Deputado federal Evair de Melo (PP) tem acompanhado o prefeito em visitas pelo interior: "O Espírito Santo precisa renovar seus quadros"
Publicado em 13 de Fevereiro de 2025 às 03:45
Públicado em
13 fev 2025 às 03:45
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Erick Musso, Lorenzo Pazolini e Evair de Melo na Festa do Tomate, em Venda Nova do ImigranteCrédito: Instagram/@erick musso
O prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), como a coluna mostrou, colocou o bloco na rua de olho nas eleições de 2026, quando pode concorrer ao governo do Espírito Santo. Ao lado dele na empreitada estão o presidente estadual do Republicanos, Erick Musso, e o deputado federal Evair de Melo (PP). O trio percorre municípios do interior do estado, nos quais o prefeito da Capital tem que se tornar mais conhecido para se fortalecer eleitoralmente.
Evair ladeou Pazolini, por exemplo, na Festa do Tomate, em Venda Nova do Imigrante, no último dia 25, na Sommerfest, em Domingos Martins, no dia 30, e em Vargem Alta, no último dia 9.
"E vamos a mais uns dez eventos", contou o deputado federal. "Pazolini trabalha com a hipótese de disputar em 2026. O Espírito Santo precisa renovar seus quadros", afirmou.
Embora seja filiado ao PP, partido que integra a base aliada ao governador Renato Casagrande (PSB), Evair faz oposição ao socialista.
"Nosso movimento estourou a bolha do Palácio, que reagiu, faz politicagem para lançar candidato ao governo. Aliás, eles têm seis candidatos e quem tem seis não tem nenhum", disparou.
O vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) é o plano A dos casagrandistas como nome a ser lançado para concorrer ao Palácio Anchieta em 2026 e, a bem da verdade, já estava se movimentando antes de o prefeito de Vitória começar a percorrer o interior.
Pazolini precisa mesmo tornar-se mais conhecido fora da Grande Vitória, mas ao ultrapassar os limites geográficos da Capital com frequência, enquanto ainda está no início do segundo mandato como chefe do Executivo municipal, também se expõe a críticas.
"Ele não está antecipando nada, estamos percorrendo o interior aos finais de semana, sem conflito com a rotina da Prefeitura de Vitória. Ao contrário do Casagrande, que faz política 24 horas por dia", alfinetou Evair de Melo.
Mas qual o motivo dessa parceria?
"Criei uma relação de amizade e confiança com Pazolini, com alinhamento político", respondeu o deputado federal.
Mas há um aspecto pragmático aí. Evair, além de opositor de Casagrande, tem base eleitoral no interior. Logo, serve como "mestre de cerimônias" para Pazolini nesses locais.
Assim, ao caminhar ao lado do prefeito de Vitória, Evair também promove o próprio nome: "Eu tenho um mandato para cuidar, acolhi a manifestação do presidente Bolsonaro e vou avaliar (a proposta de concorrer ao cargo de senador)".
QUEM É ELE
Filiado ao PP, de centro-direita que é, historicamente, uma sigla do Centrão, Evair já integrou o PV, legenda que hoje faz parte da federação Brasil da Esperança, com PT e PCdoB.
O deputado já foi também aliado de Casagrande, mas nos últimos anos deu uma guinada à direita bolsonarista, de forma mais radical que outros integrantes do PP estadual.
Ao juntar-se a Evair, Pazolini, indiretamente, também associa-se a esse espectro político, embora o prefeito de Vitória jamais tenha manifestado, nominalmente, simpatia pelo ex-presidente da República.
ESTRATÉGIA
Ao contrário de Ricardo Ferraço, que já se disse "pronto para ser candidato" e concede entrevistas a respeito dos planos para 2026, Pazolini prefere não dar declarações — a coluna pediu para falar com o prefeito, sem sucesso.
Mas o próprio Republicanos, partido do prefeito, já deixou claro, em nota oficial, que o prefeito está numa "trajetória rumo ao governo do estado".
Pazolini também ampliou a presença nas redes sociais e mudou a performance.
Em shows realizados pela prefeitura, ele já apareceu até passando embaixo da cordinha com o "É o Tchan!", "tocando" teclado e coisas do tipo.
Tudo vai depender do humor e da percepção dos eleitores, mas se a ideia de "renovação" colar, Pazolini trabalha para ser o nome a representar tal renovação, numa disputa contra Ricardo Ferraço, um político experiente com discurso de continuidade da atual gestão.
Para Pazolini disputar o governo do Espírito Santo, ele vai ter que renunciar ao mandato, no máximo, até o início de abril de 2026. Nessa hipótese, quem vai herdar a prefeitura é a vice-prefeita Cris Samorini (PP), que acumula o comando da Secretaria de Desenvolvimento da Cidade (Sedec).
Assim, o partido de Evair seria indiretamente beneficiado pela escolha do prefeito.
Por enquanto, as movimentações do deputado federal não causam nenhum racha na sigla. Evair e o presidente estadual do PP, o deputado federal Da Vitória, têm uma boa relação.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.