O futuro do secretário de Saúde do ES, Nésio Fernandes
Após as eleições
O futuro do secretário de Saúde do ES, Nésio Fernandes
Médico ganhou notoriedade em meio à pandemia de Covid-19, mas a continuidade dele no próximo governo Casagrande é incerta
Publicado em 03 de Novembro de 2022 às 02:10
Públicado em
03 nov 2022 às 02:10
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
O secretário estadual da Saúde, Nésio FernandesCrédito: Reprodução | Sesa
O secretário estadual de Saúde do Espírito Santo, Nésio Fernandes, foi um dos protagonistas da gestão da pandemia de Covid-19 no estado. Papel superado apenas pelo próprio governador, Renato Casagrande (PSB). As imagens dos dois ficaram bastante atreladas a esse período, para o bem ou para o mal.
As entrevistas coletivas sobre os casos da doença eram praticamente diárias. As críticas às medidas adotadas pelo governo para conter o coronavírus, também. Embora elogios se fizessem presentes.
Depois do primeiro turno, Nésio saiu de férias. Quem está à frente da pasta da Saúde é o subsecretário Tadeu Marino. O titular deve retornar apenas em dezembro.
A permanência dele no próximo governo, a ser comandado por um Casagrande reeleito, é incerta. O governador vai mexer no secretariado e não confirmou à coluna se Nésio fica ou sai.
A intenção do secretário, conforme apuramos, é seguir no governo no ano que vem. Mas depende do chefe.
Formado em Medicina em Cuba e filiado ao PCdoB, Nésio foi alvo de adversários de Casagrande durante a campanha. Os ataques tinham cunho ideológico, sem argumentos práticos.
Mas também alguns prefeitos, aliados do chefe do Executivo estadual, se insurgiram contra o secretário no segundo turno. Coincidentemente ou não, foi aí que ele saiu em férias.
Luiz Carlos Reblin, Nesio Fernandes e Renato Casagrande em pronunciamento no dia em que anunciaram que o uso de máscaras deixou de ser obrigatório em meio à pandemia de Covid-19Crédito: Carlos Alberto Silva
Vários prefeitos casagrandistas são também bolsonaristas.
No dia 6 de outubro, o governador, ainda candidato, reuniu a maioria dos chefes de Executivos municipais em um hotel de Vitória. Lá, ouviu críticas a Nésio, tanto pelo discurso anticomunista delirante dos bolsonaristas quanto pelo fato de o secretário não ser muito acessível.
Um participante da reunião minimizou, em conversa com a coluna, os petardos disparados naquele dia, destacou que as críticas não foram unânimes.
Nésio é filiado ao PCdoB há 23 anos e integra o comitê nacional do partido. Nunca escondeu a participação política e se define como um sanitarista clássico, em relação à postura profissional, e um socialista cristão, politicamente. Ele é evangélico.
O secretário, que veio do Tocantins, não tem plano de saúde. Utiliza o SUS, assim como seus familiares que estão no estado.
Em março, Nésio Fernandes assumiu a presidência do Conselho Nacional de Secretários de Saúdes (Conass).
Ele é próximo de Humberto Costa, vice-líder do PT no Senado, que também é médico. E deu algumas dicas para a formação do plano de governo de Lula (PT), presidente da República eleito.
Devido a isso, chegou-se a cogitar que o secretário poderia ocupar um cargo no governo federal a partir do ano que vem. Mas a coluna apurou que não houve tal convite.
Um integrante da gestão Casagrande diz que Nésio trabalha bastante, de 12h a 14h por dia, e tem dois meses e meio de férias acumuladas. Logo, o descanso no final de ano deriva disso.
É difícil, entretanto, não enxergar um componente político no afastamento do secretário em meio ao segundo turno, quando aliados do governador pregavam o voto CasaNaro.
No primeiro turno, Nésio não se omitiu. Pediu votos para Casagrande, Lula, Givaldo Vieira, que disputou uma cadeira de deputado federal pelo PSB, sem sucesso, e para Neto Barros (PCdoB), que tentou se eleger deputado estadual, mas não conseguiu.
Deve estar celebrando as vitórias do governador e do petista. Mas sem saber o que vai fazer a partir do ano que vem.
Aviso aos leitores
E agora, caros leitores, quem sai em férias é esta colunista. Por 15 dias, apenas. "Ah, mas está acontecendo tanta coisa ainda, como você vai sair em férias?".
Gente, se eu for esperar o Brasil e o Espírito Santo pararem de gerar acontecimentos políticos, não vou sair em férias nunca. Até breve!
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.