O que levou Casagrande a apoiar Marcelo Santos para a presidência da Assembleia
Mesa Diretora
O que levou Casagrande a apoiar Marcelo Santos para a presidência da Assembleia
Governador ungiu aliado. Mas Vandinho Leite (PSDB) também quer comandar o Legislativo do ES
Publicado em 23 de Janeiro de 2023 às 19:28
Públicado em
23 jan 2023 às 19:28
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Deputado estadual Marcelo SantosCrédito: Ana Salles/Ales
Até pouco tempo, o deputado estadual Vandinho Leite (PSDB) contava com o apoio da maioria dos 30 deputados eleitos e reeleitos que vão assumir os mandatos na Assembleia Legislativa a partir de 1º de fevereiro.
A disputa, que chegou a contar com cinco cotados para a presidência da Casa –a além do tucano, havia Marcelo Santos (Podemos), João Coser (PT), Dary Pagung (PSB) e Tyago Hoffmann (PSB) no páreo – ficou, por fim, polarizada entre Marcelo e Vandinho.
Mas com vantagem para o deputado do PSDB. Tal vantagem, entretanto, poderia ser temporária. Vários parlamentares e futuros parlamentares disseram à coluna nos últimos dias que votariam em quem o governador Renato Casagrande (PSB) indicasse.
Até então, o socialista não havia ungido nenhum dos possíveis candidatos. Todos eles fazem parte da base aliada ao Palácio Anchieta.
Coser, Hoffmann e Dary abandonaram a corrida. Nesta segunda-feira (23), o martelo foi batido. O governador decidiu apoiar Marcelo Santos.
O secretário da Casa Civil, Davi Diniz, de acordo com deputados consultados pela coluna, telefonou para parlamentares governistas e deu o recado.
Segundo um deles, Marcelo Santos passou a recolher assinaturas em apoio à própria candidatura à presidência depois do horário do almoço desta segunda. E já conta com 18 endossos, embora nem todos tenham registrado o autógrafo.
Para que uma chapa seja eleita, bastam 16 votos, a maioria absoluta do plenário.
A coluna tentou falar com Diniz, que não deu retorno até a publicação deste texto.
Mas o que levou o governo a ir a campo em prol de Marcelo, mesmo sabendo que a maioria dos deputados já estava "apalavrada" com Vandinho? Eis os principais motivos alegados, de acordo com o que apurei nos bastidores:
Marcelo não vai ser candidato a prefeito em 2024
O deputado estadual é próximo ao prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio (União Brasil), mesma cidade em que tem base eleitoral. E não vai concorrer contra o aliado.
Vandinho, embora não necessariamente vá disputar a Prefeitura da Serra, desperta o descontentamento de outros deputados da Serra, Xambinho (PSC) e Pablo Muribeca (Patriota).
Se presidisse a Assembleia, teria uma vitrine, ainda que isso não seja garantia de votos.
Marcelo não vai ser candidato a deputado estadual em 2026
Marcelo Santos também já afirmou e reafirmou que não vai tentar mais um mandato de deputado estadual em 2026. Em fevereiro, ele inicia a sexta temporada na Assembleia. No próximo pleito, pretende disputar uma vaga de deputado federal.
Marcelo tem uma relação mais estável com Casagrande
O deputado estadual do Podemos é aliado do governador, ainda que também seja muito próximo do atual presidente do Legislativo estadual, Erick Musso (Republicanos). É o vice-presidente da Mesa Diretora.
Vandinho, por sua vez, fez oposição a Casagrande nos dois primeiros anos do mandato anterior do socialista. Até fez uma "visita surpresa" ao hospital Dório Silva em meio à pandemia de Covid-19, em 2020, o que a secretaria estadual de Saúde classificou como invasão.
Nos dois últimos anos, o tucano migrou para a base governista. Quanto a Erick Musso, ele também é aliado do republicano. Logo, isso não seria critério de "desempate".
Marcelo é o decano da Assembleia
Como já mencionado, Marcelo Santos está indo para o sexto mandato de deputado estadual e nunca presidiu a Casa.
Marcelo Santos, Euclério Sampaio e outros aliados junto com o governador Renato Casagrande durante assinatura de ordem de serviço em Cariacica na última quarta-feira (18)Crédito: Rodrigo Araujo/Governo-ES
Embora este não seja um motivo listado por casagrandistas, pesou também o fato de grande parte da oposição ao governo ter declarado apoio a Vandinho. O deputado reeleito Capitão Assumção (PL) é um deles.
