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Depoimento

O que o autor da denúncia contra Armandinho Fontoura contou à Polícia Civil

Sandro Luiz da Rocha alega que assinou pedido de cassação do vereador de Vitória sem saber do que se tratava. Intimado a depor, ele foi a uma delegacia na quarta (3) e, desta vez, citou nomes. Uma testemunha, porém, pode provocar uma reviravolta

Publicado em 04 de Maio de 2023 às 12:52

Públicado em 

04 mai 2023 às 12:52
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Corregedoria da Câmara de Vitória ouviu o empresário Sandro Luiz da Rocha sobre autoria de representação contra o vereador preso Armandinho Fontoura (Podemos)
Corregedoria da Câmara de Vitória ouviu o empresário Sandro Luiz da Rocha sobre autoria de representação contra o vereador preso Armandinho Fontoura (Podemos) Crédito: Reprodução/YouTube
O empresário e morador de Bairro República Sandro Luiz da Rocha figura formalmente como autor da representação por quebra de decoro parlamentar, com pedido de cassação do mandato, contra o vereador Armandinho Fontoura (sem partido). O documento foi protocolado na Câmara de Vitória em 24 de março e, no dia 5 de abril, o corregedor-geral da Casa, Leonardo Monjardim (Patriota), admitiu o processo, ou seja, avaliou que a denúncia atendia aos requisitos mínimos para tramitar no colegiado.
Assim, Armandinho passou a responder ao procedimento, cuja relatora, definida por sorteio, é a vereadora Karla Coser (PT). Na reunião da Corregedoria que selou a admissão, 12 dias após a representação ter sido protocolada, Sandro Luiz apareceu na Câmara dizendo ter assinado "pela metade" a representação, não ter assinado ou ter assinado sem ler (deu as três versões).
De lá pra cá, foi confusão atrás de confusão. Agora, a Polícia Civil entrou em cena.
Uma notícia-crime foi registrada a pedido da defesa de Armandinho, a respeito do processo que tramita no Legislativo municipal. E Sandro Luiz foi intimado a ir a uma delegacia, o que fez na quarta-feira (3). A coluna teve acesso à íntegra do termo de declaração.
O empresário, em depoimento à Corregedoria da Câmara de Vitória, reconheceu que a assinatura é dele mesmo, mas pediu para retirá-la da representação e afirmou que Washington Bermudes, assessor do vereador Chico Hosken (Podemos), foi quem pediu para que ele assinasse um papel, sob o pretexto de que se tratava de solicitação para a realização de uma audiência pública. 
Como não apresentou provas de que foi enganado, a assinatura foi mantida e o processo contra Armandinho segue em curso, para contrariedade de Sandro Luiz da Rocha. 
Não é possível simplesmente desistir da representação, dizer que se arrependeu, por exemplo. Além da assinatura, o empresário forneceu cópias dos documentos pessoais, que embasam a autoria da denúncia.
"É a sua palavra contra a sua própria palavra", resumiu Karla Coser, dirigindo-se a Sandro Luiz, quando este prestou depoimento à Corregedoria.
Para desconstituir o que é considerado um ato jurídico perfeito, teria que ser provado que a assinatura foi falsificada, o que nem sequer foi alegado, ou que o autor foi coagido a assinar o documento. O empresário negou ter sido alvo de coação ou ameaça. À coluna, afirmou ter sido "enganado". 
Ele demorou a comparecer à Câmara para contestar a autoria da representação – os 12 dias já mencionados aqui –, disse que não sabia sobre o processo, apesar da ampla divulgação na imprensa. 
E levou mais tempo ainda para procurar a Polícia Civil, o que é estranho para uma pessoa que foi ludibriada. Apenas no dia 26 de abril, horas antes de prestar depoimento à Corregedoria da Câmara de Vitória, é que Sandro Luiz registrou uma "nota de desagravo" em uma delegacia, mas sem citar o nome de quem pegou a assinatura dele. 
Karla Coser afirmou suspeitar que o empresário foi ameaçado, pressionado a pedir a retirada da assinatura, o que ele, mais uma vez, negou. 
O DEPOIMENTO NA DELEGACIA
Intimado a depor no âmbito de uma notícia crime instaurada no 2º Distrito Policial, Sandro Luiz da Rocha compareceu à delegacia, localizada no bairro Horto, em Vitória, na quarta-feira (3). 
Lá, repetiu o que havia dito à Corregedoria e acrescentou uma informação: na primeira folha do documento apresentado por Washington Bermudes estava escrito "Audiência Pública". Desta vez, ele citou "Washington Gomes Bermunes, assessor de Chico".
"E então (Sandro Luiz) foi para a última folha e assinou, e não rubricou as outras folhas".

