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Alianças

O “pulo do gato” que garante a Marcelo Santos a reeleição como presidente da Assembleia

Apoio a Ricardo Ferraço como pré-candidato ao governo do ES e mudança no comando do União Brasil estadual impulsionaram o salto

Publicado em 23 de Janeiro de 2025 às 10:13

Públicado em 

23 jan 2025 às 10:13
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Ricardo Ferraço, Antonio Rueda, Renato Casagrande e Marcelo Santos
O vice-governador Ricardo Ferraço, o presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, o governador Renato Casagrande e o presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos, em Brasília, na quarta-feira (22) Crédito: Instagram/@marcelosantosdeputado
O presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos (União Brasil), está virtualmente reeleito para comandar a Casa. Em meio aos prós e contras já listados pela coluna entre ele e o possível concorrente, Vandinho Leite (PSDB), Marcelo levou a melhor.
A rigor, Vandinho nunca foi candidato ao cargo, mas trabalhava, nos bastidores, para se viabilizar, investindo em certas desconfianças que o Palácio Anchieta nutria em relação ao atual presidente.
O principal eleitor nesta disputa, apesar de formalmente não votar, é o governador Renato Casagrande (PSB). O "pulo do gato" para Marcelo conquistar o endosso de Casagrande na corrida pelo comando da Mesa Diretora da Assembleia foi dado na quarta-feira (22).
O atual presidente da Assembleia costurou com o União Brasil nacional o apoio do partido ao projeto eleitoral do grupo casagrandista para 2026 que, hoje, tem nome e sobrenome: Ricardo Ferraço (MDB). 
O União vai apoiar Ricardo como pré-candidato ao Palácio Anchieta. "O União Brasil reafirma o compromisso de apoio ao projeto administrativo e político liderado por Renato Casagrande e Ricardo Ferraço em 2026", escreveu Marcelo, em publicação nas redes sociais, na quarta.
Além disso, Marcelo, que travava uma queda de braço interna com o presidente estadual do União, Felipe Rigoni, não vai assumir, diretamente, o comando da legenda no Espírito Santo.
Em vez disso, o prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio, atualmente filiado ao MDB, vai voltar para o União e passar a presidir o partido.
Euclério é uma pessoa de confiança de Marcelo, mas também de Casagrande e de Ricardo.
Se Marcelo Santos fosse reeleito para a Assembleia e também assumisse a presidência estadual do União Brasil seria "muita concentração de poder", como avaliam integrantes da cúpula casagrandista.
O apoio de Marcelo a Ricardo e a resolução da questão do União eram fatores decisivos para garantir a bênção do Palácio ao atual presidente da Assembleia. E a bênção, ainda que não declarada publicamente, veio.
O próprio Casagrande atuou meses atrás, nos bastidores, para impedir a tomada de poder de Marcelo, garantindo a manutenção de Rigoni, que é secretário estadual de Meio Ambiente, à frente do partido.
A avaliação agora, porém, é que Rigoni, de qualquer forma, perderia o posto. É que a direção nacional do União estaria insatisfeita com os resultados eleitorais da sigla no estado.
E, desta vez, Casagrande participou da costura. Ele e Ricardo Ferraço estiveram em Brasília ao lado de Marcelo Santos para tratar do assunto com o presidente nacional do União, Antonio Rueda.
Rigoni não estava lá.
A coluna tentou contato com ele, mas não obteve retorno até a publicação deste texto.
O diretório estadual do União Brasil é eleito, não é um órgão provisório. Em tese, Rigoni poderia ficar na presidência até abril de 2027. Mas, sem apoio político dentro da legenda e, principalmente, sem o endosso do governador, a posição dele é muito frágil.
"O presidente da Assembleia tem que ter um compromisso de estar discutindo conosco o mesmo projeto (para 2026)"
Renato Casagrande (PSB) - Governador do Espírito Santo, em 20/01/2025
No último sábado (20), o governador listou à coluna os critérios que considera essenciais para a definição do próximo presidente da Assembleia:
"Primeiro, governabilidade (um presidente que garanta a votação dos projetos do governo em tempo hábil e oportuno); segundo, democracia interna, ter uma Mesa que compartilhe com os demais deputados as decisões internas; terceiro, confiança em relação à nossa condução em 2026".
"(Apoiar) o candidato que a nossa base vai apoiar é pré-requisito", deixou claro o governador.
Naquele dia, ele pedalou de Itaparica até a Barra do Jucu, na inauguração da Ponte da Madalena, ladeado por Ricardo Ferraço e pelo prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (Podemos), outro possível pré-candidato ao Palácio Anchieta.
O deputado estadual Vandinho Leite, que era a alternativa informal a Marcelo, também esteve lá. Parlamentar com base eleitoral na Serra, o tucano foi longe, de bicicleta, de Itaparica até a Barra do Jucu também, e fez sua parte.
Marcelo, entretanto, é o favorito dos demais deputados.
Victor Linhalis, Vandinho Leite e Renato Casagrande na inauguração da Ponte da Madalena
O deputado federal Victor Linhalis, o deputado estadual Vandinho Leite e o governador Renato Casagrande na inauguração da Ponte da Madalena, em Vila Velha, no dia 20 Crédito: Ricardo Medeiros
A movimentação de Vandinho até ajudou a reforçar as desconfianças que casagrandistas tinham em relação a Marcelo Santos, mas também fez com que o atual presidente reagisse para contorná-las.
Marcelo esteve em palanques opostos aos de Casagrande em Vitória e na Serra, por exemplo — apoiou Lorenzo Pazolini (Republicanos) e Pablo Muribeca (Republicanos), enquanto o Palácio trabalhava por Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) e Weverson Meireles (PDT), respectivamente.
O FATOR RICARDO
Para completar o quadro de dúvidas, Marcelo e Ricardo não são próximos politicamente.
Em abril de 2026, Casagrande pode renunciar ao mandato para disputar o Senado. Ricardo, nesse caso, assumiria o governo e seria o candidato natural à sucessão do socialista.
Teria que lidar diretamente com o presidente da Assembleia.
Vandinho é aliadíssimo de Ricardo.
Marcelo, por sua vez, esforçou-se para espantar a "pulga atrás da orelha" dos casagrandistas.
Passou a elogiar Ricardo pública e recorrentemente. Por fim, ainda costurou o apoio nacional do União Brasil ao vice-governador.
"Está claro para o Marcelo que nosso plano A é o Ricardo e ele declarou que está nesse movimento. Os dois não são melhores amigos, mas também não são inimigos", resumiu um aliado de Casagrande.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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