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Em Vitória, com Pazolini

O que há de novo no partido Novo

No ES, legenda decidiu apoiar oficialmente a gestão do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini. E o presidente estadual da sigla defendeu, em entrevista à coluna, a quebra de um tabu no Novo: o partido agora usa dinheiro público, do Fundo Partidário

Publicado em 24 de Abril de 2023 às 10:15

Públicado em 

24 abr 2023 às 10:15
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Candidato ao governo do ES: Aridelmo Teixeira (Novo)
O secretário municipal de Governo de Vitória Aridelmo Teixeira Crédito: Candidato ao governo do ES: Aridelmo Teixeira (Novo)
O partido Novo, criado em 2015 no Brasil e apresentado como uma direita liberal nunca foi um fenômeno nas urnas. Em 2022, elegeu três deputados federais e cinco estaduais em todo o país. Mas tem um trunfo: o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, reeleito em primeiro turno.
No Espírito Santo, onde tem diretório estabelecido desde 2018, o Novo não tem mandatário algum. Nem deputado nem prefeito. Nem vereador. De acordo com o presidente estadual da legenda, Iuri Aguiar, o plano para 2024 é mudar isso. 
Em entrevista à coluna na última terça-feira (18), Aguiar defendeu ainda outras mudanças, como o apoio oficial da legenda à gestão do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), e o uso de recursos do Fundo Partidário, dinheiro público. O partido já bateu o martelo sobre as duas coisas.
O presidente estadual também alfinetou os críticos. Não é raro que o Novo seja ironizado nas redes sociais. "O Novo não elegeu quase ninguém. Será que é por não ter se esforçado o suficiente?", é a provocação mais comum, uma vez que uma das bandeiras do partido é a meritocracia.
O Novo tem, no estado, cerca de 500 filiados. Para se ter uma ideia, o MDB, mesmo em frangalhos em terras capixabas, tem 36,9 mil.
O empresário e professor Aridelmo Teixeira foi o candidato do partido ao governo do Espírito Santo em 2022. Ele obteve 15.786 votos (0,76%). Antes, Aridelmo era secretário da Fazenda de Vitória, mas não contava com o endosso do partido para tal. 
Em março deste ano, ele retornou ao primeiro escalão da administração de Pazolini, desta vez como secretário de Governo. E como representante do Novo.
"Da primeira vez foi como questão pessoal, mas desta vez o Novo apoiou a ida dele para o secretariado. Isso é fruto de evolução partidária. O Novo está participando da gestão do Pazolini com grande simpatia", afirmou o presidente estadual do partido.
Tudo indica que, assim, o Novo vai apoiar a reeleição do prefeito em 2024. Pazolini ainda não disse se vai ou não tentar o segundo mandato como chefe do Executivo estadual, mas esse é o cenário mais provável.
Iuri Aguiar, contudo, prefere não cravar a parceria antecipadamente. "Política é como nuvem, como disse Ulysses ou Tancredo (a frase é de Magalhães Pinto, ex-governador de Minas Gerais). A gente pode ter candidato ou podemos apoiar o Pazolini. O que a gente quer é melhorar a vida das pessoas", asseverou.
O presidente do Novo no Espírito Santo é um admirador de Romeu Zema, empresário que ascendeu politicamente no estado vizinho e já é apontado como um possível candidato à Presidência da República em 2026, uma opção aos órfãos de Jair Bolsonaro (PL).
"Como diz o Felipe d'Avila (que disputou o Palácio do Planalto pelo Novo no ano passado), o Novo é uma vitrine de realizações. Zema mudou radicalmente o cenário de Minas, que estava acabada pelo governo do PT. Entendo que ele deve ser e vai ser candidato à Presidência da República pelo Novo", projetou Aguiar.
Iuri Aguiar, presidente estadual do Novo
Iuri Aguiar, presidente estadual do Novo Crédito: Reprodução/YouTube
