Titulares das pastas Planejamento e Governo vão trocar de lugar no início do ano eleitoral
Publicado em 29 de Dezembro de 2021 às 02:10
Públicado em
29 dez 2021 às 02:10
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Álvaro Duboc, Renato Casagrande e Gilson Daniel no gabinete do governador no Palácio AnchietaCrédito: Twitter/@Casagrande_ES
O secretário de Governo da gestão Renato Casagrande (PSB), Gilson Daniel (Podemos), vai comandar, a partir do dia 3 de janeiro, a pasta de Planejamento. Álvaro Duboc, que hoje está à frente da secretaria, vai trocar de lugar com ele, assumindo assim a Segov. O governador anunciou, nesta terça-feira (28), a dança das cadeiras, de olho em outra data. O que fala mais alto é o calendário eleitoral.
Gilson Daniel é pré-candidato a deputado federal e, por isso, tem que deixar o primeiro escalão da administração estadual até o início de abril. De qualquer forma, portanto, sairia da Secretaria de Governo. A antecipação desse movimento preserva duas coisas: a continuidade das ações da Segov e a boa vontade da base aliada na Assembleia Legislativa.
Em conversa com a coluna, Casagrande citou apenas um desses motivos. Como Duboc não vai disputar a eleição, vai ficar à frente da Secretaria de Governo o ano de 2022 inteiro, dando estabilidade às ações da pasta, que é importante para andamento de programas que perpassam outras secretarias.
"Tem pessoas no governo que vão sair para serem candidatas, vão sair no final de março, início de abril. E a Secretaria de Governo me ajuda em todas as pautas internas do governo, de investimentos, dar encaminhamentos. É uma secretaria que eu preciso ter ali uma pessoa que vai me ajudar o inteiro, que não vai sair em abril", afirmou Casagrande.
"Álvaro conhece toda a máquina pública e entra agora para não ter nenhuma diminuição de ritmo no mês de abril. Gilson entende de orçamento, é um contador público, e vai desenvolver bem os três meses ali, até março, na área de planejamento. E lá tem uma equipe muito qualificada. Na hora que o Gilson sair, para ser candidato, ali não terá descontinuidade. Na Secretaria de Governo é preciso alguém que conheça a máquina pública e os projetos do governo", complementou o governador.
Gilson Daniel assumiu a Secretaria de Governo em março de 2021, após encerrar, em 2020, o segundo mandato na Prefeitura de Viana. Ou seja, não compõe o primeiro escalão de Casagrande desde o início, em 2019. Antes dele, o titular da Segov era Tyago Hoffmann, que passou a chefiar as áreas de Desenvolvimento e Ciência e Tecnologia.
Hoffmann é um dos integrantes do núcleo duro do governo, e não deixou de sê-lo após a mudança. Da mesma forma, Gilson Daniel vai continuar como nome influente na gestão, mesmo em outra pasta.
A "cuestão", como diria Jair Bolsonaro (PL), é que na Secretaria de Governo o ex-prefeito de Viana causa certo "ciúme", alguns atritos com deputados estaduais, mesmo os da base aliada. Projetos nevrálgicos da administração estadual, gestados em outras secretarias, passam pela pasta e, de acordo com parlamentares, a alocação de recursos sofre influência de Gilson Daniel.
Como deputados também são pré-candidatos, a disputa sobre quem seriam "os pais" dos investimentos em municípios causou cizânia. Uma "rebelião" chegou a ser ensaiada na Assembleia, também devido à atuação de Tyago Hoffmann, outro que é cotado para disputar as eleições do ano que vem. A Casa Civil e o próprio governador entraram em cena para conter os ânimos.
Gilson Daniel, como já foi aqui mencionado, vai seguir como uma peça-chave do governo, mas a saída dele da Segov deve colaborar para evitar que a temperatura suba na Assembleia em pleno ano eleitoral. Duboc fez carreira na Polícia Federal e não é filiado a partido político, como o próprio secretário garantiu à coluna.
Ele coordena o programa Estado Presente, na área da segurança pública, e isso não vai mudar. "Pela experiência dele (Duboc), pela colaboração dele nessa área", argumentou Casagrande.
SEM OUTRAS MUDANÇAS, POR ENQUANTO
Outros integrantes do governo, como Hoffmann; o titular da Secretaria de Controle e Transparência, Edmar Camata (sem partido); a secretária de Turismo, Lenise Loureiro (Cidadania), e o secretário de Desenvolvimento Urbano, Marcus Vicente (PP), são pré-candidatos no pleito do ano que vem. Eles, no entanto, não devem deixar os cargos antecipadamente ou participar de alguma dança das cadeiras.
"Vamos fazer as mudanças no mês de março. Não faremos antes. Essa eu quis fazer para que o Álvaro pudesse estar na Secretaria de Governo assumindo todas as tarefas de me ajudar a governar o estado", disse Casagrande à coluna.
Ou seja, na Transparência, no Turismo e no Desenvolvimento Urbano e Desenvolvimento Econômico não é preciso haver estabilidade? Alguém que assuma os cargos de antemão, sem deixá-los em abril? Fica aí o questionamento e a reflexão de que a mudança na Segov é composta por outros ingredientes.
SERGIO MORO
É fato que é uma secretaria estratégica e a argumentação do governador é factível. Mas também pesam a pressão dos deputados e o fato de que Gilson Daniel é o coordenador da campanha do ex-ministro da Justiça Sergio Moro (Podemos) no Espírito Santo.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.