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Pós-eleição

O que o PSB quer no novo governo Casagrande e o que pode levar

Presidente estadual do partido afirma que sigla faz questão de ter duas secretarias e aliado já pede uma "que faça entregas"

Publicado em 20 de Dezembro de 2022 às 12:28

Públicado em 

20 dez 2022 às 12:28
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Renato Casagrande
Renato Casagrande discursa após ser diplomado como governador eleito pelo TRE-ES Crédito: Carlos Alberto Silva
O deputado estadual Marcelo Santos (Podemos) já mandou diretas e indiretas para o governador Renato Casagrande, queixando-se do espaço concedido ao partido do socialista na atual gestão. Para Marcelo, o apetite do PSB é muito grande, o que significa que Marcelo também está "com fome".
À parte os apontamentos do parlamentar, possível candidato à presidência da Assembleia Legislativa e aliado de Casagrande, o que o PSB espera e o que realmente pode obter na próxima gestão?
A chefia do Executivo estadual, o cargo mais importante, obviamente, a legenda já tem.
O presidente estadual do partido, Alberto Gavini, diz que indicou "alguns nomes" para compor a futura equipe e preferiu não revelar quais.
Mas ressaltou que a sigla não abre mão de manter a titularidade de duas secretarias, também sem especificá-las.
Nas contas de Gavini, o que o partido teve até hoje foram duas pastas: a Secretaria de Trabalho, Assistência e Desenvolvimento Social (Setades) e a Secretaria de Agricultura.
Em 2019, o deputado estadual Bruno Lamas (PSB) se licenciou do mandato para assumir a Setades. Na Assembleia, Freitas, seu correligionário e suplente, assumiu a cadeira.
Já quem comandava a Agricultura era o deputado federal Paulo Foletto. Também licenciado do mandato, ele abriu as portas para outro socialista na Câmara dos Deputados, Ted Conti.
Lamas e Foletto deixaram os cargos em abril, para disputar as eleições. O primeiro não foi reeleito. O segundo, sim.
Eles, entretanto, não eram os únicos filiados ao PSB no primeiro escalão. O ex-supersecretário Tyago Hoffmann, hoje deputado estadual eleito, por exemplo, é do partido. O ex-secretário da Fazenda Rogélio Pegoretti também é, ou era.
Edmar Camata desfiliou-se do PSB para assumir a Secretaria de Controle e Transparência, que exige uma certa isenção partidária, mas foi candidato a deputado federal pela sigla em 2018.
Isso sem contar a vice-governadora Jacqueline Moraes.
Ocorre que não é apenas por ter filiação que a pessoa é considerada "da cota do partido".
Aí vira uma discussão ranhida. O próprio Casagrande já disse à coluna, por exemplo, que considera que integrantes do PSB no governo são apenas aqueles que têm atuação partidária efetiva, como dirigentes da sigla.
O próprio Gavini, por exemplo, tem um cargo no segundo escalão, é diretor-presidente da Agência de Desenvolvimento das Micro e Pequenas Empresas e do Empreendedorismo (Aderes).
"Nosso pedido é para manter a mesma quantidade de espaços, mesmo que não as mesmas pastas ou as mesmas pessoas", pontuou o presidente estadual.
Jacqueline Moraes, que não se elegeu deputada federal, já foi anunciada como futura secretária da Mulher, pasta que vai ser criada.
De acordo com Gavini, esse espaço já atende a metade do pleito do partido, ou seja, uma de duas secretarias. 
"É uma vaga que a gente já tinha conversado com o governador. Agora, ele avalia outras indicações. Queremos uma secretaria que tenha presença no estado todo", adiantou.
A secretaria de Agricultura com certeza não vai ser mantida pelo PSB. O futuro titular, Enio Bergoli, que não tem filiação partidária, foi confirmado para o posto.
Outro integrante do PSB já não considera a ocupação da Secretaria da Mulher por Jacqueline como uma vitória do partido na disputa por protagonismo no governo, apesar de o presidente da legenda dizer o contrário.
"Ela é da cota pessoal do Casagrande, que gosta muito dela, não é cota do partido", avaliou um socialista graduado ouvido pela coluna.
Ele acha até que o partido, em relação ao primeiro escalão, pode ficar apenas com essa pasta mesmo, dado o assédio de diversos integrantes da frente ampla que reelegeu Casagrande.
Mas tem gente se movimentando para emplacar mais um nome do PSB. Os mais cotados são os deputados estaduais Bruno Lamas e Freitas.
ESPORTES EM DISPUTA
