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O que Casagrande disse a Arnaldinho após prefeito flertar com partido de Hartung

Político vilavelhense tenta se filiar a sigla que vai abrigar adversário político do governador do ES

Publicado em 24 de Maio de 2025 às 16:21

Públicado em 

24 mai 2025 às 16:21
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Ricardo Ferraço, Renato Casagrande e Arnaldinho Borgo durante desfile em Vila Velha que lembrou a colonização do solo espírito-santense
Ricardo Ferraço, Renato Casagrande e Arnaldinho Borgo durante desfile em Vila Velha que lembrou a colonização do solo espírito-santense Crédito: Ricardo Medeiros
O prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (sem partido), tenta se filiar e até presidir, no Espírito Santo, o PSD, partido que, na próxima segunda-feira (26), vai abrigar o ex-governador Paulo Hartung. O ex-mandatário, porém, é adversário do governador Renato Casagrande (PSB), aliado de primeira hora do prefeito, e vice-versa.
A movimentação irritou aliados do socialista. O próprio governador também reagiu. Na última quarta-feira (21), Arnaldinho esteve no Palácio Anchieta e reforçou, em publicação no Instagram, a parceria com Casagrande. 
Mas o que o governador falou com ele? Foi o que a coluna perguntou, na sexta-feira (23). Casagrande prestigiou as comemorações dos 490 anos de Vila Velha, que marcam a colonização do solo espírito-santense.
Ele dividiu o palanque com Arnaldinho e com o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB). Os dois são possíveis candidatos ao Palácio Anchieta, pelo grupo casagrandista. O clima entre os três foi de harmonia, ao menos publicamente.
Mas, nos bastidores, a coluna ouviu, em cima do mesmo palanque, conjecturas de parte a parte. Ainda que aos cochichos, os ânimos estão acirrados entre arnaldistas e ferracistas.  
O que dominou os cochichos foi mesmo o flerte de Arnaldinho com o PSD e as declarações dele em entrevista exclusiva à coluna, publicada na terça-feira (20). O prefeito afirmou, por exemplo, que não descartaria ajudar "o governador Renato" e, ao mesmo tempo, o "(ex) governador Hartung", na hipótese de conseguir presidir o PSD estadual.
E Casagrande, em meio ao fogo cruzado e vendo um aliado fazer elogios públicos a um adversário, como fica? Ele contou à coluna qual o recado  — polido, mas bem direto — que deu ao prefeito de Vila Velha:
"O que eu disse a ele é que o nosso movimento tem alguns nomes como possíveis candidatos ao governo. Um dos nomes é o dele. O nome prioritário é o do Ricardo Ferraço (...) Acho legítimo ele (Arnaldinho) fazer o movimento de candidatura, porque o projeto pode ter mais de uma opção para chegar ali na frente e tomar uma decisão mais segura. Mas este movimento é um movimento a ser feito dentro do nosso movimento político".
"Se o PSD estiver no nosso movimento político, sem problema, a gente vai estar compreendendo como normal. Dialogar também não tem problema. O que a gente quer, pela parceria que a gente tem, por tudo aquilo que a gente construiu junto, o governo do estado e a Prefeitura de Vila Velha, Casagrande e Arnaldinho, que ele faça um movimento dentro das nossas alianças", completou Casagrande.
O PSD estadual, atualmente, é presidido pelo prefeito de Colatina, Renzo Vasconcelos, que não é um adversário do Palácio Anchieta, mas já foi mais próximo. 
A iminente filiação de Hartung e as especulações sobre uma eventual candidatura do ex-governador ao comando do Executivo estadual ou, mais provavelmente, ao Senado, porém, tornam difícil classificar o partido como integrante da aliança casagrandista. 
Além disso, ainda há a suspeita de que o próprio Hartung articulou ou até esteve presente na reunião entre Arnaldinho e o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab. Pessoas próximas ao prefeito de Vila Velha revelaram à coluna, sob reserva, que o ex-governador estava lá, sim.
