também pode ser lida do ponto de vista estatístico, como faz o pesquisador do Instituto Jones dos Santos Neves Pablo Lira. O instituto é do governo do estado. Eis artigos escritos por Lira:
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.