Quando a coleta de assinaturas restringia-se, oficialmente, à formação de um blocão parlamentar para a divisão de espaços nas comissões temáticas da Assembleia, aliados de Marcelo queixavam-se de que Vandinho havia "barrado" o parlamentar do Podemos e deputados mais próximos a ele do grupo.
"Havia ligação mais forte com a oposição que com os governistas", diz um, digamos, marcelista.
Na última sexta-feira (20), em Guarapari, Casagrande deu uma declaração à imprensa:
"Temos dois bons nomes, dois bons craques, Vandinho e Marcelo Santos. Então vamos ouvir os deputados para a gente tomar uma decisão que unifique toda a Assembleia Legislativa".
DUAS CHAPAS?
Aparentemente, não unificou não. Ao contrário.
Sabe-se lá o que vai ocorrer com o blocão, inicialmente liderado por Vandinho e agora sob a batuta do líder do governo na Assembleia, Dary Pagung (PSB).
Mas há as outras listas, não relativas ao bloco para a formação das comissões, mas "de apoiamento a uma chapa para a Mesa Diretora", como dizem os deputados.
A chapa tem que ser formada por sete nomes. A de Marcelo, por enquanto, conta apenas com o dele mesmo figurando como candidato a presidente da Assembleia.
E, de acordo com Hudson (Republicanos) que é Leal, com o perdão do trocadilho, a Vandinho, já há uma lista de apoiamento ao tucano também. Em que há somente o nome de Vandinho à presidência.
"Temos até mais de sete apoios. Temos como lançar uma chapa. Eu sou Vandinho. Só se ele desistir (não o apoiaria para presidir o Legislativo). Tenho palavra", cravou.
"Sei que tem gente assinando as duas listas", comentou.
Há anos não há disputa no dia da eleição da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa do Espírito Santo. As negociações ocorrem nos bastidores e, em 1º de fevereiro, só uma chapa é inscrita.
O governo já afirmou várias vezes que gostaria que essa tradição se mantivesse.
A coluna não conseguiu contato com Vandinho até a publicação deste texto. Ao falar ao telefone com Hudson Leal foi possível ouvir Theodorico Ferraço (PP) ao fundo conversando com o deputado do PSDB.
O grupo de Vandinho está se movimentando.
E CADÊ CASAGRANDE?
O apoio de Casagrande a Marcelo não veio por meio de uma declaração pública. Não há aqui nem em lugar algum uma frase entre aspas do chefe do Executivo em favor do deputado do Podemos.
Mas ele endossou Marcelo, sim. Até porque, do contrário, deputados da base governista não migrariam oficialmente para esta candidatura à presidência. Alguns tiveram que voltar atrás em relação ao que haviam combinado com Vandinho.
Além do mais, a coluna apurou, por exemplo, que o partido de Casagrande em peso assinou a "lista de apoiamento" a Marcelo.
Tyago Hoffmann, Janete de Sá e Dary Pagung, que são os parlamentares que a sigla vai ter na Assembleia a partir de fevereiro, já estão no palanque do ungido do governador.
HOFFMANN: "DECISÃO DIFICÍLIMA"
Hoffmann, aliás, confirmou à coluna ter ouvido do próprio Casagrande que o apoio do Palácio Anchieta é a Marcelo Santos.
"O governador o tempo inteiro tentou evitar que tivesse que emitir qualquer opinião, porque os cinco nomes colocados eram de aliados. Mas a base do governo sempre clamou que o governador se posicionasse", contou.
"Ele evitou o quanto pôde, mas chegou a um ponto em que a cobrança ficou muito forte. O governador me comunicou hoje a decisão de apoiar o Marcelo. Ele disse que refletiu no final de semana e que a decisão foi dificílima porque envolve dois aliados", complementou o deputado estadual eleito, que foi um supersecretário na gestão anterior de Casagrande e homem forte do governo.
"Vou continuar trabalhando até dia 31 para termos uma chapa de consenso e unir a Assembleia. Se o deputado Vandinho quiser lançar uma chapa, ele tem todo o direito", ressaltou Tyago Hoffmann.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.