O ex-vice-governador saiu do PSDB para ser candidato pelo PSD, mas lá também não conseguiu concorrer e está fora do pleito. "Lealdade é um fator crucial nas relações humanas", escreveu o ex-tucano
Publicado em 27 de Agosto de 2022 às 02:10
Públicado em
27 ago 2022 às 02:10
Colunista
Letícia Gonçalves
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Ex-vice-governador César Colnago em março, quando anunciou a desfiliação do PSDBCrédito: Letícia Gonçalves
Após 30 anos de filiação ao PSDB, o ex-vice-governador César Colnago saiu do PSDB, em março, e entrou no PSD. O objetivo era viabilizar a candidatura ao governo do Espírito Santo, pois os tucanos, Colnago antevia, ficariam no palanque de Renato Casagrande (PSB).
No PSD, o ex-vice-governador acreditava que teria chance de concorrer ao Palácio Anchieta, ainda que o ex-prefeito de Linhares Guerino Zanon, na época filiado ao MDB, também estivesse de malas prontas para o mesmo partido.
Em entrevista coletiva e em conversas com a coluna, Colnago disse que recebeu a garantia de lideranças locais do PSD e do presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, que teria espaço, ao contrário do que houve no PSDB. Lá, o ex-vice-governador não teria chances de disputar nem o Senado.
Quando ficou claro que o candidato do PSD ao governo seria Guerino, o que foi verbalizado pelo próprio Kassab, Colnago disse que disputaria uma cadeira de senador pelo partido. Tudo, ainda segundo ele, alinhavado com os caciques da sigla.
Mais uma vez, não foi bem assim. O próprio Guerino, na primeira entrevista que concedeu à imprensa como pré-candidato ao governo, falando à coluna, ressaltou que a vaga do Senado seria oferecida a algum aliado, para atrair mais partidos para a empreitada.
Colnago, num primeiro momento, rebateu. Disse que o próprio Kassab o havia sugerido disputar o Senado.
Mas o ex-vice-governador não se viabilizou no PSD. O partido teve olhos apenas para Guerino. Não lançou ninguém ao Senado. Também não conseguiu atrair aliados de peso. A coligação foi formada apenas por PSD e os nanicos DC e PMB.
Colnago pediu para sair. Desfiliou-se do partido quatro meses após ingressar na legenda.
O ex-vice-governador publicou um desabafo, no Facebook, no último dia 22, o qual intitulou "Lealdade: um fator crucial nas relações humanas".
"Após cerca de três décadas, disputando eleições e exercendo mandatos eletivos, não disputarei as eleições de 2022, resultado de muita reflexão familiar, em especial com a minha esposa Vera", anunciou, como já era sabido.
"Agradeço o apoio e a fidelidade de dois grandes amigos: @emanoel_paulo e @wesleygoggi que sempre estiveram comigo e nunca nos holofotes da minha vida. Mas com amizade, capacidade analítica e visão estratégica. Muito me ajudaram atuando nos bastidores", diz ainda o texto.
O ex-vice-governador não mencionou se falta lealdade a pessoas não citadas na postagem, mas isso está nas entrelinhas.
Certamente não encontrou muita lealdade, não a ele mesmo, no PSD.
Mas, verdade seja dita, as declarações de que teria espaço para ser candidato no partido vieram sempre do próprio Colnago. O então presidente estadual da legenda, José Carlos da Fonseca Junior, nunca disse, publicamente, que o ex-tucano tinha chances de ser lançado ao governo.
Ironicamente, Colnago tentou de toda forma disputar a eleição contra Casagrande. Agora, apoia o socialista.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.