Arnaldinho, por sua vez, negou isso veementemente. Afirmou que o ex-governador não participou do encontro e nem articulou nada, o que, de acordo com o prefeito, coube a um "amigo que mora em São Paulo e tem relação com Kassab".
De qualquer forma, a história deu o que falar.
Ao alertar o prefeito de Vila Velha que quaisquer movimentos político-eleitorais devem ser feitos dentro da aliança casagrandista, o governador, na prática, deu um "puxão de orelha" no aliado. Avisou que tudo tem limite. 
Pessoas próximas a Ricardo Ferraço comemoraram o que consideram um "enquadro" dado no prefeito. Já aliados de Arnaldinho avaliaram como positiva a oportunidade de reafirmar a parceria política com Casagrande.
De fato, apesar do flerte com o PSD, o prefeito de Vila Velha nunca "soltou a mão" do socialista e afirmou à coluna, por exemplo, que tem o compromisso de apoiá-lo na corrida pelo Senado no ano vem. 
"A gente tem confiança nele (Arnaldinho). Ele reafirmou este compromisso, então (está) tudo correndo normalmente"
Renato Casagrande (PSB) - Governador do Espírito Santo
"Arnaldinho disse que só vai para o PSD se ele liderar o PSD (no estado). Tem que dar um tempo. Acho que essas coisas são decisões do PSD. Nós estamos bem, vamos continuar bem. Temos boa parceria, boa relação. Os movimentos, nesta época, nesta fase agora, são naturais", contemporizou Casagrande. 
Na quinta-feira (22), Renzo Vasconcelos esteve com Paulo Hartung, em Vitória, e os dois posaram juntos para uma foto.
O prefeito de Colatina não concedeu entrevista à coluna, mas a mensagem transmitida está clara: Renzo ressaltou publicamente sua função no partido (a mesma função que é cobiçada por Arnaldinho) e apareceu ao lado da liderança que a sigla vai filiar e que não é do grupo de Casagrande:
O governador disse à coluna, na sexta-feira, que não conversou com Renzo Vasconcelos sobre a possibilidade de filiação de Arnaldinho ou quanto ao fato de o partido integrar ou não a aliança palaciana. 
"Não conversei com Renzo, não. Esse é um assunto do PSD. Eu não quero interferir no PSD e nem vou interferir. O que o PSD vai fazer é uma decisão que cabe ao Renzo e ao Kassab", pontuou Casagrande.
Arnaldinho pode ou não conseguir se filiar ao PSD, mas o fato é que está decidido a disputar o Palácio Anchieta no ano que vem. Ele espera obter o apoio de Ricardo Ferraço se performar melhor que o vice-governador em pesquisas de intenção de voto.
Ok. E e se, ao fim e ao cabo, nem Ricardo nem Arnaldinho abrirem mão da candidatura? Se os dois conseguirem se viabilizar como candidatos ao governo, Casagrande vai topar lançar dois nomes ao mesmo cargo?
A resposta do governador é: "não".
"Se a gente dividir, a gente fragiliza o movimento que tem dado certo para o Espírito Santo"
Renato Casagrande (PSB) - Governador do Espírito Santo
Ricardo Ferraço, Arnaldinho Borgo e Renato Casagrande
Ricardo Ferraço, Arnaldinho Borgo e Renato Casagrande, na sexta-feira (21) Crédito: Adessandro Reis/PMVV
Há ainda outra questão em aberto.
Arnaldinho já declarou apoio à candidatura de Casagrande ao Senado no ano que vem e o presidente estadual do PSB, Alberto Gavivi, garantiu que o atual chefe do Executivo vai, sim, concorrer ao posto. O próprio governador, porém, segue fazendo suspense. 
"Só vou decidir no início do ano (de 2026). Você está vendo que tem muitos muitos pontos de instabilidade, então só iniciozinho do ano que vem que eu vou decidir", afirmou Casagrande. 
Se Casagrande quiser mesmo ser candidato a senador, vai ter que renunciar ao mandato de governador no início de abril. Ricardo Ferraço, nesse caso, ficaria à frente da gestão estadual até dezembro de 2026, o que lhe daria mais visibilidade e, em tese, força política para disputar o governo. 
Arnaldinho sabe disso e não joga parado. 

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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