O futuro do partido de Euclério Sampaio e Marcelo Santos
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O futuro do partido de Euclério Sampaio e Marcelo Santos
Prefeito de Cariacica vai assumir a presidência estadual do União Brasil e "tocar politicamente" a sigla ao lado do presidente da Assembleia. Felipe Rigoni sai do comando. "Dirigir partido não é tarefa para qualquer um", afirmou Marcelo
Publicado em 27 de Janeiro de 2025 às 01:00
Públicado em
27 jan 2025 às 01:00
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Euclério Sampaio e Marcelo Santos em 2014, quando os dois eram deputados estaduaisCrédito: Reinaldo Carvalho/Ales
O União Brasil passou por muitas turbulências, nacionalmente e no Espírito Santo. A mais recente foi o anúncio de que o comando da legenda vai mudar, no estado. Sai Felipe Rigoni, entra Euclério Sampaio. O prefeito de Cariacica está filiado ao MDB desde outubro de 2023, mas vai voltar ao União para assumir a presidência da legenda.
A reviravolta ocorreu em meio a negociações entre o presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos (União Brasil), e o governador Renato Casagrande (PSB). Marcelo obteve a bênção do Palácio Anchieta para ser reconduzido como chefe do Legislativo. O governador e seus principais articuladores, em troca, pleitearam, entre outras coisas, que o deputado estadual abrisse mão de presidir o União no estado, o que consideravam "concentração de poder".
A solução foi indicar Euclério, aliado de Marcelo, de Casagrande e do vice-governador Ricardo Ferraço (MDB), para o posto.
Marcelo afirmou à coluna, entretanto, que sempre teve a prerrogativa de comandar o União, prerrogativa essa dada pelo presidente nacional, Antonio Rueda. O parlamentar também frisou que foi ele, Marcelo, que escolheu Euclério e que os dois, juntos, vão definir os caminhos do partido no estado.
O União, inclusive as lideranças nacionais, já selaram apoio a Ricardo Ferraço como pré-candidato ao Palácio em 2026. Mas a legenda também tem planos para se fortalecer no parlamento.
Marcelo, por sua vez, está voltado às articulações para a composição da chapa única que vai ser eleita para comandar a Mesa Diretora da Assembleia. Mas vai "tocar politicamente" o União ao lado de Euclério, o que já foi confirmado pelo prefeito.
O deputado concedeu entrevista à coluna na última sexta-feira (24) e falou também sobre os planos para o partido.
De acordo com Marcelo, a sigla, independentemente da eleição para o comando da Assembleia, sofreria uma intervenção da direção nacional.
"Em fevereiro, haveria uma intervenção. O Rueda deixou claro que a decisão de mudar a presidência do partido era minha e conversei com Euclério, que tem uma relação estreita comigo", contou o deputado.
Mas por que haveria intervenção? O atual diretório estadual do União, presidido pelo secretário estadual de Meio Ambiente, Felipe Rigoni, é eleito e não provisório.
"A intervenção poderia ser feita devido à baixa entrega. O diretório estadual não produziu resultado na eleição de 2022, para deputado federal, e nem agora, na eleição municipal. Já houve intervenção por esses mesmos motivos em quatro diretórios estaduais", revelou Marcelo Santos.
O União, de fato, não elegeu nenhum deputado federal no Espírito Santo em 2022. Em 2024, emplacou apenas um prefeito no estado, Marcos Guerra, de Jaguaré.
O próprio Rigoni foi a principal aposta do partido em 2022. Na época, ele era deputado federal e não conseguiu se reeleger, apesar de ter contado com bastante tempo no horário eleitoral, na TV, superando até alguns candidatos a governador.
"Quero que o Rigoni continue no partido, ele é um grande ativo, mas dirigir partido não é tarefa para qualquer um"
Marcelo Santos (União Brasil) - Presidente da Assembleia Legislativa
"Não se consegue fazer isso estando à frente de uma secretaria como a de Meio Ambiente, que tem muitas demandas. Mas Rigoni tem chances de ser deputado federal, de ser eleito em 2026", contemporizou Marcelo.
Rigoni, em nota enviada à imprensa na última quinta-feira (23), afirmou que participou, "desde o início de todas as discussões com os atores envolvidos" e pretende "manter a harmonia do partido e fortalecer o projeto liderado pelo governador Renato Casagrande e pelo vice Ricardo Ferraço".
TRÊS DEPUTADOS
"Vamos trabalhar para fazer três (deputados federais)", adiantou Marcelo Santos.
Marcelo Santos é, há tempos, pré-candidato a deputado federal.
Com a volta de Euclério ao União, há expectativa de que o deputado federal Messias Donato (Republicanos) também migre para a legenda. Ele teria que fazer isso na janela partidária, em 2026. E aí disputaria a reeleião filiado ao União.
"Messias seria um grande ativo para o União", afirmou Marcelo.
Outro objetivo é atrair mais prefeitos para a sigla. Parlamentares têm, via de regra, que esperar a janela permitida pela legislação eleitoral para trocar de partido, para não serem acusasdos de infidelidade partidária.
Mas prefeitos podem trocar de sigla a qualquer momento, a exemplo do que Euclério vai fazer.
"Queremos que Marcos Guerra permaneça e queremos também atrair outros prefeitos", definiu Marcelo.
Na sexta-feira, Marcos Guera esteve na Assembleia Legislativa, com o presidente da Casa, e também no Palácio Anchieta, com Casagrande.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.