Como se pode depreender da afirmação, o Novo faz oposição ao governo Lula (PT). A aversão ao petismo aproximou o partido do bolsonarismo. E a legenda passou a ser vista como um apêndice do movimento que apoiou o então chefe do Executivo federal.
Um dos fundadores do Novo e ex-presidente nacional da legenda, o empresário João Amoêdo lamentou que a sigla tenha se tornado “linha auxiliar do bolsonarismo”. 
No segundo turno das eleições de 2022, o Novo liberou os filiados para escolher, "de acordo com sua consciência e com os valores e princípios partidários", quem apoiar: Lula ou Bolsonaro. Meio a contragosto, Amoêdo optou por Lula, pois avaliou que um segundo mandato do presidente extrema direita seria pior para o país.
Como consequência, foi suspenso do partido. Ou seja, os filiados estavam liberados para apoiar quem quisessem, desde que quisessem apoiar Bolsonaro. O próprio Amoêdo, então, decidiu se desfiliar.
Iuri Aguiar, contudo, rechaça a pecha de "linha auxiliar do bolsonarismo": "Não há nenhuma relação. A gente só segue nossos princípios e valores. Toda vez que teve proposta para facilitar a vida das pessoas, como marco do saneamento, a gente apoiou. Mas rechaço (que haja) bolsonarismo dentro do Novo".
"Tudo o que é antidemocrático eu repudio veementemente "
Iuri Aguiar - Presidente do Novo no Espírito Santo
O presidente estadual do partido, contudo, avalia que não cabe ao Novo tecer comentários sobre a invasão das sedes dos Três Poderes, em Brasília, no dia 8 de janeiro de 2023, quando apoiadores do ex-presidente incitaram um golpe de Estado. "Devemos deixar a Justiça resolver o problema de um líder, seja de esquerda ou de direita", pontuou Iuri Aguiar.
USO DO FUNDO PARTIDÁRIO
O Novo sempre adotou, até recentemente, a não utilização de recursos públicos como um mantra. A ideia é que os próprios filiados custeassem o funcionamento do partido, com doações. O mesmo vale para as campanhas eleitorais. 
A sigla recebia, como as demais legendas, o repasse do fundo e não devolvia os valores. Argumentava que, ao retornar ao Tesouro, o dinheiro poderia ser destinado a outros partidos. Assim, o Novo aplicava a cifra no Banco do Brasil. A convenção nacional aprovou o uso do rendimento desse investimento para manter o partido.
"Na hora de votar, o eleitor não quer saber, infelizmente (quem usa e quem não usa o fundo). E estamos usando apenas a receita financeira do Fundo Partidário. A comunicação não estava impactando e precisamos ter condições de disputar com os outros partidos", defendeu Iuri Aguiar.
O Novo sempre divulgou que “é o único partido que não utiliza recursos públicos para sua manutenção, por uma questão de princípios. Acreditamos que os partidos devem ser financiados por aqueles que compartilham suas ideias e valores”.
O partido não atingiu a cláusula de desempenho, que é a quantidade mínima de votos para a Câmara dos Deputados. Desde as eleições de 2018, a sigla que não atinge os requisitos perde horário eleitoral gratuito e recursos do Fundo Partidário.
Ou seja, o Novo decidiu usar recursos do fundo justamente em meio ao período em que não teria acesso ao dinheiro. Mas, como guardou (na verdade, investiu) a verba, vai ter de onde tirar.
Além de poderem ser usados para financiar campanhas eleitorais, os valores do Fundo Partidário são utilizados para custear atividades rotineiras das legendas, como o pagamento de água, luz, aluguel e passagens aéreas, entre outros.
"CRÍTICAS RASAS DA ESQUERDA"
Sobre as ironias em relação ao resultado eleitoral do Novo e a tal meritocracia, Iuri Aguiar rebateu que trata-se de "críticas típicas da esquerda, com argumentos rasos".
"A gente continua acreditando na meritocracia. É que o sistema se voltou contra o Novo"
Iuri Aguiar - Presidente do Novo no Espírito Santo
"Mas é natural essa crítica da esquerda. A gente não dá muita atenção, mas é fácil de rebater", complementou Aguiar.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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