Arquivos & Anexos

Veja a íntegra do depoimento de Sandro Luiz da Rocha à Polícia Civil

A coluna tarjou informações pessoais, número de telefone e endereço, do depoente
Tamanho do arquivo: 865kb
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Realmente, na representação há apenas uma assinatura e nenhuma rubrica. A coluna checou.
Agora, quanto ao que estava escrito na primeira folha e ao que Washington Bermudes falou com o empresário, tem-se apenas a palavra de Sandro Luiz da Rocha.
TESTEMUNHA PODE DESMENTIR EMPRESÁRIO
Washingon é servidor comissionado da Câmara de Vitória, lotado no gabinete de Chico Hosken. O vereador assumiu o mandato no dia 10 de janeiro de 2023, justamente por ser o 1º suplente de Armandinho Fontoura.
Armando está preso preventivamente desde 15 de dezembro de 2022 e afastado do mandato, por determinações judiciais, desde 1º de janeiro.
Se o vereador afastado fosse cassado, Hosken herdaria a cadeira dele.
Como se a história não fosse rocambolesca o suficiente, o segundo suplente de Armandinho, Neno Bahia (Podemos), protocolou uma representação contra Chico Hosken, em que pede, de pronto, o afastamento dele do cargo. Se isso fosse deferido, Neno assumiria como vereador.
Corregedoria da Câmara de Vitória abre processo disciplinar contra Armandinho Foutoura (Podemos)
Os vereadores André Brandino (PSC), Luiz Emanuel (sem partido), Leonardo Monjardim (Patriota) e Karla Coser (PT) integram a Corregedoria da Câmara de Vitória. Davi Esmael (PSD), que não se senta à mesa com os colegas, também é corregedor Crédito: Divulgação/Câmara de Vitória
A defesa de Hosken defendeu que o procedimento seja arquivado, uma vez que, na peça, Neno Bahia aponta indícios de que Washington Bermudes coletou a assinatura de Sandro Luiz. Mas não imputa nenhuma ação ao vereador do Podemos, diz apenas que o parlamentar "é a pessoa beneficiada com a cassação do vereador Armandinho Fontoura".
Em linhas gerais, Neno aposta que Chico Hosken está por trás da "trama". Essa representação também foi admitida pelo corregedor-geral da Câmara. Falta definir quem vai relatar. 
Em reunião da Corregedoria realizada na última terça-feira (2), o advogado de Hosken, Marcos Daniel, rebateu o relato de Sandro Luiz da Rocha e afirmou que uma testemunha pode comprovar que o empresário assinou a representação contra Armandinho Fontoura voluntariamente e sabendo do que se tratava.
A mesma testemunha, de acordo com o advogado, ouviu Sandro Luiz dizer a Washington, depois, que estava sendo ameaçado e por isso iria pedir a retirada da assinatura.
(...) Pode comprovar a voluntariedade (do Sandro) e inclusive o Sandro dizendo que estava sendo ameaçado e por isso iria pedir a retirada do seu nome do processo de cassação (...) Tem também mensagens trocadas entre Sandro e Washington sobre pedido de documentos, que Sandro fornece", afirmou o advogado aos vereadores.
Ele mostrou, de longe, aos integrantes da corregedoria um papel que registraria a declaração da testemunha. E não retornou às tentativas de contato da coluna.
A coluna tentou, nesta quinta-feira (4), falar com Washington e, mais uma vez, com o advogado de Chico Hosken, mas não obteve retorno.
O vereador do Podemos já havia dito que é impossível que haja provas contra ele: "A pessoa que fez a representação (Neno Bahia) não tem como provar que eu induzi o Sandro a fazer alguma coisa. Tanto que o Sandro nunca mencionou meu nome, porque também não tem como provar".
A Polícia Civil, a partir da notícia-crime, está investigando o caso. 

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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