A coluna, aliás, encontrou Freitas no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-ES) nesta segunda-feira (19). Ele foi diplomado como suplente.
É um aliado de longa data de Casagrande. Não à toa Bruno Lamas foi alçado a secretário em 2019, uma forma de prestigiar, também, o deputado da região Norte do estado.
Quando Bruno retornou ao mandato, em 2020, para disputar a Prefeitura da Serra, Freitas foi nomeado assessor especial da Casa Civil do governo estadual, cargo no qual permaneceu até o início de janeiro de 2021.
Naquele mês, voltou a ser deputado, já que era suplente da coligação que elegeu Euclério Sampaio (DEM) para a Assembleia e este tornou-se prefeito de Cariacica.
Freitas, em 2022, foi candidato a deputado federal, empreitada na qual não obteve sucesso. A partir de 1º de fevereiro, não vai mais ter mandato.
Questionado pela coluna, o ainda deputado estadual diz que não pretende voltar à Casa Civil, que cuida da relação com demais Poderes e instituições, como a Assembleia.
"Mas a Casa Civil não entrega. Precisa ser uma função com visibilidade política", afirmou o deputado.
Ele preferiu não exemplificar a secretaria "de visibilidade política" na qual teria chances de ser encaixado.
Diplomação de deputados
José Eustáquio Freitas recebe do TRE-ES o diploma de suplente de deputado federal Crédito: Carlos Alberto Silva
Nos bastidores, o deputado, de acordo com uma pessoa próxima a ele, está trabalhando para ser secretário de Esportes.
Mas hoje quem está lá é o PDT, com Júnior Abreu.
O secretário disse à coluna que não teve nenhuma conversa com o governador sobre saída ou permanência no cargo.
E tem gente do PT de olho na pasta também: o ex-deputado estadual Nunes, de acordo com um dirigente do partido.
SETADES
A Setades poderia ser outro espaço de disputa entre PT e PSB. 
Um integrante do alto escalão petista, entretanto, afirmou, meio de brincadeira, mas nem tanto, que a sigla tem identificação com a pasta, "mas está na hora de variar um pouco".
SAÚDE
Como já registrado, Nésio Fernandes não vai voltar para comandar a Secretaria de Saúde. Interinamente, quem está à frente da pasta é Tadeu Marino, filiado ao PSB há aproximadamente 30 anos e subsecretário da área.
O partido, contudo, não pleiteia oficialmente a permanência dele. Claro que, se Casagrande quiser efetivar Tadeu, os socialistas soltam fogos (sem barulho, para cumprir a lei sancionada por Casagrande).
Mas o partido não faz pressão para isso. 
O FATOR RICARDO
Quem tem sido um influente conselheiro de Casagrande é o vice-governador eleito, Ricardo Ferraço (PSDB), que também vai ser secretário de Desenvolvimento. 
A escolha de Enio Bergoli para a Agricultura certamente passou pelo tucano, que tem proximidade e um histórico de atuação profissional com o futuro secretário. Além disso, Ricardo vai coordenar, além do Desenvolvimento Econômico, os assuntos relacionados à Agricultura e ao Meio Ambiente.
Sobre o espaço do PSB no governo, o vice preferiu ser sucinto e jogou a bola para o governador:
"O PSB parte de uma premissa muito importante. O PSB tem o governador do estado. E Casagrande saberá, por certo, pela experiência, pelo equilíbrio e pela cautela que tem considerar tudo isso para continuar liderando um projeto político excepcionalmente vitorioso e com uma aliança muito ampla. Ele tem sido muito exitoso na construção da aliança e da gestão. Tenho confiança de que ele vai continuar mantendo as coisas muito equilibradas".
GOVERNO LULA
O PSB do Espírito Santo tem uma indicação em outro governo, o que Lula (PT) vai capitanear a partir do dia 1º.
Edmar Camata, como já mencionado, não está mais filiado ao partido, mas segue com laços na legenda.
"Colocamos alguns nomes (para o governo federal). Edmar é um rapaz capacitado. Não tem pressão, mas uma indicação", afirmou o presidente estadual do partido.
"Primeiro, vamos ver como vão ficar os ministérios. Tem o Márcio França (ex-governador de São Paulo) sendo discutido (para ser ministro dos Portos, por exemplo). Depois vamos ver o segundo e o terceiro escalões. Mas é bom colocar gente lá para treinar, adquirir conhecimento, pegar os caminhos de Brasília. Isso ajuda o Espírito Santo", avaliou Gavini.
O PSB nacional já tem o vice-presidente da República eleito, Geraldo Alckmin.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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