O que fez Arnaldinho Borgo desistir de disputar as eleições de 2026
Dia do fico
O que fez Arnaldinho Borgo desistir de disputar as eleições de 2026
Prefeito de Vila Velha era pré-candidato ao governo do ES e não descartava, como alternativa, concorrer ao Senado. Nesta quarta (25), porém, anunciou que vai permanecer no atual mandato
Publicado em 25 de Março de 2026 às 11:16
Públicado em
25 mar 2026 às 11:16
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Arnaldinho Borgo durante a posse no segundo mandato como prefeito de Vila Velha, em janeiro de 2025Crédito: Carlos Alberto Silva
O prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB), tentou ser candidato ao Palácio Anchieta com apoio do governador Renato Casagrande (PSB), mas este o preteriu. Depois, o político canela-verde mudou de lado, foi para o time do adversário dos casagrandistas, o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), também pré-candidato ao governo.
Ao menos até a Quarta-feira de Cinzas, Arnaldinho não descartava, inclusive, disputar o Senado e apoiar Pazolini ao Palácio.
Em nota oficial, Arnaldinho diz que ouviu a "família, nosso grupo político e, principalmente, a população".
Mas outro trecho do texto é mais revelador: "Sigo empenhado, como presidente do PSDB capixaba, na construção de boas chapas para deputado estadual e federal".
Eleger deputados federais é prioridade para qualquer partido. Para Arnaldinho, ainda mais, já que um dos principais aliados dele, o deputado federal Victor Linhalis, é pré-candidato à reeleição e recentemente filiou-se ao PSDB.
Sem uma chapa robusta, entretanto, Linhalis, que tem potencial de votos devido à força da máquina da Prefeitura de Vila Velha, ficaria em uma situação frágil.
Ao não disputar o governo nem o Senado, há chances de Arnaldinho obter ajuda do Palácio para garantir a montagem da chapa. Mesmo após todas as idas e vindas que o prefeito protagonizou.
PRESSÃO
Nos bastidores, havia forte pressão de casagrandistas e ricardistas para inviabilizar os planos eleitorais de Arnaldinho.
Assim que ele assumiu a presidência do PSDB, mandatários e pré-candidatos governistas debandaram do partido.
Depois que o político canela-verde se aliou a Pazolini, ganhou a pecha de "traidor" em alguns círculos políticos, pelo fato de o governo Casagrande ter feito investimentos de peso em Vila Velha durante a gestão do prefeito, o que ajudou a alavancar a popularidade do tucano.
Em meio a esse "climão", vários ataques, a maioria apócrifos, circularam nas redes sociais tendo Arnaldinho como alvo.
LÓGICA
Mas a principal razão, convenhamos, é a lógica, ou a falta de lógica da coisa.
Como Arnaldinho seria candidato ao governo aliado a Pazolini?
O prefeito de Vitória já está consolidado como pré-candidato ao mesmo posto e dificilmente abriria mão dos próprios planos para apoiar o colega de Vila Velha.
Se voltasse às boas com Casagrande, o político canela-verde também não teria vez. O vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) é o pré-candidato ao Palácio apoiado pelo governador e pelos principais aliados do socialista.
Disputar o Senado, seja pelo grupo de Pazolini ou pelo de Casagrande e Ricardo, seria muito arriscado.
Tradicionalmente, os eleitores do Espírito Santo decidem em quem votar para senador em cima da hora.
Para disputar o pleito de 2026, Arnaldinho teria que renunciar ao mandato até o dia 5 de abril, por exigência da legislação eleitoral.
Trata-se de uma renúncia, não uma licença. Seria trocar um pássaro na mão (mais de dois anos de mandato como prefeito) por dois voando (oito anos de mandato como senador que poderiam ou não se confirmar).
Vice na chapa de algum dos candidatos, Arnaldinho já disse que não seria.
E AGORA?
A expectativa é que o prefeito de Vila Velha apoie, para o Senado, a pré-candidatura de Renato Casagrande.
Isso é algo que Arnaldinho havia prometido há tempos, mas após se alinhar com Pazolini ele mesmo colocou em dúvida a própria palavra.
Na entrevista que concedeu à coluna na Quarta-feira de Cinzas, por exemplo, o prefeito de Vila Velha não foi enfático, disse apenas que "aparentemente", endossaria o nome de Casagrande na corrida. "Vamos ver o desenrolar da caminhada".
No desenrolar da caminhada, após aparecer diversas vezes ao lado de Pazolini, o prefeito de Vila Velha fez um gesto público com o governador, participou, quase duas semanas atrás, da inauguração de uma estação de tratamento de esgoto em Terra Vermelha.
Isso não selou ou retomou a aliança, mas foi um sinal.
Os mais empolgados avaliam que ele daria ainda uma guinada e apoiaria Ricardo Ferraço.
O prefeito nunca endossou o vice-governador. Se isso se confirmar, não seria nem uma volta a uma posição inicial, mas outra reviravolta.
PROMESSA
O que podemos afirmar com certeza é que, por linhas muito tortas, Arnaldinho acabou cumprindo uma promessa que fez durante a campanha eleitoral de 2024.
Naquela época, quando disputava a reeleição, ele garantiu que não participaria do pleito de 2026 e concluiria o segundo mandato de prefeito, caso a população da cidade o reconduzisse ao cargo.
Uma vez reeleito, porém, Arnaldinho mudou o tom e fez várias manobras para ser candidato.
Não obteve sucesso na tentativa e, agora, vai mesmo ficar até 31 de dezembro de 2028 no atual cargo.
A íntegra da nota de Arnaldinho Borgo
Depois de muita reflexão, decidi permanecer na Prefeitura de Vila Velha até o fim do meu mandato. Uma decisão tomada com fé, responsabilidade e compromisso com a nossa cidade.
Coloquei esse caminho nas mãos de Deus, ouvi minha família, nosso grupo político e, principalmente, a população. Foi na confiança dos canela-verdes — que me reelegeram com quase 80% dos votos — que encontrei a resposta.
Seguirei contribuindo com o Espírito Santo, ajudando a construir caminhos para que o nosso Estado avance ainda mais, com equilíbrio, responsabilidade fiscal e desenvolvimento.
Também sigo empenhado, como presidente do PSDB capixaba, na construção de boas chapas para deputado estadual e federal, com lideranças comprometidas com o desenvolvimento sustentável, a justiça social e avanços reais na vida das pessoas.
Com Deus à frente, sigo trabalhando por Vila Velha e por todos os capixabas.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.