Cris, como prefere ser chamada, é filiada ao PP e integrava a lista de três nomes apresentados pelo partido como opções para o prefeito. Estavam no páreo ainda o presidente da Câmara Municipal, Leandro Piquet, e o presidente municipal do Progressistas, Marcos Delmaestro.
O ex-secretário municipal de Governo Aridelmo Teixeira (Novo) corria por fora e era considerado, nos bastidores, o "vice dos sonhos" de Pazolini.
Horas antes do anúncio desta quarta, aliás, Aridelmo estava ao lado dele cumprimentando eleitores na feira de Itararé.
Lorenzo Pazolini e Aridelmo Teixeira cumprimentaram eleitores em feira na manhã desta quartaCrédito: Instagram/@lorenzopazolini
O PP, principal sigla que compõe a aliança pela reeleição do prefeito, entretanto, ficaria frustrado se essa fosse a escolha do prefeito.
O presidente estadual do Progressistas, deputado federal Da Vitória, já havia dito à coluna que Pazolini se comprometeu a dar a vaga de vice para o partido.
Na convenção do PP de Vitória, no dia 27 de julho, o prefeito discursou e afirmou que "Vitória é 21", resultado da soma dos números de urna do Republicanos (10) e do Progressistas (11).
Mas o desfecho desta quarta-feira não foi apenas uma questão de cumprir a palavra. Tem pragmatismo envolvido.
Ao optar por Cris Samorini, Pazolini deve contar com mais recursos para fazer campanha. O Progressistas pode aportar na chapa verba do Fundo Eleitoral destinada à candidatura de mulheres.
Da Vitória afirmou à coluna, nesta quarta, que não conversou com Pazolini sobre o reforço a vir dos cofres do PP. "Tendo condição legal — o TSE está discutindo isso —, vamos participar (com recursos do Fundo Eleitoral), tanto em Vitória quanto nas outras cidades em que temos vice mulher filiada o PP", contou o presidente estadual do partido.
O Novo de Aridelmo é um partido com menos recursos, por ter poucas cadeiras no Congresso Nacional.
A sigla, politicamente falando, tem musculatura bastante inferior, em comparação com o PP, no Brasil, no Espírito Santo e em Vitória.
Mesmo sem Aridelmo na vice, o Novo está no palanque do prefeito e vai integrar a coligação.
As conversas sobre a possibilidade de o ex-secretário de Governo ser o escolhido eram travadas entre o próprio Aridelmo e Pazolini, não envolviam prioritariamente as cúpulas partidárias de um ou de outro.
Por falar em cúpula, entre os "candidatos a vice" elencados pelo PP, Cris é a mais próxima do presidente estadual do Republicanos, Erick Musso.
Erick é também conselheiro e articulador político informal de Pazolini. Faz, principalmente em relação a atores de fora da prefeitura, o papel que caberia a Aridelmo quando este era secretário municipal de Governo.
Cris Samorini, aliás, já foi correligionária do prefeito. Ela integrou o Republicanos de 2022 até pouco tempo atrás, quando se filiou ao PP.
Esse vínculo formal com os republicanos foi revelado à coluna há pouco tempo por uma fonte do partido. Não foi algo a que se deu publicidade.
Uma curiosidade é que, mesmo filiada ao PP, na Serra, Cris é mais próxima do candidato do Republicanos à prefeitura da cidade, o deputado estadual Pablo Muribeca, do que ao candidato do PP lá, o ex-prefeito Audifax Barcelos.
A nota oficial em que o Republicanos anunciou Cris como vice de Pazolini citou que "a escolha foi realizada com base na vasta experiência dela (...) uma empresária capixaba do ramo da indústria gráfica e que há mais de duas décadas se dedica ao associativismo".
A coluna apurou que uma pesquisa qualitativa sobre o cenário eleitoral em Vitória e as expectativas dos eleitores foi analisada por Pazolini, o que o auxiliou na decisão.
O fato de Cris ser mulher já é um complemento patente à chapa. Além disso, ela estreita os laços do prefeito com o setor empresarial.
ELEIÇÕES 2026
Mencionei, no primeiro parágrafo deste texto, que a definição do vice de Pazolini era a figurinha mais aguardada do álbum das eleições de 2024 na Grande Vitória.
Isso não ocorreu apenas devido ao suspense feito pelo prefeito, que anunciou o nome de Cris somente na véspera do fim do prazo para registro de candidaturas na Justiça Eleitoral.
A questão é que, se Pazolini for reeleito e sair das urnas com um capital eleitoral de respeito em 2024, ele se cacifa para o pleito de 2026, quando o governo do Espírito Santo vai estar em disputa.
Ainda falando hipoteticamente, se o prefeito for candidato em 2026, ele vai ter que deixar o mandato na Prefeitura de Vitória, que vai até 31 de dezembro de 2028, pela metade.
Nesse caso, a vice-prefeita — Cris Samorini — assumiria o comando do Executivo e, assim, o PP teria a principal vitrine municipal do Espírito Santo.
O partido elegeu seis prefeitos no estado em 2020. Atualmente, são 12.
PIQUET A VER NAVIOS
Leandro Piquet, presidente da Câmara de VitóriaCrédito: Reprodução/Câmara de Vitória
A decisão de Pazolini deixa Leandro Piquet, o presidente da Câmara Municipal, a ver navios.
Ele não vai ser candidato à reeleição, ou seja, não vai tentar mais um mandato de vereador de Vitória.
Como ficou sem a vaga de vice, não vai participar, diretamente, das eleições de 2024.
Piquet é delegado licenciado da Polícia Civil e tem base eleitoral na Praia do Canto.
QUEM É CRIS SAMORINI
Em nota enviada à imprensa, Cris Samorini afirmou que é "grata ao prefeito pela escolha e o encorajamento para esse grande desafio de, com ele, governar essa linda e importante cidade de nosso estado".
"É uma oportunidade que será bastante enriquecedora, pois Vitória tem excelência em gestão, funcionamento da máquina pública, planejamento estratégico robusto, transparência, além de resultados importantes em áreas como saúde e educação. Acredito em nossa capacidade de, juntos, construirmos uma cidade de paz e união."
Ex-presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), na gestão de 2020 a 2024, Cris foi a primeira mulher a ocupar o cargo em 65 anos de história da instituição.
É graduada em Administração de Empresas, com MBA em Gestão de Negócios pela Fundação Dom Cabral e em Marketing pela FGV.
É diretora comercial da Grafitusa, primeira indústria gráfica do Espírito Santo. Atualmente, a empresa está sediada no Civit, na Serra.
Cris está licenciada das atividades na Findes, mas é delegada titular da instituição na Confederação Nacional da Indústria (CNI) e diretora financeira da CNI.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.