Ainda assim, o presidente da Assembleia exerce influência na legenda por um canal direto com a Executiva nacional, presidida por Antônio Rueda. Foi assim que o comando do União Brasil na Serra foi destituído. E outros episódios como esse devem ocorrer nos próximos dias.
No caso da Serra, Marcelo Santos atuou como interlocutor e o órgão provisório da sigla na cidade evaporou, por decisão vinda de Brasília. Rigoni foi comunicado previamente, mas não foi ele que orquestrou a manobra.
Sob Rigoni, o União decidiu apoiar Weverson Meireles (PDT) para a Prefeitura da Serra. O grupo de Marcelo quer levar a legenda para o palanque de Pablo Muribeca (Republicanos).
Os marcelistas e muribequistas (?) já escolheram quem deve ser o novo presidente municipal do União, Yulo de Castro, um servidor comissionado do Legislativo estadual ligado a Marcelo. Mas, até agora, o site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não registra a constituição de um novo órgão provisório.
Seja qual for o desfecho desta história, que pode acabar no Judiciário, o fato é que Marcelo, mesmo sem ter a caneta na mão, oficialmente, tem arquitetado mudanças de rumo no União nas eleições de 2024.
De acordo com uma pessoa próxima ao presidente da Assembleia, outros cinco órgãos municipais do partido devem sofrer intervenções similares à que houve na terra do prefeito Sérgio Vidigal (PDT). Todos no interior do estado.
Em Vitória, que seria um ponto sensível, não houve mudança. O União manteve-se no palanque do candidato a prefeito Luiz Paulo Vellozo Lucas. Tem até o vice na chapa, Victor Ricciardi, que é próximo a Rigoni.
O diretório estadual foi eleito, não é um órgão provisório. Assim, mesmo se a Executiva nacional quisesse entregar o partido ao presidente da Assembleia, essa não seria uma tarefa fácil.
E CASAGRANDE?
Além de questões jurídicas e burocráticas, o secretário estadual de Meio Ambiente conta com o apoio político do governador.
Apesar de Marcelo Santos integrar a base aliada a Casagrande, Rigoni como presidente do partido é uma escolha bem mais confortável para o chefe do Palácio Anchieta.
O imbróglio na Serra ilustra isso. Sob Rigoni, o União ficaria tranquilamente no palanque de Weverson, que é pupilo de Vidigal. Casagrande está ao lado dos pedetistas na cidade.
Já Marcelo articula para fortalecer Pablo Muribeca. O pré-candidato, embora não faça oposição ao governo no Legislativo, integra o Republicanos, partido que desafia a hegemonia casagrandista.
Pessoas próximas a Marcelo não admitem que ele não conseguiu rifar Rigoni. Argumentam que o presidente da Assembleia "nem queria" presidir o União por enquanto, pois ficaria muito em cima da hora para refazer arranjos em todos os municípios em que a legenda se movimenta nas eleições de 2024.
Mas nada impede que Marcelo mexa os pauzinhos nos bastidores, como tem feito.
A coluna questionou Marcelo, no último sábado, sobre os planos que tem no União. Ele se limitou a comentar a situação na Serra e, depois, saiu pela tangente:
"Nós começamos a dialogar (na Serra) uma possível aliança, podendo, inclusive, o partido figurar na chapa majoritária (como vice de Muribeca). Então isso é muito importante. O meu propósito de chegada no União Brasil é fortalecer o partido, fazendo ele crescer e trazer resultados significativos".
A coluna tentou contato com Felipe Rigoni nesta quarta-feira (24), mas não obteve retorno até a publicação deste texto.
Marcelo age, indiretamente, até em partidos aos quais não é nem nunca foi filiado, como o PRD. A presidente estadual da sigla é Joelma Costalonga, servidora comissionada da Assembleia e diretamente ligada ao deputado estadual.
O mesmo ocorria no Solidariedade. O presidente estadual era Cleveland Fraga Venancio, outro servidor comissionado do Legislativo. O órgão provisório, entretanto, foi dissolvido pela Executiva nacional e, assim, Marcelo perdeu o controle do partido no Espírito Santo.
"Isso ocorreu devido a um problema nacional, lá, devido a ação judicial", minimizou Marcelo.
O presidente da Assembleia aumenta a zona de influência, quando possível, nas eleições de 2024 de olho no pleito de 2026. Há tempos ele se diz pré-candidato a deputado federal, mas já fala em "mudar o plano de voo".
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.