O tamanho da derrota do partido de Bolsonaro no ES em 2024
Decisão dos eleitores
O tamanho da derrota do partido de Bolsonaro no ES em 2024
PL lançou 50 candidatos a prefeito e elegeu apenas cinco, em cidades pequenas do interior. Veja qual foi a estratégia do partido e o que levou a esse resultado
Publicado em 08 de Outubro de 2024 às 10:26
Públicado em
08 out 2024 às 10:26
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Assumção, Magno Malta, Jair Bolsonaro e Gilvan da Federal em carreata pela Grande Vitória no dia 30 de setembroCrédito: Fernando Madeira
O PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), apostou alto no Espírito Santo, lançou o maior número de candidatos a prefeito: 50. O resultado nas urnas, porém, foi tímido, para dizer o mínimo. A sigla elegeu apenas cinco, ou seja, 10%. E as vitórias ocorreram em cidades pequenas, do interior do estado.
As conquistas do Partido Liberal ocorreram em Domingos Martins (Edu do Restaurante), Ibatiba (Dr. Luis Pancoti), Muqui (Camarão), Santa Maria de Jetibá (Ronan Fisioterapeuta) e São Gabriel da Palha (Tiago Rocha).
Somando-se a população desses cinco municípios, o PL vai governar 148.429 pessoas no Espírito Santo a partir do ano que vem. Isso corresponde a 3,87% do total de habitantes do estado (3.833.712).
Na Grande Vitória, o desempenho do partido foi um fiasco.
Em Vitória, o deputado estadual Assumção ficou em quarto lugar, com 9,55% dos votos (17.946). O candidato do PL na Capital superou o desempenho que teve em 2020, quando, filiado ao Patriota, foi escolhido por 12.365 eleitores na disputa pela prefeitura da Capital.
Ainda assim, foi um desempenho tímido. Assumção, um político de direita, não conseguiu tirar votos do prefeito reeleito Lorenzo Pazolini (Republicanos), que é de centro-direita e não apelou ao bolsonarismo.
O pior resultado de um candidato a prefeito do PL, entre as principais cidades da Grande Vitória, deu-se em Cariacica. Ivan Bastos ficou em terceiro e último lugar, com 2,51% dos votos (4.788).
MELHOR RESULTADO EM CACHOEIRO
A cidade em que o PL se saiu melhor, no estado, foi Cachoeiro de Itapemirim, onde Léo Camargo ficou em segundo lugar na corrida pela prefeitura. A curva de crescimento dele já havia sido mapeada pelo Ipec, na sexta-feira (4), mas Léo Camargo surpreendeu e ultrapassou Diego Libardi (Republicanos).
O candidato do PL recebeu 23,09% dos votos (23.861). Libardi, 19,38% (20.030). O prefeito eleito é Theodorico Ferraço (PP), com 42,81% (44.240).
Magno Malta, Coronel Ramalho, Jair Bolsonaro e Léo Camargo na Prainha, em Vila Velha, no dia 30 de setembroCrédito: Vitor Jubini
O ex-presidente da República Jair Bolsonaro, maior liderança do partido, esteve no Espírito Santo na reta final da campanha de 2024. Em comício realizado na Prainha, em Vila Velha, pediu votos para Ramalho, Assumção… para os candidatos do PL, enfim.
Em 2024, o PL decidiu lançar 38 candidatos a prefeito a mais do que havia lançado em 2020.
Quatro anos atrás, o Partido Liberal teve 12 postulantes a prefeituras capixabas. Agora, com o recorde de 50 candidatos, a sigla tinha tudo para fazer barba, cabelo e bigode no pleito, certo?
Errado. Antes que o resultado da primeira urna de 2024 fosse apurada, integrantes do próprio PL já pressentiam que o resultado não seria nada bom para os candidatos a prefeito da legenda. E não apenas porque as pesquisas de intenção de voto já indicavam isso.
É que, por ordem do presidente estadual da sigla, o senador Magno Malta, o PL ficou isolado na maioria das cidades, sem poder coligar com partidos que, para Magno, são “direitinha”, ou seja, não são de direita o suficiente, por dialogarem e não serem sectários.
A estratégia do senador foi, justamente, abraçar o rótulo de radical e enfatizar o discurso do “nós contra eles”, sendo que na categoria “eles” colocou até PP e Republicanos, partidos de centro-direita que têm crescido no Espírito Santo.
E os candidatos a prefeito imitaram esse discurso, tentaram nacionalizar a eleição, apresentaram-se como bolsonaristas, combatentes da esquerda e opositores do presidente Lula (PT), apostando que temas nacionais seriam decisivos num pleito que, tradicionalmente, é pautado por assuntos locais.
Foi a aposta errada. Ao menos se o objetivo era mesmo eleger prefeitos.
A estratégia não era geográfica e sim temporal, pensando em 2026. Não é raro que partidos lancem candidaturas já pensando no próximo pleito.
Derrotados de 2024 ganharam visibilidade e podem tentar cargos como os de deputado estadual ou federal daqui a dois anos.
Mas também correm o risco de terem saído menores do que entraram, o que não tem como ser positivo.
Por isso, durante a campanha, a coluna ouviu diversas críticas de filiados ao próprio PL à forma como Magno conduziu o partido a esse destino. Basicamente, quem manda no partido é ele e a vontade do senador prevaleceu.
No palanque de Tiago Rocha, em São Gabriel da Palha, estavam Podemos, PSDB, Cidadania, PRD, Republicanos, PRTB, Novo e PL. Somente os últimos três estavam liberados por Magno.
Em Muqui, Camarão obteve a vitória com os apoios de Republicanos, PP, PSDB e Cidadania. Todos “proibidões”. Apenas PL e Agir, eram os membros “legalizados” da coligação.
Por fim, em Ibatiba, Luis Pancoti foi eleito prefeito com a ajuda dos “barrados” PP, Podemos e PSD. Novo e DC, além, obviamente, do PL, compuseram a coligação.
Edu do Restaurante, em Domingos Martins, foi eleito coligado apenas com PL e Novo.
Em Santa Maria de Jetibá, Ronan Fisioterapeuta foi outro que conseguiu a vitória mesmo isolado partidariamente. A coligação dele contou apenas com o PL e o nanico PRTB.
VEREADORES DE TORNOZELEIRA
Se na corrida pelas prefeituras da Grande Vitória o PL foi um fiasco, ao menos nas Câmaras de três das quatro principais cidades o partido conseguiu emplacar vereadores.
Em Vitória, o PL vai contar, a partir do ano que vem, com dois representantes: Armandinho Fontoura e Darcio Bracarense.
Em Vila Velha, com Devacir Rabelo, Pastor Fabiano e Patrick da Guarda.
E na Serra, foi eleito Pastor Dinho Souza.
Em Cariacica, o PL não elegeu nenhum vereador.
Armandinho, em Vitória, e Fabiano, em Vila Velha, usam tornozeleiras eletrônicas por determinação do Supremo Tribunal Federal, são investigados no Inquérito das Fake News.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.