O suspense sobre "a surpresa" de Vidigal e Weverson na Serra
Eleições 2024
O suspense sobre "a surpresa" de Vidigal e Weverson na Serra
Adversários e até aliados estão à espera de um duplo twist carpado eleitoral, que seria o prefeito se revelar candidato à reeleição. A coluna aposta que não
Publicado em 05 de Agosto de 2024 às 11:16
Públicado em
05 ago 2024 às 11:16
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Weverson Meireles e Sérgio Vidigal na inauguação de espaço do PDT, na SerraCrédito: Reprodução redes sociais
A convenção do PDT da Serra vai ser realizada nesta segunda-feira (5), último dia do prazo, à noite. "Prepare-se para um encontro de muita emoção e surpresas", diz o convite, publicado nas redes sociais do pré-candidato a prefeito Weverson Meireles e do prefeito Sérgio Vidigal.
Vidigal já afirmou diversas vezes que não vai disputar a reeleição: "Não tem a mínima chance de eu ser candidato", garantiu à coluna, em junho. O prefeito, contudo, dá sinais contrários às próprias declarações, de forma que adversários e aliados vivem um clima de suspense.
A aposta da coluna é que Vidigal não vai mesmo tentar a reeleição e que usa o clima de incerteza para confundir e atrasar as jogadas políticas dos adversários do PDT.
Posso estar enganada? Posso. Não tenho a capacidade de prever o futuro.
"Vidigal sempre foi homem de uma palavra só. Não dá seta para um lado e vai para outro", afirmou Weverson na noite de domingo (4).
A credibilidade da palavra de políticos, em geral, não é muito alta. Mas seria, sim, constrangedor, até feio, o prefeito se desdizer em um intervalo tão curto.
Nas redes sociais, Vidigal, entretanto, faz publicações típicas das que um candidato faria.
Além disso, não participou de inaugurações de obras e serviços da Prefeitura da Serra desde 6 de julho, como exige a legislação.
Um candidato que comparece a inaugurações fica sujeito a ter problemas com a Justiça Eleitoral. Mas um prefeito que não disputa a reeleição está livre da proibição.
Os partidos aliados ao PDT na Serra torcem para que Vidigal dê um duplo twist carpado e se anuncie como candidato, substituindo Weverson.
O pupilo do prefeito é ex-secretário estadual de Turismo e ex-chefe de gabinete do chefe do Executivo municipal, mas é novato, nunca disputou uma eleição e é bem menos conhecido na cidade que o vetereano líder do PDT. Vidigal já está no quarto mandato como prefeito da Serra.
"Com Vidigal a gente ganha a eleição. Com Weverson, a gente disputa a eleição", avaliou uma liderança política serrana.
Mas ganharia mesmo? "Tudo na vida tem um risco. Até com uma candidatura minha haveria o risco (de perder a eleição)", afirmou o próprio Vidigal, em junho.
A colunista citou aqui o duplo twist carpado, movimento da ginástica artística que ficou famoso ao ser executado por Daiane dos Santos.
O aliado do prefeito da Serra escolheu outra metáfora esportiva. "Ok, não é certeza de vitória", admitiu, em relação à hipótese de Vidigal ser o candidato. "Mas se um corredor largar 40 metros à frente e o segundo colocado sair 20 metros atrás, qual a chance?", questionou.
"Nós não vamos perder a Serra. Se as pesquisas mostrarem que há chance de Weverson nem ir ao segundo turno, Vidigal vai disputar. Nossa chapa dos sonhos é Vidigal prefeito e Weverson vice", contou um experiente pedetista à coluna.
O PDT, no Espírito Santo, é personificado por Sérgio Vidigal e o principal reduto do partido é a Serra.
Convite da convenção do PDT da SerraCrédito: Reprodução
Outros atores políticos da cidade, porém, concordam com a análise da coluna de que Vidigal apenas quer atrapalhar os adversários do partido ao postergar a oficialização da candidatura de Weverson em convenção.
"Veja o Muribeca (o deputado estadual Pablo Muribeca, candidato a prefeito da Serra pelo Republicanos), por exemplo. Ele focou o tempo todo, até antes da pré-campanha, no Vidigal. Agora, tem que se moldar a um cenário em que o adversário é Weverson, mas sem descartar voltar o foco ao Vidigal, se o prefeito disputar a reeleição. Isso desestabiliza", pontuou um político serrano que nem está no palanque do PDT.
Com a máquina municipal nas mãos, com o apoio do Palácio Anchieta e com esforço pessoal, Vidigal pode robustecer a candidatura de Weverson.
Em 2020, Audifax Barcelos, então prefeito da cidade, mesmo sem ter o governador Renato Casagrande (PSB) ao seu lado, conseguiu levar Fábio Duarte (Rede), um político de menor expressão, ao segundo turno na Serra.
Mas qual seria a tal surpresa da convenção municipal do PDT? Bem, ainda não foi definido o vice, ou a vice, na chapa de Weverson Meireles.
A coluna apurou que nomes do Podemos, do MDB e do União Brasil estão no páreo. O União da Serra passou por intervenção da Executiva nacional, mas depois voltou ao comando de aliados de Vidigal.
A incerteza que ronda os adversários do PDT devido aos sinais dúbios do prefeito também afeta os aliados da sigla. Talvez até por torcerem pelo duplo twist carpado eleitoral, eles projetam cenários com Weverson ou com Vidigal como cabeça de chapa.
O Podemos, como a coluna mostrou, avalia três nomes para indicar como vice de Weverson, mas até o deputado estadual Alexandre Xambinho, presidente municipal do partido, estaria disposto a ser vice, SE o candidato fosse Vidigal.
A surpresa da convenção a ser realizada na noite desta segunda poderia ser, por exemplo, o anúncio do nome que vai ocupar a vaga de vice de Weverson.
Nada impede, porém, que haja mais um adiamento. Partidos podem delegar às suas respectivas Executivas o poder de bater o martelo mais à frente, até a data limite para registro de candidaturas na Justiça Eleitoral, 15 de agosto.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.