O erro do governo Bolsonaro, segundo o presidente nacional do PL
Discurso em Vila Velha
O erro do governo Bolsonaro, segundo o presidente nacional do PL
Valdemar Costa Neto falou a pré-candidatos do partido em evento realizado em Vila Velha na sexta-feira (19)
Publicado em 20 de Julho de 2024 às 09:32
Públicado em
20 jul 2024 às 09:32
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Valdemar Costa Neto durante evento do PL-ES em Vila VelhaCrédito: Renato Paoliello Filho/Divulgação
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, foi o convidado de honra de evento do partido realizado em um cerimonial de Vila Velha na sexta-feira (19). Ladeado pelo senador Magno Malta, que comanda a sigla no Espírito Santo, Costa Neto prometeu, em discurso, que "vai fazer um esforço" para garantir verbas do Fundo Eleitoral para a campanha de 2024 no estado: "Vou fazer um esforço para o Magno ter uma estrutura melhor para ajudar vocês".
Além de relatar o histórico de amizade que tem o senador da bancada capixaba, o presidente nacional do PL mencionou diversas vezes a maior estrela do partido, o ex-presidente da República Jair Bolsonaro.
De acordo com Costa Neto, "Bolsonaro fez um governo maravilhoso", "só tinha gente honesta no governo". Mas ponderou que houve ao menos um erro:
"Errou na pandemia (de Covid-19), com o que ele falava. Deu vacina, deu tudo, mas as declarações ... E a imprensa mostrava aquilo por dez dias seguidos".
O então presidente da República minimizou os riscos da doença, incentivou as pessoas a não se vacinarem e a não usarem máscaras. Fez propaganda para remédios ineficazes, como a cloroquina.
E ainda imitou, em tom de piada, uma pessoa morrendo por falta de ar, um dos sintomas da Covid-19. Até março de 2023, 700 mil pessoas morreram devido à doença no Brasil.
Bolsonaro está inelegível até outubro de 2030, mas ainda conta com grande capital político e número de apoiadores, inclusive no Espírito Santo.
Valdemar Costa Neto o classificou como "fenômeno" e contou que o ex-presidente é muito disputado para participar, presencialmente, da campanha de 2024, para apoiar candidatos a prefeito em várias cidades do país.
Costa Neto é um veterano da política brasileira. Foi eleito deputado federal em 1991 e agiu, sob os holofotes e, principalmente, nos bastidores, como o principal articulador do PR, que depois viria a se chamar PL, um partido do Centrão.
Foi condenado por participação no mensalão, escândalo que abalou o governo Lula 1 em 2005. Chegou a ser preso por isso.
Em 2016, durante a discussão do impeachment, defendeu que o PL (na época, o partido se chamava PR) permanecesse na base de apoio à presidente Dilma Rousseff (PT).
Após a filiação de Jair Bolsonaro ao PL, em 2021, Costa Neto passou a ser o líder do partido que abriga o maior algoz do Partido dos Trabalhadores.
"Antigamente, fazíamos alianças para ganhar a eleição. Hoje, não. A partir do Bolsonaro, direita e direita e esquerda é esquerda"
Valdemar Costa Neto - Presidente nacional do PL
"Tivemos o vice do Lula, o José Alencar (2003-2011), que era um homem de direita, mas (a época) era diferente", contemporizou.
O próprio Magno Malta já apoiou Lula e Dilma, mas, nos últimos anos, apostou na polarização entre petistas e antipetistas ou bolsonaristas contra antibolsonaristas.
O senador acredita que o pleito municipal de 2024 vai ser pautado pela mesma política do "nós contra eles" que permeou o pleito de 2022. De qualquer forma, como a coluna mostrou, os planos do PL estão voltados, mesmo, para 2026.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.