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Eleições 2026

Os bastidores do flerte com partido de Hartung e os riscos que cercam Arnaldinho

A coluna analisa o timing que o prefeito de Vila Velha tem para agir e conta o que descobriu sobre as circunstâncias do encontro entre ele e o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab

Publicado em 21 de Maio de 2025 às 03:15

Públicado em 

21 mai 2025 às 03:15
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Arnaldinho Borgo assumiu o segundo mandato na prefeitura de Vila Velha no início de 2025
O prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo, está sem partido desde o final de março, quando saiu do Podemos Crédito: Prefeitura de Vila Velha
O prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (sem partido), movimenta-se para disputar o Palácio Anchieta em 2026 e, mesmo sendo aliado do governador Renato Casagrande (PSB), flerta com PSD, partido que em breve vai abrigar o ex-governador Paulo Hartung, arquirrival do socialista. 
O chefe do Executivo canela-verde afirmou à coluna estar decidido a participar do pleito do ano que vem. Aliados dele, nos bastidores, avaliam que este é um momento crucial na carreira do político vilavelhense e que, se o prefeito "perder o bonde", pode ser tarde demais.
Por outro lado, renunciar ao mandato para concorrer ao governo estado, uma disputa acirrada e incerta, envolve um risco que não pode ser desconsiderado. 
Em trechos inéditos da entrevista exclusiva concedida na terça-feira (20), Arnaldinho foi questionado justamente sobre isso.
"Na política, quem tem medo de disputar não pode ser candidato", afirmou o prefeito. 
Ele concordou que há o perigo de perder o timing da coisa:
"Com certeza. Hoje existe um cenário político no Espírito Santo e quem tiver um pouco de capacidade de fazer uma análise fria, crua, vai ver o tamanho que é a gente em Vila Velha e no estado".
Enquanto isso, a aproximação com o PSD também é controversa. Pode render frutos, mas desperta desconfianças.
Vejamos o que está, de fato, em jogo.
O principal fator são as especulações sobre o que pode ocorrer não apenas em 2026, mas nos próximos anos.
A preocupação dos arnaldistas é a seguinte: se o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) for o candidato do grupo casagrandista e perder para um adversário, esse adversário pode ficar, potencialmente, oito anos no Palácio Anchieta, considerando a chance de ser reeleito em 2030.
Isso quer dizer que o atual prefeito de Vila Velha ficaria esse tempo todo sem concretizar o intento de sentar na cadeira de governador e, nesse período, perderia, além de poder, capital político. 
As chances de ele ser eleito chefe do Executivo estadual em 2026, provavelmente, são maiores que as que teria em 2034. Foi em 2024 que Arnaldinho conseguiu ser reeleito com quase 80% dos votos em Vila Velha, uma memória que está fresca para o eleitor agora, não depois.
Se Ricardo for eleito governador, o cenário já melhora, na perspectiva dos aliados do prefeito.
É que Casagrande deve renunciar ao mandato até o início de abril do ano que vem para disputar o Senado. Nesse caso, o vice tornaria-se governador de fato até dezembro de 2026 e disputaria, em outubro, a reeleição.
Em 2030, Ricardo não poderia tentar ser reconduzido (isso configuraria um terceiro mandato consecutivo), teria que apoiar um aliado... quem sabe Arnaldinho?
Ainda que houvesse esse acordo desde já, até lá o político canela-verde poderia ter perdido o "hype" ou ter sido superado por algum novo fenômeno das redes sociais, por exemplo, sabe-se lá.
A conclusão dos arnaldistas, portanto, é que o prefeito tem que aproveitar o momento, o agora. 
Daí o esforço para se viabilizar.
O prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo, analisa projeto da obra de uma escola em Ponta da Fruta
Arnaldinho analisa projeto da obra de uma escola em Ponta da Fruta, na manhã de terça-feira (20). O projeto eleitoral dele é, talvez, mais complexo que esse Crédito: Letícia Gonçalves
O primeiro efeito disso é uma disputa interna no bloco casagrandista.
Arnaldinho é listado por Casagrande como um possível candidato ao Palácio, mas a preferência é de Ricardo. O prefeito de Vila Velha pretende superar o emedebista em pesquisas de intenção de voto e, assim, ganhar o apoio do grupo, quiçá do próprio Ricardo.
Apesar das eventuais trocas de elogios públicos entre o prefeito e o vice-governador, o fato é que há uma disputa interna entre aliados. Isso pode fortalecer Ricardo e Arnaldinho? Ou enfraquecer a todos?
E se, até o ano que vem não houver consenso e Ricardo e Arnaldinho concorrerem um contra o outro? A divisão do eleitorado beneficiaria a quem?
Por enquanto, posso prever apenas que, em tese, quanto maior o número de candidatos, maiores as chances de haver segundo turno.
DOIS PÁSSAROS VOANDO
As articulações com lideranças políticas e partidárias são importantes, afinal, sem estar filiado a uma sigla que lhe dê suporte é impossível ser candidato a qualquer cargo. Ao fim e ao cabo, porém, a decisão é dos eleitores.
