Os bastidores do encontro de governadores em Pedra Azul
Cosud
Os bastidores do encontro de governadores em Pedra Azul
Cosud reuniu representantes dos estados do Sul e do Sudeste. Manato apareceu; numa camisa, uma mensagem controversa; Cláudio Castro criticou "agiotagem" do governo federal; os afagos à plateia capixaba
Publicado em 09 de Agosto de 2024 às 07:35
Públicado em
09 ago 2024 às 07:35
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Renato Casagrande (PSB-ES), Romeu Zema (Novo-MG), Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Jorginho Mello (PL-SC) no Cosud em Pedra AzulCrédito: Helio Filho/Secom ES
A 11ª edição do Consórcio de Integração Sul e Sudeste (Cosud) começou na quinta-feira (8) em Pedra Azul e reuniu seis dos sete governadores dos estados das duas regiões. Somente Ratinho Jr. (PSD), do Paraná, não chegou ao Espírito Santo para a abertura do evento.
O principal tema do primeiro dia —o encontro vai até sábado (10) — foi a segurança pública. O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, garantiu que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança não vai ser feita "de cima para baixo" e, em entrevista coletiva à imprensa, afirmou que a PEC "não vai mexer na Polícia Civil, na Polícia Militar e muito menos nas guardas municipais".
Fora dos holofotes, coisas curiosas aconteceram.
Derrotado por Renato Casagrande (PSB) na disputa pelo governo do Espírito Santo em 2022, Carlos Manato (PL) apareceu no evento, na plateia.
O ex-deputado federal Carlos Manato na plateia do CosudCrédito: Letícia Gonçalves
Foi a primeira vez, desde o pleito daquele ano, que ele compareceu a um evento organizado pela gestão Casagrande. "Vim como empresário. Um empresário que investe nesta região (Pedra Azul) e não vem aqui? A gente tem que estar presente, independentemente de (o Cosud) ser do governo", afirmou o ex-deputado federal à coluna.
Instantes antes, ele conversava amigavelmente com o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB).
HARMONIOSA, OU QUASE
O clima no Cosud, ao menos publicamente, foi de bastante amabilidade entre os governadores, sejam eles filiados ao PL, como Cláudio Castro (RJ) e Jorginho Mello (SC), ou ao PSB de Casagrande.
Alguns integrantes da plateia usavam camisas com a estampa da bandeira do Brasil, o número 10 (do partido Republicanos) e uma frase: "A essência da democracia é a convivência harmosioza das diferenças".
Creio que a ideia era exaltar a convivência harmoniosa, mas como se sabe, nem sempre isso ocorre.
Camisa de participante do Cosud em Pedra AzulCrédito: Letícia Gonçalves
"AGIOTAGEM"
Os governadores, inclusive os bolsonaristas, como Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo, foram corteses com o ministro da Justiça do governo Lula (PT) e apoiaram "o conceito e a tese", como destacou Casagrande, da PEC da Segurança Pública.
Quando o assunto é a dívida dos estados com a União, entretanto, a coisa muda de figura. Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais estão na situação mais complicada no Regime de Recuperação Fiscal.
Cláudio Castro. do Rio, em entrevista coletiva, chamou de "agiotagem" o fato de o governo federal cobrar as dívidas nos atuais termos:
"Não é uma questão de 'ajuda' aos estados, é uma questão de justiça, de pagar o que é justo. Nenhum ente federado, a União, os estados ou os municípios, pode fazer agiotagem um com o outro. (Não pode) deixar o outro quase de cócoras para pagar dívidas impagáveis".
Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, defendeu a redução do parâmetro dos juros da dívida, dos atuais IPCA + 4% para IPCA + 1%.
"Se o governo federal ficar inflexível, daqui a pouco ele vai ter de intervir porque nós vamos nos tornar estados ingovernáveis"
Romeu Zema (Novo) - Governador de Minas Gerais
"FIZEMOS A LIÇÃO DE CASA"
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), rebateu críticas de que os estados endividados não fizeram o "a lição de casa" em relação às contas públicas e, agora, querem tratamento especial.
"Nós fizemos a lição de casa, fizemos o ajuste que dependia de nós. Não estamos, simplesmente, pedindo para aliviar a conta (...) Pedimos que não nos sejam tirados do nosso orçamento 15% da receita corrente líquida para pagar a dívida. Importantes setores do país (setor privado) têm juros subsidiados pela União. Por que um ente federativo, que é sócio da União, precisa pagar esses juros de IPCA + 4%?".
Mas, ao lado dos colegas do Cosud, afirmou apenas apoiar a melhor solução para os mais endividados.
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, no Cosud, em Pedra AzulCrédito: Helio Filho/Secom ES
MARIDO CAPIXABA
Ao discursar, Eduardo Leite lembrou que o marido, o médico Thalis Bolzan, é capixaba. Há tempos, de acordo com o governador do Rio Grande Sul, Thalis pede que ele conheça a região de montanhas do Espírito Santo, o que Leite pode fazer durante o Cosud, o que agradeceu.
Ao mencionar o marido e afirmar que Thalis é de Linhares, o governador foi aplaudido.
TARCÍSIO AFINADO
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ou tem excelente memória ou recebeu dicas imediatamente antes de discursar. Ele também fez menções ao Espírito Santo, para agradar à plateia.
"A moqueca é capixaba", "a terra do pastel é Ibiraçu". Ele ainda citou que o deputado federal Da Vitória (PP) é o líder da bancada capixaba em Brasília, que teve participação relevante na obra do Contorno do Mestre Álvaro, na Serra.
Recursos de emendas da bancada garantiram a execução dos trabalhos na via federal.
ELEIÇÕES 2026
Está tudo muito bom, tudo muito bem, entre os governadores dos estados do Sul e do Sudeste, mas e quando as eleições de 2026 se aproximarem?
Ao menos três dos sete governadores são possíveis candidatos ao Palácio do Planalto em 2026: Zema, Eduardo Leite e Tarcísio de Freitas.
A coluna quis saber deles (dos seis governadores presentes), se o pleito de 2026 vai abalar o consórcio.
Castro, ao ouvir a pergunta da coluna, apressou-se a dizer que não vai ser candidato à Presidência em 2026.
Foi Casagrande quem falou em nome do grupo:
"Como não sou pré-candidato, posso responder. O consórcio tem um papel institucional, não vai nunca se envolver no processo eleitoral".
"Cada um de nós aqui, chegada a eleição de 2026, teremos a nossa posição ou como candidato ou como apoiador de algum candidato, mas não o consórcio, que tem esse papel institucional de poder fortalecer as políticas públicas. (O Cosud) jamais atuará como instrumento de uma candidatura à Presidência da República, se não isso destrói o consórcio".
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.