Arnaldinho pode, apesar dos diversos entraves, encontrar um partido para chamar de seu e, mesmo sem consenso entre os casagrandistas, disputar o governo. 
Só que se ele perder vai ficar sem o posto de prefeito, que era garantido até dezembro de 2028, sem a cadeira de governador e, provavelmente, sem qualquer cargo eletivo por muito tempo.
As próximas eleições depois das de 2026 são as de 2028, municipais, mas Arnaldinho não vai poder concorrer à Prefeitura de Vila Velha novamente.
Mesmo renunciando em abril de 2026, para efeitos legais ele exerceu dois mandatos consecutivos no cargo.
Em 2030, poderia tentar o Palácio de novo, ainda que sem o apoio do governador da ocasião, mas isso tornaria tudo mais difícil, sem contar a já mencionada possível perda de força eleitoral.
A PRESENÇA (OU NÃO) DE HARTUNG 
Ok. Entendemos então que Arnaldinho tem prós e contras para lançar-se ou não candidato e que, se escolher a primeira opção, vai precisar, obviamente, de um partido.
Ele tenta não apenas se filiar, mas presidir o PSD estadual e cogita até se equilibrar entre Casagrande e Hartung para isso. O socialista, segundo Arnaldinho, "não reclamou" das recentes movimentações do político canela-verde.
O PSD é um partido robusto, garantiria tempo de exibição no horário eleitoral e recursos para campanha. Mas a tática do prefeito de Vila Velha já desagrada, à boca miúda, alguns aliados de Casagrande. 
"Ele se reuniu com o Kassab, um encontro 'patrocinado' por Paulo Hartung. Isso gera desconfiança. Eu avalio como um erro, um tiro no pé", comentou um casagrandista.
Pessoas próximas ao prefeito contaram que no encontro com o presidente nacional do PSD, em São Paulo, estavam: Arnaldinho e Kassab, claro, o deputado federal Victor Linhalis (Podemos), que é muito próximo do prefeito de Vila Velha, e... o próprio Hartung.
Mais de uma fonte da coluna relatou, sob reserva, a presença do ex-governador lá. 
O prefeito de Vila Velha, contudo, negou veementemente a história: "Não, ele não estava presente na conversa com o Kassab (...) Não teve participação do (ex) governador nessa conversa. Quem fez a interlocução foi um amigo meu que mora em São Paulo, que tem relação próxima com o Kassab".
Arnaldinho afirmou que nem conversou com Hartung, mesmo em outras ocasiões, sobre 2026.
Arnaldinho Borgo e Renato Casagrande na corrida
Arnaldinho e Renato Casagrande na corrida "Da Madalena à Penha", no domingo (18), ou seja, dias após a conversa entre o prefeito de Vila Velha e Kassab Crédito: Instagram/@arnaldinhoborgo
Aliados do prefeito, porém, disseram justamente o contrário e que, nos bastidores, Hartung até incentiva Arnaldinho a disputar o governo.
A coluna entrou em contato com a assessoria de imprensa do ex-governador, que não se manifestou sobre o assunto até a publicação deste texto.
Ele demonstra simpatia, na verdade, pelo prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), outro possível candidato ao Palácio e opositor de Casagrande.
Por mais de uma vez, Hartung elogiou publicamente o prefeito da Capital. 
Na segunda-feira (19), o ex-governador ainda reuniu-se com o presidente nacional do partido de Pazolini, Marcos Pereira, em São Paulo. "Conversamos sobre temas que unem nossos estados e tratamos de iniciativas para acelerar o desenvolvimento regional e do Brasil", escreveu Pereira, no Instagram.
O presidente do Republicanos-SP, Roberto Carneiro, ex-presidente do Republicanos-ES e ex-secretário de Esportes durante o governo Hartung, também participou do encontro.  
"Hartung incentiva Pazolini e Arnaldinho ao mesmo tempo, pois entende que a nova geração é que vai conduzir a política do Espírito Santo", diz uma pessoa com trânsito no gabinete de Arnaldinho. 
Essa hipotética estratégia teria potencial de prejudicar Ricardo Ferraço, o político mais "tradicional" entre os três possíveis candidatos ao Executivo estadual.
Mas são especulações. Até agora, como registrado aqui, Hartung não corroborou nada disso.
Roberto Carneiro, Paulo Hartung e Marcos Pereira
Roberto Carneiro, Paulo Hartung e Marcos Pereira, em São Paulo, na segunda-feira (19) Crédito: Instagram/@marcospereira1010
O fato é que tanto Arnaldinho quanto Pazolini tentam amarrar o PSD, futuro partido do ex-governador.
Um trunfo do prefeito de Vila Velha é Victor Linhalis. O parlamentar poderia, no ano que vem, durante a janela partidária, migrar para o partido de Kassab. Reforços na bancada federal são sempre bem-vindos.
O atual presidente estadual da legenda é o prefeito de Colatina, Renzo Vasconcelos.
Na semana passada, a prefeitura da Princesinha do Norte recebeu Pazolini e Erick Musso, que é presidente estadual do Republicanos. 
Dias antes, passou por lá o emissário de Arnaldinho, precisamente Linhalis, que já estava na cidade para outros compromissos. 

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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